A educadora financeira Roberta Veras Antonio, de Manaus, estruturou um modelo de educação financeira a partir de uma pesquisa desenvolvida com mulheres empreendedoras da capital amazonense. Batizado de Modelo Integrado de Educação Financeira (MIEF), o trabalho reúne três dimensões: autoconhecimento, monetização e sustentabilidade.
Segundo Roberta, a proposta surgiu durante sua pesquisa de mestrado a partir de uma pergunta: por que tantas pessoas têm acesso a informações financeiras, mas ainda encontram dificuldades para transformar conhecimento em decisões sustentáveis?
A investigação envolveu 40 mulheres empreendedoras de Manaus, distribuídas em oito grupos focais, e analisou conhecimentos e práticas relacionados à educação financeira, autoconhecimento, sustentabilidade e monetização.
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Parte desse trabalho foi publicada em agosto de 2026 no South Florida Journal of Development, em artigo assinado por Roberta e Cesar Buaes Dal Maso.
Pesquisa começou com mulheres de Manaus
Os resultados do estudo apontaram conhecimento financeiro limitado entre as participantes e dificuldades para aplicar conceitos relacionados a orçamento, planejamento e investimentos.
A pesquisa também identificou problemas relacionados à formação de reservas financeiras e à separação entre recursos pessoais e empresariais.
É justamente nesse ponto que Roberta utiliza uma comparação diretamente ligada ao Amazonas para explicar sua visão sobre dinheiro e empreendedorismo.
Em vídeo de apresentação do MIEF, a educadora afirma que CPF e CNPJ precisam coexistir, assim como os rios Negro e Solimões, mas permanecer organizados e separados.
“É impossível separar o CPF do CNPJ. Eles precisam coexistir”, afirma Roberta.
A ideia, segundo ela, é compreender que as decisões da pessoa física interferem na atividade empresarial, mas isso não significa misturar o dinheiro pessoal com os recursos do negócio.
Autoconhecimento, monetização e sustentabilidade
Roberta explica que o MIEF foi organizado em três pilares: autoconhecimento, monetização e sustentabilidade.
O autoconhecimento busca trabalhar a forma como cada pessoa se relaciona com o dinheiro. A monetização entra na discussão sobre geração de recursos, enquanto a sustentabilidade está relacionada à capacidade de manter decisões financeiras ao longo do tempo.
A pesquisa acadêmica publicada por Roberta também trabalha essas três dimensões. O estudo conclui que aspectos comportamentais, familiares e sociais podem influenciar as decisões financeiras das mulheres analisadas.
Para a educadora, portanto, repassar informações sobre dinheiro não é suficiente se o conhecimento não resultar em mudanças de comportamento.
Uma trajetória ligada à educação financeira
O MIEF não é a primeira iniciativa apresentada por Roberta na área.
Segundo ela, o modelo representa a continuidade de um trabalho anterior chamado Método Despertar Financeiro, estruturado em 13 passos a partir de sua experiência prática.
Roberta resume a relação entre as duas propostas da seguinte forma: enquanto o Despertar Financeiro busca promover conscientização, o MIEF pretende aprofundar e estruturar essa transformação.
A Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin) apresenta Roberta como integrante da entidade, consultora e mentora em finanças e empreendedorismo, contadora, palestrante e profissional com atuação em educação financeira. O perfil também registra sua ligação profissional com Manaus.
“Do Norte para o mundo”
Ao apresentar o MIEF, Roberta também coloca a origem amazonense do trabalho como parte central da proposta.
Para ela, o desenvolvimento do modelo no Norte do Brasil demonstra que a região não deve ser vista apenas como receptora de projetos e metodologias produzidos em outros lugares.
“O Norte não é apenas um território que recebe soluções. Também é um território que pesquisa, produz conhecimento, desenvolve metodologias e pode oferecer respostas ao Brasil e ao mundo”, afirma.
A educadora utiliza a expressão “do Norte para o mundo” ao falar sobre o projeto e defende que o conhecimento produzido na Amazônia também pode alcançar outros espaços.
Apesar de ter sido estruturado a partir da realidade de mulheres empreendedoras de Manaus, Roberta afirma enxergar possibilidade de adaptação do MIEF para jovens, famílias, profissionais, empresas, instituições e comunidades.
Essa expansão, entretanto, é apresentada pela própria criadora como potencial futuro do modelo. O que está documentado até o momento é a pesquisa desenvolvida com as 40 mulheres empreendedoras de Manaus e sua publicação científica em agosto deste ano.
Roberta também afirma estar aberta ao diálogo com universidades, empresas, instituições públicas e organizações interessadas em projetos, pesquisas, formações ou possíveis aplicações da metodologia.
Para ela, o objetivo é fazer com que um trabalho desenvolvido a partir da realidade de Manaus possa contribuir para uma discussão mais ampla sobre educação financeira, empreendedorismo e autonomia econômica.


