As declarações do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o Corinthians e a participação das casas de apostas no financiamento do futebol ganharam repercussão entre torcedores em meio à reta final da campanha eleitoral. No fim de semana, Ronaldo Pinto, ex-presidente da Gaviões da Fiel, publicou nas redes sociais uma lista de candidatos que apoia nas eleições de 2026, entre eles Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República.
Na publicação, Ronaldo se identificou como corintiano, afirmou ter 37 anos de participação na Gaviões da Fiel e declarou ser de direita. Além de Flávio Bolsonaro, citou Tarcísio de Freitas para o Governo de São Paulo e outros candidatos aos cargos proporcionais. O comentário compartilhado nas redes soma milhares de interações.
Apesar da declaração, o ex-presidente fez questão de diferenciar sua escolha individual do posicionamento institucional da torcida organizada. Segundo Ronaldo, a Gaviões é apartidária e seus integrantes são livres para apoiar candidatos de diferentes correntes políticas. “Podemos ter opiniões políticas diferentes e continuar sendo irmãos de arquibancada”, escreveu.
Atual presidente já havia apoiado candidato do PL
A manifestação ocorre semanas depois de outra discussão política dentro da organizada. O atual presidente da Gaviões, Alexandre Domênico, declarou apoio a Thiago Surfista (PL), candidato a deputado federal por São Paulo. A manifestação provocou críticas de integrantes da torcida, inclusive do fundador Chico Malfitani.
Nesse caso, porém, Domênico afirmou que a escolha passou pelo Conselho Deliberativo e não significava adesão da Gaviões ao PL. De acordo com o dirigente, o apoio a Thiago Surfista estava relacionado às pautas das torcidas organizadas, como preço dos ingressos, torcida única e representação do segmento no Congresso Nacional. A candidatura de Thiago pelo PL está registrada na Justiça Eleitoral.
A Gaviões, fundada em 1969, define como seu principal objetivo apoiar e fiscalizar o Corinthians. Alexandre Domênico ocupa atualmente a presidência da entidade no mandato 2024–2027.
As manifestações recentes mostram divergências políticas entre integrantes da organizada, mas não permitem concluir que a Gaviões tenha adotado institucionalmente apoio a Flávio Bolsonaro ou ao PL. O próprio Ronaldo ressaltou o caráter apartidário da entidade em sua publicação.
Lula critica financiamento do futebol pelas bets
A discussão acontece no momento em que Lula intensificou as críticas às casas de apostas e aos clubes que recebem patrocínios do setor. Em comício no Recife, na sexta-feira (25), o presidente citou diretamente Flamengo e Corinthians e afirmou que os times terão de buscar novas fontes de financiamento diante da decisão do governo de proibir a operação das bets no país.
“Os clubes de futebol não têm o direito de querer sobreviver às custas do povo pobre que torce para o time”, afirmou Lula. No mesmo discurso, ele citou valores de patrocínio atribuídos aos dois clubes e declarou que as equipes teriam de encontrar “outra forma” de obter receita.
A posição do governo provocou reação de dirigentes. Antes da decisão, clubes das Séries A e B haviam divulgado manifesto defendendo a manutenção do mercado regulamentado. No documento, as equipes reconheceram problemas sociais relacionados às apostas, mas argumentaram que fiscalização, proteção aos apostadores e combate às plataformas clandestinas seriam alternativas à proibição.
Corinthians também foi citado por salário de Memphis
Um dia antes do discurso no Recife, durante ato de campanha em Maceió, Lula já havia mencionado o Corinthians ao criticar os custos do futebol. Sem citar Memphis Depay nominalmente, o presidente fez referência ao atacante holandês e questionou os valores previstos no antigo contrato do jogador.
Lula afirmou que o atleta chegava a receber cerca de R$ 6 milhões mensais e mencionou um auxílio-moradia de R$ 250 mil. O antigo acordo de Memphis previa o benefício para hospedagem, mas a cláusula foi retirada na renovação acertada em agosto. O novo vínculo, válido até julho de 2028, também reduziu outros valores previstos no contrato anterior.
As falas de Lula e as manifestações políticas de dirigentes e ex-dirigentes da Gaviões ocorrem simultaneamente, mas não há evidência disponível de que a declaração de Ronaldo Pinto em apoio a Flávio Bolsonaro tenha sido motivada diretamente pelas críticas do presidente ao Corinthians ou pela proibição das bets. O posicionamento do ex-presidente da organizada apresenta suas escolhas eleitorais como pessoais e ressalta a liberdade política dos integrantes da torcida.
*Com informações do Lance!
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