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Após sete mandatos, Silas Câmara não consegue reeleição no Amazonas

Deputado federal recebeu 93,5 mil votos e terminou como o sétimo candidato mais votado do estado, mas ficou sem uma das oito cadeiras; resultado encerra sequência de sete mandatos consecutivos

O deputado federal Silas Câmara (Republicanos) não conseguiu se reeleger nas eleições de 2026 e deixará a Câmara dos Deputados após 28 anos consecutivos representando o Amazonas no Congresso Nacional.

Com a apuração concluída, Silas recebeu 93.592 votos, equivalentes a aproximadamente 4,4% dos votos válidos para deputado federal no estado. Mesmo com a votação expressiva, o parlamentar ficou fora das oito cadeiras destinadas ao Amazonas.

Silas terminou a disputa como o sétimo candidato mais votado para deputado federal. No entanto, o desempenho individual não garantiu a reeleição devido às regras do sistema proporcional.

O Republicanos conquistou apenas uma vaga na bancada amazonense. A cadeira ficou com Amom Mandel, que recebeu 119.480 votos e garantiu novo mandato na Câmara.

Com isso, Silas ficou na suplência do partido.

Sete mandatos consecutivos

Silas Câmara chegou à Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 1999, após ser eleito pela primeira vez em 1998.

Desde então, conquistou sete mandatos consecutivos: 1999-2003, 2003-2007, 2007-2011, 2011-2015, 2015-2019, 2019-2023 e 2023-2027.

Portanto, quando o atual mandato terminar, em janeiro de 2027, o parlamentar terá completado 28 anos consecutivos na Câmara Federal.

Ao longo desse período, Silas passou por diferentes partidos. Já integrou PL, PTB, PSC, PSD e PRB, atual Republicanos.

A derrota em 2026 interrompe, assim, uma das trajetórias mais longevas da bancada federal amazonense em Brasília.

Silas perdeu mais de 31 mil votos em relação a 2022

O desempenho eleitoral de Silas Câmara também apresentou queda em comparação com a eleição anterior.

Em 2022, ele conquistou 125.068 votos e terminou como o quarto candidato mais votado para deputado federal no Amazonas. Naquele pleito, garantiu mais quatro anos de mandato.

Em 2026, entretanto, recebeu 93.592 votos.

A diferença representa 31.476 votos a menos em relação à eleição anterior, uma redução de cerca de 25% na votação nominal do parlamentar.

Apesar da queda, Silas ainda conseguiu superar em número de votos candidatos que conquistaram vagas pelo sistema proporcional.

Republicanos elege apenas Amom Mandel

Um dos fatores decisivos para o resultado foi o desempenho do Republicanos na disputa proporcional.

O partido conseguiu eleger apenas Amom Mandel, que terminou com 119.480 votos. Silas veio logo depois entre os nomes da legenda, mas não encontrou espaço na distribuição das oito cadeiras do Amazonas.

A situação ocorre porque as eleições para deputado federal não funcionam apenas pela ordem dos candidatos mais votados.

Primeiro, a Justiça Eleitoral calcula quantas vagas cada partido ou federação poderá ocupar com base no número total de votos recebidos. Depois, as cadeiras são preenchidas pelos candidatos de melhor desempenho dentro dessas legendas, considerando ainda as regras para quociente eleitoral e distribuição das sobras.

Por isso, ter mais votos individualmente que determinados candidatos eleitos não significa necessariamente conquistar uma cadeira.

Um dos mais votados ficou de fora

O resultado de Silas chama atenção justamente pela posição alcançada na votação nominal.

O parlamentar terminou atrás de Sargento Salazar (PL), Sidney Leite (PSD), Adail Filho (MDB), Fausto Jr. (União Brasil), Amom Mandel (Republicanos) e Átila Lins (PSD).

Silas aparece em seguida, com os 93.592 votos.

Mesmo ocupando a sétima posição geral em um estado que possui oito vagas na Câmara, ele não foi eleito.

Na sequência aparece Saullo Vianna (MDB), que recebeu 91.726 votos e garantiu uma cadeira. Joana Darc (União Brasil), com 85.461 votos, também foi eleita.

O cenário demonstra diretamente o impacto do sistema proporcional na formação das bancadas.

Trajetória política

Natural de Rio Branco, no Acre, Silas Câmara nasceu em 15 de dezembro de 1962. Empresário, construiu sua trajetória política no Amazonas e consolidou seu principal reduto eleitoral no estado.

Durante quase três décadas no Congresso, Silas também ganhou projeção pela atuação ligada ao segmento evangélico.

Na Câmara dos Deputados, participou de diferentes comissões e ocupou funções de liderança ao longo dos sete mandatos.

Entre as áreas de atuação mais recentes está a Comissão de Comunicação da Câmara, espaço no qual participou de debates envolvendo redes sociais, plataformas digitais, inteligência artificial e comunicação.

Resultado encerra ciclo iniciado em 1999

A derrota de Silas Câmara ocorre em uma eleição que modificou nomes tradicionais da representação amazonense em Brasília.

Além dele, Átila Lins (PSD), deputado federal desde 1991, também não conseguiu renovar o mandato em 2026.

Os dois parlamentares acumulam décadas consecutivas na Câmara e deixarão suas cadeiras ao fim da atual legislatura.

No caso de Silas, o resultado interrompe uma sequência iniciada ainda no fim da década de 1990. Desde que assumiu seu primeiro mandato, em fevereiro de 1999, ele passou por sete legislaturas sem ficar fora da Câmara.

Agora, apesar de terminar entre os candidatos mais votados do Amazonas e alcançar mais de 93 mil votos, Silas Câmara encerrará o atual mandato em janeiro de 2027 sem uma cadeira garantida na próxima legislatura.

A partir de fevereiro de 2027, portanto, chega ao fim um ciclo de 28 anos consecutivos de Silas Câmara na Câmara dos Deputados, uma das trajetórias mais duradouras da política amazonense no Congresso Nacional.

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