Um incêndio de grandes proporções atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite de quarta-feira (7), e comprometeu até duas décadas de pesquisas científicas. A destruição de laboratórios, equipamentos e materiais de estudo provocou comoção entre estudantes, professores e pesquisadores, que lamentaram a perda de trabalhos desenvolvidos ao longo de anos.
O fogo atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), localizado na Cidade Universitária, na zona Oeste do Recife. Segundo o reitor da instituição, Alfredo Gomes, os prejuízos materiais são estimados em aproximadamente R$ 100 milhões. Não houve registro de feridos.
Além das perdas financeiras, a universidade enfrenta um impacto científico considerado irreparável. O edifício abrigava laboratórios dedicados ao desenvolvimento de medicamentos, genética, informática e pesquisas relacionadas a diferentes doenças.
Pesquisadores perderam anos de trabalho
O incêndio comprometeu estudos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Entre os materiais atingidos estavam amostras biológicas, resultados experimentais, equipamentos laboratoriais e dados acumulados durante anos.
Segundo Alfredo Gomes, aproximadamente 80 dissertações e teses de doutorado estavam vinculadas aos laboratórios instalados no edifício.
“É uma perda irreparável, porque dados de 20 anos de pesquisa eram também guardados nos espaços”, lamentou o reitor, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (8).
A destruição representa um golpe para estudantes e pesquisadores que dependiam desses materiais para dar continuidade aos trabalhos acadêmicos. Parte das informações e amostras não poderá ser recuperada, mesmo com a eventual reposição dos equipamentos.
Pesquisas sobre câncer e medicamentos foram afetadas
O prédio atingido reunia laboratórios especializados em diferentes áreas científicas, incluindo estudos sobre câncer, obesidade, Covid-19, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e autismo.
Entre as instalações estava o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica Suely Galdino (Nupit-SG), dedicado à investigação de novos medicamentos, compostos químicos e tratamentos.
O espaço contava com equipamentos de alta tecnologia para análises celulares, biologia molecular e desenvolvimento de substâncias com potencial terapêutico.
De acordo com a universidade, entre 80 e 100 estudantes de diferentes níveis de formação desenvolviam atividades nos laboratórios afetados.
O reitor explicou que parte dos materiais já havia sido transferida para outra instalação, mas equipamentos essenciais e amostras científicas permaneceram no prédio destruído.
Prejuízo pode chegar a R$ 100 milhões
O valor inicialmente estimado pela reitoria considera equipamentos, insumos e materiais científicos armazenados nos laboratórios.
A estrutura atingida possui dois pavimentos e aproximadamente 2,1 mil metros quadrados. O andar superior foi destruído, enquanto os danos às instalações do térreo ainda serão avaliados.
No piso inferior funcionavam dois laboratórios de biossegurança nível 3, utilizados em pesquisas que exigem medidas especiais de contenção de agentes infecciosos.
Apesar da estimativa inicial, a UFPE ainda realizará um levantamento detalhado para determinar a extensão dos danos.
A instituição também deverá avaliar alternativas para retomar as pesquisas e oferecer suporte aos estudantes e profissionais afetados.
Polícia Federal vai investigar causas do incêndio
A Polícia Federal foi acionada para investigar a origem do incêndio. Até a manhã desta quinta-feira (8), não havia confirmação sobre o que provocou as chamas.
O Corpo de Bombeiros mobilizou equipes para combater o fogo, que foi controlado após horas de trabalho.
O reitor Alfredo Gomes afirmou que o edifício era antigo, mas recebia manutenção e revisões regulares. Segundo ele, a universidade não tinha registros anteriores de problemas que indicassem risco semelhante naquela instalação.
Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em pouco mais de uma semana. Ocorrências anteriores foram identificadas em 30 de setembro, no Departamento de Física, e em 4 de outubro, em um laboratório do Centro de Biociências.
As autoridades ainda não estabeleceram qualquer relação entre os episódios.
Ministério da Educação acompanha situação
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, manifestou solidariedade à comunidade acadêmica e informou que o governo federal acompanha as investigações.
A UFPE também lamentou os prejuízos e declarou solidariedade aos professores, pesquisadores e estudantes que trabalhavam no edifício.
Enquanto a perícia busca esclarecer as causas do incêndio, a comunidade acadêmica enfrenta o desafio de reconstruir laboratórios e reorganizar projetos interrompidos.
Para os pesquisadores afetados, o maior prejuízo ultrapassa os R$ 100 milhões estimados. São anos de dedicação científica, dados experimentais e possibilidades de avanços na medicina e em outras áreas do conhecimento que podem ter sido perdidos definitivamente.


