O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo nas redes sociais na noite desta quinta-feira (24) para negar que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A manifestação ocorreu após a circulação de publicações que associavam o candidato a uma suposta proposta nesse sentido. Não há registro de declaração de Flávio defendendo a medida nem de projeto apresentado por ele com esse objetivo.
No vídeo, Flávio classificou a informação como falsa e afirmou que “não existe esse projeto”. A campanha do candidato também informou que avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e identificar os perfis responsáveis pela disseminação do conteúdo.
A discussão ganhou força ao longo da quinta-feira e chegou à programação da GloboNews. Durante o programa Em Pauta, a comentarista Maria Cristina Fernandes mencionou a existência de uma suposta mobilização de grupos evangélicos para alterar o título concedido a Nossa Senhora Aparecida. Horas depois, o canal corrigiu a informação e pediu desculpas pelo erro.
Declaração religiosa de Flávio entrou no debate
A repercussão também retomou uma declaração feita por Flávio Bolsonaro em agosto, quando justificou sua ausência do primeiro debate presidencial promovido pela Band. Na ocasião, o candidato afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
A fala passou a ser citada nas redes sociais nas discussões sobre a relação entre religião e campanha eleitoral. Apesar disso, até o momento não há evidência de que Flávio tenha defendido retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira nacional.
Bispos defendem voto consciente e soberania
A polêmica ocorreu na mesma semana em que bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne Amazonas e Roraima, divulgaram um vídeo com orientações aos eleitores. Na mensagem, os religiosos defenderam participação nas eleições, voto consciente, democracia e soberania nacional.
O presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, também afirmou nesta semana que a Igreja Católica não manifesta preferência partidária ou apoio oficial a candidatos. Questionado sobre a relação entre política e religião, ele defendeu cautela com a mistura entre os dois campos.
A movimentação ocorre na reta final do primeiro turno, quando temas religiosos passaram a ocupar espaço crescente no discurso e nas estratégias das campanhas presidenciais. Flávio tem reforçado referências à fé em suas agendas, enquanto diferentes lideranças católicas têm divulgado manifestações sobre democracia, soberania e participação política.
*Matéria elaborada com informações do UOL
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