HomeCulturaMorre Sérgio Cardoso, artista plástico e dramaturgo amazonense, aos 72 anos

Morre Sérgio Cardoso, artista plástico e dramaturgo amazonense, aos 72 anos

Artista morreu na madrugada deste sábado (3) e deixa trajetória de mais de cinco décadas dedicada às artes e à gestão cultural no Amazonas

O artista plástico, dramaturgo, escritor e cineasta amazonense Sérgio Vieira Cardoso morreu na madrugada deste sábado (3), aos 72 anos. O velório será restrito para familiares.

Nascido em Manaus em 10 de março de 1954, Sérgio Cardoso construiu uma trajetória que ultrapassou as artes plásticas e alcançou a fotografia, o cinema, a dramaturgia, a literatura e a gestão cultural. Integrante da Academia Amazonense de Letras (AAL), ocupava a cadeira nº 2 da instituição, que tem Euclides da Cunha como patrono.

Autodidata, começou a pintar na década de 1970. Ao longo da carreira, desenvolveu uma produção fortemente ligada a Manaus e à Amazônia, abordando questões sociais, a paisagem regional, a memória e as transformações urbanas e ambientais. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) o descreve como artista de atuação em diferentes linguagens, entre elas pintura, fotografia, cinema e literatura.

A relação com a capital amazonense tornou-se uma das marcas de sua produção. Em diferentes momentos, Sérgio transformou paisagens, personagens, cotidiano e mudanças de Manaus em matéria-prima para trabalhos artísticos. Sua produção transitou entre o abstrato e o figurativo, com presença do expressionismo e da denúncia social.

Bacharel em Direito, Sérgio também investiu na formação voltada à administração cultural. Ao longo da vida profissional, exerceu diferentes funções públicas ligadas ao setor cultural amazonense, incluindo a Superintendência da Televisão Educativa do Amazonas, a Superintendência Cultural do Estado e cargos de direção em equipamentos culturais.

Mais de cinco décadas dedicadas à arte

Sérgio Cardoso participou de exposições individuais e coletivas e integrou uma geração de artistas que ajudou a movimentar a produção cultural amazonense a partir das décadas de 1970 e 1980.

Em 2017, foi eleito para a Academia Amazonense de Letras, assumindo a cadeira anteriormente ocupada pelo artista Moacir Andrade. No mesmo ano, recebeu do Museu Amazônico o Prêmio Amigo do Museu Amazônico.

Também teve atuação significativa no audiovisual. Como cineasta, produziu documentários sobre artistas e personalidades do Amazonas, entre eles Óscar Ramos, Roberto Evangelista, Joaquim Marinho, Jair Jacqmont e Hahnemann Bacelar. Ao explicar esse trabalho, Sérgio afirmava que buscava contribuir para a preservação da memória cultural de Manaus.

A produção artística permaneceu ativa até os últimos anos de vida. Em setembro de 2025, uma exposição no ICBEU Manaus marcou seus 51 anos de trajetória artística. No mês seguinte, o Museu Amazônico abriu a mostra “Carthas do Rhio Neghro e outras coleções de pinturas e photoplasthyas amazonenses”, reunindo trabalhos produzidos ao longo de mais de cinco décadas.

Com a morte de Sérgio Cardoso, a cultura amazonense perde um artista de atuação múltipla, cuja trajetória esteve ligada tanto à produção artística quanto à administração e à preservação da memória cultural do estado.

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