Há menos de dois meses, escritores ainda enviavam textos para integrar uma nova coletânea organizada no Amazonas. Agora, o projeto chega a um dos maiores encontros literários do país com 67 autores reunidos em torno da Língua Portuguesa.
A Rede Sem Fronteiras – Núcleo Cultural Regional Amazonas participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com o lançamento de “Mãos que se Unem pela Escrita: O Poder da Língua Portuguesa”, primeira publicação coletiva do núcleo amazonense.
A obra reúne textos em prosa e poesia de autores da região amazônica, de diferentes estados brasileiros e de escritores portugueses ou residentes em Portugal. O lançamento ocorre no dia 9 de setembro, às 11h, no espaço do Grupo Ler Editorial, estande K74, próximo à Arena Cultural da Bienal.
Além da coletânea, integrantes do Amazonas chegam a São Paulo com obras individuais e participações em publicações da Rede Sem Fronteiras Mundial.
A programação transforma a Bienal em uma espécie de ponto de encontro entre trajetórias distintas, mas unidas pelo mesmo desafio: ampliar a circulação da produção literária construída a partir do Amazonas.
Uma coletânea que atravessa territórios
Presidente da Rede Sem Fronteiras – Núcleo Amazonas, Kátia Colares Ribeiro vê a chegada a São Paulo como oportunidade para enfrentar um obstáculo conhecido por quem produz literatura longe dos grandes centros editoriais.

“Levar o Núcleo Amazonas à 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo significa romper o isolamento e as barreiras geográficas que muitas vezes dificultam o escoamento e a visibilidade da rica produção literária do Norte do país”, afirmou.
A coletânea, segundo Kátia, reúne 67 autores e cria um diálogo entre diferentes experiências culturais.
Nesse mosaico, a Amazônia aparece não somente como espaço geográfico, mas por meio de costumes, formas de falar, memórias e experiências de quem vive ou se inspira na região.
Para a presidente, o objetivo é mostrar que a produção amazonense pode dialogar em igualdade com outros territórios.
“O Núcleo Amazonas não vai a São Paulo apenas para expor livros; nós vamos para consolidar a nossa identidade cultural”, destacou.
Programação concentra lançamentos no dia 9
A agenda do Núcleo Amazonas terá um dos momentos principais no dia 9 de setembro.
Às 11h, será lançada “Mãos que se Unem pela Escrita: O Poder da Língua Portuguesa”, com participação de representantes amazonenses.
Às 17h, Kátia Colares participa do lançamento da coletânea internacional “Sem Fronteiras pelo Mundo… – Vol. 9”, da Rede Sem Fronteiras Mundial, obra da qual também é coautora.
Mais tarde, às 19h, duas escritoras do núcleo terão espaço para seus trabalhos individuais: Marilândia Gama, com “Mar, Vento, Café e Poesia”, e Eleonora Edithe, com “Ondas Pequenas – Meus 90 anos”.
A programação do dia termina com um jantar de confraternização da Rede, marcado para as 20h.
No dia 10 de setembro, às 17h, Kátia volta à programação como coautora de “Mulheres Extraordinárias – Vol. 4”, publicação da Rede Sem Fronteiras Mundial.
Língua Portuguesa como ponto de encontro
O tema central da primeira coletânea não surgiu por acaso.
Desde o início das atividades no Amazonas, a Rede Sem Fronteiras tem colocado a Língua Portuguesa e a lusofonia entre os eixos de suas ações culturais.
Em maio, o núcleo promoveu em Manaus uma programação dedicada ao idioma como elo entre povos e culturas, com palestras, mesa-redonda, literatura e apresentações culturais.
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Essa mesma ideia aparece agora na coletânea levada à Bienal.
Arthemisa de Castro Gadelha, diretora institucional do Núcleo Amazonas e uma das participantes da publicação com um poema, define a Rede como uma ponte para levar a produção regional a outros espaços.

“Mais do que levar livros para fora do Amazonas, queremos levar nossas narrativas, nossa memória, nossa diversidade, nossas raízes e as diferentes formas de compreender e representar a Amazônia”, afirmou.
Para Arthemisa, a Bienal também cria condições para que autores amazonenses se aproximem de editoras, instituições, escritores e novos leitores.
Os contatos feitos em São Paulo, avalia, podem resultar em parcerias, projetos e intercâmbios posteriores.
Érica destaca força de um núcleo recém-criado
A velocidade com que o projeto chegou à Bienal chama a atenção de Érica Lima Aguiar, diretora de Comunicação e integrante da comissão organizadora da coletânea.
O Núcleo Amazonas iniciou oficialmente suas atividades neste ano e já chega à Bienal com sua primeira publicação coletiva.

“Nosso núcleo foi fundado há pouco tempo e, mesmo assim, já consegue levar sua primeira coletânea à Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Isso demonstra a força da união e da produção cultural amazonense”, afirmou.
Érica estará em São Paulo durante o evento, mas não conseguirá participar do horário específico do lançamento da coletânea.
Ainda assim, considera que sua presença está registrada no trabalho desenvolvido pela comissão e pelos autores.
“Lançar essa obra na Bienal significa apresentar nossas vozes a novos leitores e mostrar que o Amazonas tem literatura, talento e potência para atravessar fronteiras”, completou.
A jornalista integra a equipe fundadora da Rede no estado e assumiu a Diretoria de Comunicação do núcleo em março.
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Marilândia retorna com novo livro
Para Marilândia Gama, diretora financeira do Núcleo Amazonas, a edição de 2026 também marca uma nova etapa pessoal.
Depois de participar da Bienal em 2024, ela retorna com “Mar, Vento, Café e Poesia”.
Além do lançamento individual, Marilândia integra a experiência coletiva da Rede e vê o evento como espaço para conhecer escritores, editoras e diferentes formas de produzir literatura

“Lá nós nos tornamos um. Todos são escritores. Nosso assunto é sobre livros, cultura, arte, poesias e sobre a experiência de cada escritor”, afirmou.
Ela também defende que mais autores amazonenses ocupem eventos nacionais.
“Temos grandes escritores, grandes poetas no nosso estado que precisam estar nesses eventos”, destacou.
A expectativa é que os encontros feitos durante a Bienal possam gerar novos contatos e oportunidades depois do retorno ao Amazonas.
Eleonora leva obra e aposta no intercâmbio
Eleonora Edithe Monteiro de Oliveira, escritora e conselheira fiscal do núcleo, também terá participação individual na programação.
Ela apresenta “Ondas Pequenas – Meus 90 anos” no dia 9 de setembro, às 19h, no estande K74.
Para Eleonora, a atuação da Rede amplia as possibilidades de escritores de diferentes lugares se encontrarem por meio de um idioma compartilhado.

A escritora destaca a importância de “unirmos várias culturas através da língua lusófona, proporcionando excelentes oportunidades aos escritores de diversas nações serem reconhecidos por seus trabalhos”.
E resume a proposta com o lema que acompanha a organização: “Juntos somos mais fortes”.
Da inscrição à vitrine nacional
Quando o Portal Manaós mostrou o projeto em julho, a coletânea ainda estava na fase de inscrições. O edital buscava autores brasileiros e estrangeiros interessados em publicar textos em prosa ou poesia relacionados à Língua Portuguesa, memória, identidade, diversidade linguística e lusofonia.
Poucas semanas depois, a publicação chega pronta à Bienal com 67 vozes.
A transformação ajuda a dimensionar o movimento realizado pelo núcleo em seus primeiros meses de funcionamento.
Para Kátia, Arthemisa, Érica, Marilândia e Eleonora, a viagem a São Paulo carrega expectativas diferentes. Há quem busque novos leitores, quem apresente um trabalho individual, quem aposte na construção institucional e quem enxergue a língua como instrumento de aproximação internacional.
O ponto em comum é a tentativa de fazer a literatura amazonense circular.
A Bienal será a primeira grande vitrine. O resultado mais duradouro, porém, dependerá do que surgir a partir dela: contatos, novas publicações, leitores, intercâmbios e oportunidades capazes de manter essas vozes em movimento depois que os estandes forem desmontados.
Para a Rede Sem Fronteiras – Núcleo Amazonas, atravessar fronteiras começa justamente assim: fazendo a literatura produzida na Amazônia encontrar outros lugares sem perder as raízes de onde nasceu.


