HomeNotíciasAmazonasCalor intenso e fumaça preocupam trabalhadores no Amazonas; especialista explica cuidados

Calor intenso e fumaça preocupam trabalhadores no Amazonas; especialista explica cuidados

Engenheira de Segurança do Trabalho e Ambiental alerta para riscos da combinação de altas temperaturas, fumaça e exposição ocupacional

O período de calor intenso no Amazonas, associado à ocorrência de queimadas e à presença de fumaça em determinadas áreas, exige atenção redobrada com a saúde e a segurança dos trabalhadores. Profissionais que atuam ao ar livre ou próximos a regiões atingidas por incêndios estão entre os mais expostos.

Segundo a engenheira ambiental e engenheira de Segurança do Trabalho Lizandra Bentes, a combinação entre altas temperaturas, fumaça e piora da qualidade do ar precisa ser considerada pelas empresas na avaliação dos riscos ocupacionais.

“Estamos vivendo uma realidade muito particular no Amazonas. O calor já é uma característica da nossa região, mas, quando ele se soma à fumaça e às queimadas, temos um cenário que precisa ser observado também sob a ótica da Segurança do Trabalho. Não estamos falando somente do trabalhador que combate diretamente o incêndio. A exposição pode alcançar muitas outras atividades”, explicou.

Brigadistas, bombeiros, trabalhadores rurais e equipes que atuam diretamente em áreas atingidas por incêndios estão entre os profissionais mais expostos. Os riscos, porém, também podem alcançar trabalhadores da construção civil, manutenção, limpeza urbana, transporte, logística, agricultura e fiscalização, entre outras atividades realizadas em ambientes externos.

Para a especialista, as empresas precisam avaliar as condições às quais cada trabalhador está submetido e verificar a necessidade de mudanças na rotina de trabalho.

“Uma empresa precisa olhar para o seu trabalhador e perguntar: qual é a condição ambiental em que essa pessoa está trabalhando? Quanto tempo ela permanece exposta? Existe possibilidade de reduzir ou eliminar essa exposição? É possível mudar o horário da atividade? É necessário interromper temporariamente aquele trabalho?”, afirmou.

Empresas devem avaliar riscos

De acordo com Lizandra, o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) deve levar em consideração as condições reais do ambiente e as características das atividades desempenhadas pelos profissionais.

A avaliação pode considerar fatores como temperatura, presença de fumaça e material particulado, esforço físico, tempo de exposição, qualidade do ar e visibilidade.

A NR-01, que estabelece diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, além de outras normas relacionadas às exposições ocupacionais e aos equipamentos de proteção individual, serve de referência para a adoção de medidas preventivas.

Prevenção deve ir além do EPI

A engenheira alerta que o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), por si só, não deve ser considerado suficiente para enfrentar situações de exposição ao calor e à fumaça.

“A primeira pergunta não deveria ser apenas ‘qual EPI vamos fornecer?’. Antes disso, precisamos perguntar se essa exposição pode ser evitada, reduzida ou controlada. O EPI é uma parte da estratégia de prevenção, não a única resposta”, ressaltou.

Entre as medidas que podem ser adotadas pelas empresas estão a reorganização dos horários de trabalho, redução do período de exposição, realização de pausas, oferta de hidratação, disponibilização de locais para recuperação térmica, monitoramento das condições ambientais e afastamento de áreas consideradas críticas.

Equipamentos de proteção adequados também podem ser utilizados quando houver indicação técnica.

Sintomas não devem ser ignorados

A especialista chama atenção ainda para sinais apresentados pelos trabalhadores durante períodos de exposição. Tontura, fraqueza, dor de cabeça e dificuldade para respirar estão entre os sintomas que exigem atenção.

“Tontura, fraqueza, dor de cabeça, dificuldade para respirar ou qualquer alteração importante durante uma atividade em condição de calor ou fumaça não deve ser simplesmente normalizada. O trabalhador precisa comunicar a situação e a empresa precisa ter procedimentos para responder a esse tipo de ocorrência”, orientou.

Empresas devem se preparar para períodos críticos

Para Lizandra, as características do Amazonas exigem estratégias de prevenção adaptadas à realidade regional, especialmente diante do calor intenso, períodos de seca, queimadas e grande quantidade de atividades realizadas em ambientes externos.

“Não podemos importar uma visão de segurança que desconsidere as características do nosso território. Aqui temos calor intenso, períodos de seca, fumaça, grandes distâncias e muitas atividades realizadas em ambientes externos. A gestão de riscos precisa considerar essa realidade”, afirmou.

A orientação é que as empresas se antecipem aos períodos mais críticos e estabeleçam procedimentos para situações de calor extremo e presença de fumaça.

“Prevenção não é esperar o trabalhador passar mal para tomar uma decisão. É antecipar o cenário, reconhecer o risco e definir previamente o que será feito quando as condições ambientais ultrapassarem aquilo que é seguro para aquela atividade”, destacou.

Para a especialista, os impactos das queimadas também precisam ser analisados sob a perspectiva da saúde ocupacional.

“Queimada é um problema ambiental, mas, quando seus efeitos chegam ao ambiente de trabalho, também estamos falando de saúde e segurança ocupacional. No Amazonas, proteger o trabalhador diante desse cenário precisa fazer parte da estratégia de prevenção das empresas”, concluiu.

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