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Projeto leva jiu-jitsu a crianças indígenas e enfrenta falta de estrutura em Brasília

Curumins BJJ atende cerca de 50 crianças da Aldeia Teko Haw e depende de doações para manter treinos e participação dos pequenos atletas em competições

Um projeto social criado dentro da Aldeia Guajajara Teko Haw, em Brasília, utiliza o jiu-jitsu como ferramenta de inclusão, disciplina e desenvolvimento de crianças indígenas. O Curumins BJJ atende atualmente cerca de 50 alunos, com idades entre 3 e 15 anos, e já leva alguns deles para competições fora do Distrito Federal.

A iniciativa foi criada em 2023 pelo educador físico e faixa-preta Daniel Badke Lino. O trabalho começou depois que ele conheceu a comunidade e pediu autorização para oferecer gratuitamente aulas às crianças.

Em agosto, cerca de oito integrantes do projeto estavam previstos para representar a aldeia no Campeonato Brasileiro GI e NOGI de Jiu-Jitsu 2026, realizado nos dias 22 e 23, no Ginásio Rio Vermelho, em Goiânia. As categorias Kids e Juvenil competiram no primeiro dia do torneio.

Projeto cresceu em três anos

Em abril deste ano, o Curumins reunia aproximadamente 30 crianças em treinos na aldeia. Quatro meses depois, o número divulgado já chegava a cerca de 50 alunos, mostrando a ampliação do projeto.

Além das técnicas da modalidade, as atividades trabalham valores como disciplina, respeito e hierarquia. Segundo Daniel, professores também passaram a relatar mudanças no comportamento das crianças fora do tatame, inclusive no ambiente escolar.

Falta de estrutura dificulta treinos

Apesar da participação em campeonatos, o projeto enfrenta dificuldades para manter as atividades.

O Curumins BJJ não possui patrocínio fixo e depende de doações, arrecadações e recursos do próprio fundador para cobrir despesas com transporte, alimentação e participação em competições.

A precariedade também afeta diretamente os treinos. Durante a preparação para o campeonato realizado em Goiânia, Daniel relatou que as crianças chegaram a treinar no escuro por falta de estrutura adequada.

A situação limita ainda a participação dos atletas em outras disputas. Em abril, o fundador afirmou ao Jornal de Brasília que pelo menos dez crianças já competiam regionalmente, mas a falta de apoio impedia uma presença maior nos campeonatos.

Medalhas já fazem parte da trajetória

Apesar das limitações, o projeto já acumula resultados.

No World Cup Jiu-Jitsu Championship 2026, o Curumins BJJ ficou na 13ª colocação na classificação por equipes, com sete medalhas de ouro, oito de prata e duas de bronze, somando 80 pontos, conforme o resultado oficial da competição.

A presença do projeto também ganhou visibilidade fora das competições. Em 2025, o multicampeão Renzo Gracie visitou o Curumins BJJ durante passagem por Brasília e acompanhou atividades desenvolvidas com as crianças indígenas.

Entre treinos, competições e dificuldades financeiras, o projeto segue utilizando o esporte para ampliar as oportunidades oferecidas às crianças da Aldeia Teko Haw. O principal desafio, porém, continua sendo conseguir apoio permanente para garantir estrutura, equipamentos e condições para que mais alunos possam competir.

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