A inadimplência do agronegócio brasileiro alcançou R$ 48 bilhões em junho de 2026, segundo dados do setor financeiro. O valor representa um salto expressivo em relação ao registrado cinco anos antes, quando os atrasos somavam cerca de R$ 2 bilhões.
No mesmo período, a taxa de inadimplência passou de 0,54% para 5,63%. Do total atual, aproximadamente R$ 29 bilhões estão concentrados entre produtores rurais de alta renda, grupo que responde pela maior parcela das dívidas em atraso.
O avanço da inadimplência já provoca efeitos sobre as garantias oferecidas nos financiamentos. Em 2026, o Banco do Brasil iniciou a retomada definitiva de mais de 130 imóveis rurais vinculados a operações de crédito.
A instituição afirma que prioriza a renegociação das dívidas e que a execução das garantias ocorre quando não há outra alternativa disponível para a regularização do contrato.
Garantias ganham peso nos financiamentos
Com a piora dos indicadores de crédito, a alienação fiduciária passou a ocupar espaço maior nas operações com grandes produtores. Na safra 2024/25, apenas 3% dos contratos desse grupo atendido pelo Banco do Brasil utilizavam esse tipo de garantia.
Na safra seguinte, a participação chegou a 63%.
Nesse modelo, o bem financiado ou dado como garantia permanece vinculado ao credor até a quitação da dívida. Em caso de inadimplência, a instituição pode consolidar a propriedade do imóvel por meio de procedimento extrajudicial, conforme as regras previstas para esse tipo de operação.
Outros bancos também adotam estratégias para administrar ativos rurais. O Santander estruturou propriedades em Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, os Fiagros, e aparece como único cotista de um fundo que reúne cerca de R$ 97 milhões em imóveis rurais.
Banco do Brasil, Bradesco e Santander não informaram quantos hectares mantêm atualmente em decorrência de operações relacionadas à inadimplência.
Máquinas agrícolas também sentem os efeitos
A retração do crédito e o aumento do endividamento também atingem o mercado de equipamentos agrícolas. As vendas de colheitadeiras acumulam queda de 85% desde 2022, enquanto a comercialização de tratores recuou 42% no mesmo período.
Diante do aumento das dificuldades financeiras no setor, o governo federal criou mecanismos de renegociação de dívidas. O Banco do Brasil estima que até R$ 100 bilhões de sua carteira ligada ao agronegócio possam se enquadrar nas novas linhas destinadas à reestruturação dos débitos.
O cenário mostra um ambiente mais restritivo para o crédito rural, com bancos reforçando garantias, produtores buscando renegociação e redução dos investimentos em máquinas e equipamentos.


