O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia não participar do debate presidencial da TV Globo, marcado para quinta-feira, três dias antes do primeiro turno. Segundo aliados, um dos principais motivos para a resistência é o receio de que o petista se torne o principal alvo dos demais candidatos durante o confronto.
A participação de Lula foi discutida nesta segunda-feira (29) por integrantes do núcleo mais próximo da campanha, antes de o presidente viajar para Belém (PA). Estiveram na reunião o presidente do PT, Edinho Silva, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, o marqueteiro da campanha, Raul Rabelo, e Paulo Okamoto, um dos principais conselheiros do presidente.
Apesar de ainda não haver uma decisão definitiva, pessoas próximas ao candidato afirmam que a tendência é pela ausência. A agenda de campanha de Lula para quinta-feira também permanece em aberto.
Dentro da campanha petista, há divergências sobre a participação no debate. O grupo favorável à presença considera o encontro uma oportunidade para Lula confrontar diretamente Flávio Bolsonaro (PL) em rede nacional, poucos dias antes da votação. A avaliação desse grupo é de que o debate também poderia permitir ao petista questionar o adversário e disputar o voto dos eleitores ainda indecisos.
Já os defensores da ausência criticam o formato previsto para o confronto. A preocupação é que, mesmo com a possibilidade de um embate entre Lula e Flávio, a participação dos demais candidatos reduza o tempo destinado a uma discussão direta entre os dois.
Edinho Silva, que também coordena a campanha de Lula, afirmou nesta segunda-feira que o presidente não deverá participar caso o formato não permita um confronto mais direto com Flávio Bolsonaro.
Segundo Edinho, Lula pretende discutir suas propostas e comparar o projeto que defende para o país com as ideias apresentadas pelo candidato do PL. O dirigente argumentou que, se o modelo do debate fizer com que Lula tenha de fazer uma pergunta e aguardar a participação de todos os demais candidatos antes de voltar ao confronto, a campanha considera mais provável que o presidente não compareça.
A legislação eleitoral determina que emissoras de rádio e televisão convidem candidatos de partidos, federações ou coligações que tenham, no mínimo, cinco parlamentares no Congresso Nacional.
Enquanto a campanha de Lula avalia a ausência, Flávio Bolsonaro mudou de posição e decidiu participar do debate da TV Globo mesmo sem a presença do petista. Inicialmente, o candidato do PL condicionava sua participação à presença de Lula e sua campanha considerava que haveria pouco benefício em comparecer caso o presidente não estivesse no confronto.
A mudança ocorreu em meio ao acirramento da disputa presidencial e após um episódio envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, que passou a ser explorado politicamente nas redes sociais. O caso ganhou repercussão durante discussões sobre um projeto de lei arquivado há quase duas décadas que previa a retirada do título de padroeira do Brasil.
No domingo, Flávio confirmou que estará no debate independentemente da decisão de Lula. Em declaração, o candidato voltou a convocar o presidente para participar do encontro e afirmou que pretende confrontá-lo durante o programa.


