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Psicóloga Katherine Benevides leva ao livro “Vozes Amazônicas” reflexão sobre comunicação e saberes da região

Obra coletiva “A Comunicação como Instrumento de Transformações Sociais: Vozes Amazônicas” será lançada nesta terça-feira (15), durante programação do MOVLITERAJUR, com participação da psicóloga Katherine Benevides

A comunicação como ferramenta de expressão, preservação de saberes e participação social é o ponto de partida do livro coletivo “A Comunicação como Instrumento de Transformações Sociais: Vozes Amazônicas”, que será lançado nesta terça-feira (15), em Manaus. A publicação integra a programação do Movimento Literário Amazônico de Carreiras Jurídicas (MOVLITERAJUR) e reúne textos de autores de diferentes áreas do conhecimento.

O lançamento oficial está previsto para as 18h30, no Salão Rio Solimões, no Palácio Rio Negro. Antes disso, a programação começa às 15h30, no Teatro Amazonas, com apresentação da Orquestra Filarmônica do Amazonas e espetáculo de balé.

A coletânea reúne profissionais com trajetórias ligadas ao Direito, Jornalismo e outras áreas, além de autores que vivem fora do Amazonas e até mesmo no exterior. A proposta é colocar em circulação diferentes perspectivas sobre a Amazônia, sua cultura, seus grupos sociais e os desafios relacionados à representação dessas populações.

Entre as participantes está a psicóloga Katherine Benevides, que desenvolveu sua contribuição a partir da relação entre comunicação, saúde pública, território e populações amazônicas.

Katherine Benevides aborda comunicação como instrumento de transformação

Katherine Benevides é uma das participantes da obra coletiva “A Comunicação como Instrumento de Transformações Sociais: Vozes Amazônicas”. — Foto: Arquivo pessoal

Com atuação na área da psicologia clínica e mestrado pela Fiocruz Amazônia em Saúde Pública, Katherine Benevides também acumulou mais de uma década de experiência como coordenadora estadual de Saúde da Criança.

Nos últimos anos de atuação na Secretaria de Saúde, segundo seu relato, ela trabalhou com migração e refúgio, mantendo contato direto com essas populações. A aproximação com o MOVLITERAJUR ocorreu a partir da relação profissional com a doutora Maria Glaucia Soares, que anteriormente havia convidado Katherine para participar de atividades e publicações relacionadas ao movimento.

Para o livro, a psicóloga escreveu sobre a comunicação e seu papel na construção das relações sociais, com atenção especial às populações amazônicas.

Segundo Katherine, a comunicação não deve ser entendida apenas como transmissão de informações. Para ela, falar sobre os povos a partir das próprias narrativas cria condições para que essas comunidades possam se expressar, participar das decisões, reivindicar direitos e construir suas próprias representações.

A autora também chama atenção para a necessidade de valorizar os conhecimentos produzidos na própria Amazônia, sem reduzir a diversidade cultural da região a uma visão exclusivamente relacionada aos recursos naturais.

Em sua reflexão, Katherine utiliza como referência a expressão “onde os pés pisam e as canoas navegam”, relacionando território, experiência e identidade amazônica.

A imagem também remete à relação cotidiana das populações com os rios e com as mudanças provocadas pelos períodos de cheia e seca. Nesse contexto, o território não aparece apenas como espaço físico, mas como parte da construção da memória, da cultura e dos conhecimentos transmitidos entre gerações.

Comunicação, território e identidade

Na avaliação de Katherine, a comunicação funciona como um dos elementos que estruturam a sociabilidade e permitem a circulação de conhecimentos.

A partir dessa perspectiva, a publicação busca discutir como as narrativas sobre a Amazônia são construídas e quem participa desse processo. A questão ganha relevância quando envolve povos indígenas, comunidades tradicionais, populações ribeirinhas e outros grupos cuja realidade muitas vezes é apresentada por pessoas externas às próprias comunidades.

A proposta da obra, portanto, ultrapassa a reunião de textos sobre a região. A publicação procura colocar diferentes experiências em contato e ampliar a presença de narrativas amazônicas no debate público.

Na avaliação de Katherine, essa comunicação também pode atuar como mecanismo de resistência, preservação e transformação social, principalmente quando permite que os próprios grupos envolvidos participem da construção das narrativas sobre suas vidas e seus territórios.

Psicóloga e mestre em Saúde Pública, Katherine Benevides escreveu sobre comunicação, território e saberes amazônicos na coletânea. — Foto: Arquivo pessoal

“Falar sobre os povos a partir das narrativas deles, a partir dessa comunicação, cria condições para que essas populações, esses povos possam se expressar, participar, reivindicar seus direitos e construir narrativas a partir de tudo isso”, afirma a psicóloga.

Obra reúne diferentes áreas do conhecimento

O caráter multidisciplinar é um dos elementos centrais da publicação. Além de profissionais ligados às carreiras jurídicas, o livro reúne contribuições de pessoas com diferentes formações e experiências.

A publicação apresenta a comunicação como elemento relacionado à cidadania, ao conhecimento e às transformações sociais, ao mesmo tempo em que aborda aspectos da identidade e da cultura amazônica.

De acordo com as informações divulgadas pelo MOVLITERAJUR, a coletânea também contempla perspectivas relacionadas aos povos tradicionais, comunidades quilombolas e populações ribeirinhas.

Para Maria Glaucia Soares, fundadora e coordenadora-geral do movimento, a publicação pretende aproximar essas experiências do debate público e preservar diferentes percepções sobre a Amazônia.

A programação desta terça-feira também inclui a entrega da Medalha MOVLITERAJUR ao jornalista Phelippe Daou, um dos fundadores do Grupo Rede Amazônica, em homenagem póstuma, e à empresária amazonense e parlamentar na Suíça Neide Zimmermann. Durante a solenidade, Neide também deverá assumir a coordenação internacional do movimento.

Programação

A agenda começa às 15h30, no Teatro Amazonas, com apresentação da Orquestra Filarmônica do Amazonas e espetáculo de balé.

Às 18h30, a programação segue para o Salão Rio Solimões, no Palácio Rio Negro, onde serão realizadas a solenidade de outorga da Medalha MOVLITERAJUR e o lançamento do livro “A Comunicação como Instrumento de Transformações Sociais: Vozes Amazônicas”.

A publicação chega ao público em um momento em que a discussão sobre quem produz e quem transmite as narrativas sobre a Amazônia ganha espaço. Ao reunir diferentes áreas e experiências, a obra coloca a comunicação no centro dessa discussão e propõe que os próprios sujeitos dos territórios amazônicos tenham participação na construção das histórias que chegam ao debate público.

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