A Polícia Federal afirmou que recusou a proposta de colaboração premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro por considerar que os relatos não estavam acompanhados de elementos mínimos capazes de dar credibilidade às acusações. A avaliação, segundo integrantes da corporação ouvidos pela CNN, foi semelhante à adotada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que também não avançou com o acordo.
A posição da PF ganhou destaque após reportagem da revista Veja revelar que Vorcaro teria relatado uma suposta negociação envolvendo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e pagamentos relacionados ao acesso a fundos de pensão de servidores federais. Entre as alegações, estaria um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula, recurso que, segundo o relato atribuído a Vorcaro, teria relação com o financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com a reportagem, essas informações teriam sido incluídas em um anexo apresentado à PGR durante as negociações de uma colaboração premiada. A defesa de Vorcaro teria sustentado possuir mensagens, registros de pessoas responsáveis por retiradas em dinheiro e informações sobre locais utilizados para as supostas entregas. Ainda assim, a PF avaliou que o material apresentado não era suficiente para conferir consistência às acusações.
Vorcaro já teve duas tentativas de delação rejeitadas. Em junho, a Polícia Federal já havia recusado uma segunda proposta e sustentado que os relatos apresentados não traziam elementos novos ou comprovação suficiente. À época, a PGR também rejeitou o acordo.
Outro ponto colocado em dúvida diz respeito a um áudio atribuído ao ex-banqueiro e citado pela reportagem. Uma fonte da PGR informou à CNN que a gravação não teria sido entregue à equipe responsável pelas tratativas da colaboração. Segundo essa fonte, há questionamentos sobre quando o áudio teria sido produzido e sobre diferenças entre o conteúdo da gravação e a forma como as informações haviam sido apresentadas durante as negociações.
Ainda segundo a reportagem, Vorcaro teria afirmado que a aproximação com integrantes do PT ocorreu por intermédio de Augusto Lima, então executivo do Banco Master, e que Jaques Wagner teria participado da articulação de um encontro com Vaccari. As alegações também mencionam outros integrantes ou ex-integrantes do governo, mas os relatos permanecem sem comprovação independente e fizeram parte de uma proposta de delação que não foi aceita.
Lula negou as acusações. À Veja, afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira” e que não autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome. Alexandre Padilha também negou relação com o ex-banqueiro.
Assim, até o momento, as afirmações atribuídas a Vorcaro permanecem no campo das alegações. Tanto a Polícia Federal quanto a PGR avaliaram que o material apresentado nas negociações não oferecia suporte suficiente para a celebração de um acordo de colaboração premiada.
*Com informações da CNN
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