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Costa entre Bahia e Espírito Santo tem maior concentração de microplásticos do Brasil, aponta estudo

Pesquisa identificou média de 16,87 partículas por litro de água na costa leste brasileira, índice superior à soma das outras quatro macrorregiões analisadas

A costa leste brasileira, entre a Baía de Todos os Santos, em Salvador (BA), e a foz do rio Piraquê-Açu, em Aracruz (ES), apresenta a maior concentração de microplásticos nas águas costeiras do país.

Um estudo publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin identificou uma média de 16,87 partículas de microplástico por litro de água na região. O índice supera, inclusive, a soma das concentrações médias encontradas nas outras quatro macrorregiões costeiras brasileiras.

A pesquisa integra o projeto MicroMar, liderado pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Mais de 4 mil amostras analisadas

O levantamento é considerado um dos mais abrangentes já realizados sobre a presença de microplásticos em águas costeiras no Sul Global.

Ao todo, os pesquisadores coletaram 4.134 amostras de água superficial em 1.024 praias, distribuídas por 213 municípios dos 17 estados brasileiros banhados pelo oceano Atlântico.

As coletas ocorreram entre abril de 2023 e abril de 2024, durante expedições que percorreram aproximadamente 7,5 mil quilômetros do litoral brasileiro.

Para a análise, a costa foi dividida em cinco macrorregiões: Amazônia Equatorial, Nordeste, Leste, Sudeste e Sul.

Costa leste lidera concentração

Os resultados mostraram grande diferença entre as regiões brasileiras. A costa leste apresentou uma média de 16,87 partículas por litro, mais que o dobro da registrada no Nordeste.

Veja as concentrações médias encontradas:

  • Costa Leste: 16,87 partículas por litro;
  • Nordeste: 6,95 partículas por litro;
  • Sudeste: 5,25 partículas por litro;
  • Sul: 3,36 partículas por litro;
  • Amazônia Equatorial: 1,29 partícula por litro.

Somadas, as outras quatro regiões chegam a aproximadamente 16,85 partículas por litro, número ligeiramente inferior ao registrado apenas na costa leste.

A Amazônia Equatorial, por outro lado, apresentou a menor concentração média entre todas as áreas avaliadas.

Esgoto e rodovias podem influenciar concentração

Segundo os pesquisadores, a distribuição dos microplásticos não ocorre de maneira uniforme e está relacionada tanto às características ambientais quanto à atividade humana.

Na costa leste, a elevada concentração foi associada, entre outros fatores, à proximidade de pontos de lançamento de esgoto e rodovias, além de características da própria água, como salinidade e pH.

A pesquisa também aponta que dinâmica das correntes marítimas, velocidade da água e características da plataforma continental podem contribuir para acumular ou dispersar essas partículas.

Na região Amazônica Equatorial, por exemplo, a maior velocidade das águas pode favorecer a dispersão dos microplásticos e ajudar a explicar as concentrações menores encontradas na superfície.

O que são microplásticos?

Os microplásticos são pequenos fragmentos de material plástico, geralmente com menos de cinco milímetros. Eles podem surgir diretamente em tamanho reduzido ou resultar da fragmentação de embalagens, sacolas, garrafas, tecidos, equipamentos e outros produtos descartados no ambiente.

O Instituto Federal Goiano explica que esses resíduos podem chegar ao mar por diferentes caminhos, inclusive através dos rios e de sistemas inadequados de coleta e tratamento de resíduos.

Por isso, a contaminação dos oceanos não está necessariamente ligada apenas ao descarte feito nas próprias regiões costeiras.

Impactos preocupam pesquisadores

A presença dessas partículas no ambiente marinho preocupa pesquisadores por causa dos possíveis impactos sobre os ecossistemas.

Organismos aquáticos podem confundir os fragmentos com alimentos, fazendo com que o material seja incorporado à cadeia alimentar.

Estudos experimentais também associam a exposição aos microplásticos a alterações no desenvolvimento, comportamento, imunidade e funcionamento biológico de diferentes organismos.

No caso da saúde humana, os possíveis efeitos da exposição contínua ainda são investigados pela comunidade científica, e os pesquisadores ressaltam a necessidade de ampliar estudos e sistemas de monitoramento.

Projeto MicroMar

O MicroMar reúne pesquisadores de mais de 20 instituições brasileiras e estrangeiras e foi criado com o objetivo de produzir um diagnóstico nacional sobre a contaminação por microplásticos no litoral.

O projeto recebeu cerca de R$ 1 milhão do CNPq para custear expedições, equipamentos e análises científicas.

Com os resultados, os pesquisadores defendem a criação de sistemas permanentes de acompanhamento da presença de microplásticos no litoral brasileiro e a adoção de medidas para reduzir a entrada de resíduos plásticos nos ambientes marinhos.

 

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