Cleusimar Cardoso de Jesus, mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, foi recebida por amigos e pessoas próximas nesta terça-feira (29), em um salão no bairro Parque 10, na zona Centro-Sul de Manaus, após deixar o regime fechado. A Justiça do Amazonas autorizou a progressão para o regime semiaberto, com monitoramento eletrônico e uma série de medidas que deverão ser cumpridas pela ré.
A recepção foi marcada por música, mensagens de apoio e toadas dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso. Cartazes foram espalhados pelo espaço com frases como “o amor liberta”, além de mensagens desejando paz e luz para a nova fase de Cleusimar. O encontro teria sido organizado inicialmente de forma reservada por amigos e familiares, mas informações sobre a recepção acabaram circulando em grupos de WhatsApp.

A mudança do regime prisional foi autorizada pela Justiça do Amazonas e passou a valer nesta segunda-feira (28). A decisão é da juíza Sabrina Cumba Ferreira, da 2ª Vara de Execução Penal de Manaus.
Com a progressão, Cleusimar deverá utilizar tornozeleira eletrônica e cumprir regras específicas de circulação e permanência em casa. De segunda a sexta-feira, o recolhimento domiciliar deverá ocorrer das 22h às 6h. Durante esse período, ela poderá deixar a residência apenas para trabalhar, estudar ou realizar tratamento de saúde previamente informado à Central de Monitoramento.
Nos fins de semana, feriados e dias de folga, a determinação prevê permanência integral no endereço cadastrado. Cleusimar também não poderá mudar de residência ou deixar Manaus sem autorização judicial e deverá atender às convocações das autoridades.
Entre as demais restrições determinadas pela Justiça estão a proibição do uso de armas, bebidas alcoólicas e drogas, além da obrigação de não cometer novos crimes.
Abatimento de dias da pena
Cleusimar foi condenada em julho deste ano a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes relacionados ao tráfico de cetamina em Manaus. Na sentença, ela foi apontada como uma das principais responsáveis pela articulação e liderança do grupo investigado no caso.
A Justiça também reconheceu 12 dias de abatimento da pena em razão de atividades realizadas durante o período de prisão. Foram quatro dias pela leitura de um livro, sete dias referentes a 21 dias de trabalho e um dia pela participação no Projeto Remicine. As atividades foram realizadas em agosto de 2026.
A decisão que autorizou a progressão também considerou o bom comportamento de Cleusimar durante o período de encarceramento. Segundo a Justiça, ela preenchia os requisitos necessários para a mudança do regime.
Condenação relacionada à Operação Mandrágora
A condenação de Cleusimar ocorreu em 22 de julho de 2026, em uma nova sentença relacionada ao processo investigado pela Operação Mandrágora. Na mesma decisão, também foram condenados Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja, José Máximo Silva de Oliveira, Hatus Moraes Silveira, Verônica da Costa Seixas, Sávio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima.
As penas aplicadas aos sete condenados variaram entre oito anos e seis meses e 10 anos e 11 meses de prisão.
Segundo a sentença, o grupo utilizava a rede de salões de beleza Belle Femme e a organização religiosa denominada “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e administrar cetamina. A substância é utilizada como anestésico e, conforme apontado pela investigação, teria sido obtida de maneira ilegal e utilizada em rituais realizados pelo grupo.
Outros três réus, Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas, foram absolvidos por falta de provas suficientes.
A decisão de julho foi uma nova sentença relacionada ao processo. A condenação anterior havia sido anulada pela Justiça cerca de dez meses antes. Após a regularização das provas periciais, o Judiciário entendeu que havia elementos suficientes para analisar novamente os crimes e a responsabilidade dos envolvidos.
Morte de Djidja Cardoso
Djidja Cardoso foi encontrada morta em 28 de maio de 2024, em Manaus. Ela ficou conhecida nacionalmente no Amazonas por interpretar a sinhazinha do Boi Garantido e participou do Festival de Parintins durante cinco anos.
Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou frascos de cetamina enterrados no quintal da residência de Djidja. Também foram apreendidas caixas da substância, seringas, frascos, bulas e cartelas de medicamentos.
Um laudo preliminar citado na investigação apontou que Djidja morreu após sofrer um edema cerebral, que comprometeu o funcionamento do coração e da respiração. O documento não determinou a causa do edema. A principal linha investigativa considerada pela polícia foi a possibilidade de uma overdose de cetamina.


