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Fumaça das queimadas: saiba quais são os riscos à saúde e como se proteger em Manaus

Com a piora da qualidade do ar na capital amazonense, especialistas alertam para problemas respiratórios e cardiovasculares; crianças, idosos e gestantes estão entre os mais vulneráveis.

A fumaça provocada pelas queimadas que atingem o Amazonas tem comprometido a qualidade do ar em Manaus e aumentado a preocupação com os impactos à saúde da população. Além da irritação nos olhos e das dificuldades respiratórias, a exposição aos poluentes pode agravar doenças preexistentes e provocar complicações cardiovasculares. Diante desse cenário, especialistas e autoridades de saúde recomendam medidas preventivas para reduzir os riscos.

No dia 9 de outubro, a capital amazonense registrou níveis graves de poluição atmosférica, com concentração de 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (MP2,5), segundo dados divulgados pela Defesa Civil de Manaus. O índice é considerado péssimo e representa riscos à saúde, especialmente para os grupos mais vulneráveis.

Uma nota técnica divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no dia 11 de outubro, também alertou para o agravamento da qualidade do ar no Amazonas em decorrência das queimadas e dos incêndios florestais, destacando concentrações de partículas finas muito superiores aos valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Quais são os riscos da fumaça para a saúde?

A fumaça das queimadas contém gases e partículas microscópicas que podem penetrar profundamente no sistema respiratório. Entre elas está o material particulado fino, conhecido como MP2,5, formado por partículas com diâmetro inferior ou igual a 2,5 micrômetros.

Por serem extremamente pequenas, essas partículas conseguem alcançar regiões profundas dos pulmões e desencadear processos inflamatórios, afetando tanto o sistema respiratório quanto o cardiovascular.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), os principais sintomas associados à exposição à fumaça incluem tosse, irritação na garganta, ardência e vermelhidão nos olhos, dor de cabeça, dificuldade para respirar e agravamento de doenças como asma e bronquite.

A exposição também pode agravar problemas cardiovasculares e aumentar os riscos de complicações graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em pessoas com doenças preexistentes.

Quem corre mais riscos?

Embora a fumaça possa prejudicar a saúde de qualquer pessoa, alguns grupos estão mais suscetíveis aos efeitos da poluição.

Segundo o Ministério da Saúde, crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias, cardíacas ou imunológicas precisam redobrar os cuidados.

As crianças são especialmente vulneráveis porque seus sistemas respiratórios ainda estão em desenvolvimento. Já os idosos e pacientes com doenças crônicas podem apresentar maior dificuldade para lidar com os efeitos inflamatórios provocados pelos poluentes.

Pessoas diagnosticadas com asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e problemas cardíacos devem manter o acompanhamento médico e os medicamentos prescritos disponíveis.

Como se proteger da fumaça das queimadas?

O Ministério da Saúde orienta a adoção de medidas simples para reduzir a exposição aos poluentes durante os períodos de maior concentração de fumaça.

Entre as principais recomendações estão:

  • Evitar atividades ao ar livre: caminhadas, corridas, exercícios físicos e outras atividades que exigem esforço devem ser reduzidos ou suspensos quando a qualidade do ar estiver comprometida.
  • Manter a hidratação: beber água regularmente ajuda a manter as mucosas das vias respiratórias hidratadas.
  • Fechar portas e janelas: durante os períodos de maior concentração de fumaça, a medida ajuda a diminuir a entrada de partículas nos ambientes internos.
  • Utilizar máscaras adequadas: modelos PFF2, N95 ou P100, quando bem ajustados ao rosto, ajudam a reduzir a inalação de partículas finas.
  • Priorizar ambientes protegidos: sempre que possível, permanecer em locais fechados, com temperatura confortável e sistemas adequados de filtragem do ar.
  • Acompanhar os alertas oficiais: consultar informações sobre a qualidade do ar e seguir as recomendações da Defesa Civil e das autoridades sanitárias.

O Ministério da Saúde ressalta que máscaras de pano e modelos cirúrgicos não oferecem o mesmo nível de proteção contra partículas finas que os respiradores PFF2 ou N95. Além disso, esses equipamentos não eliminam todos os riscos, especialmente aqueles associados aos gases presentes na fumaça.

Quando procurar atendimento médico?

A população deve ficar atenta ao aparecimento ou agravamento de sintomas respiratórios durante os episódios de fumaça.

Tosse persistente, chiado no peito, irritação intensa nos olhos e dificuldade respiratória são sinais que exigem atenção, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Em situações de falta de ar intensa, dor no peito, confusão mental, desmaio ou agravamento rápido dos sintomas, a orientação é procurar atendimento de urgência imediatamente.

Pacientes com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem manter o tratamento prescrito e não alterar ou suspender medicamentos sem orientação profissional.

Queimadas agravam a qualidade do ar em Manaus

O problema da fumaça está diretamente relacionado aos incêndios florestais registrados em diferentes municípios amazonenses.

Em comunicado divulgado no dia 7 de outubro, a Prefeitura de Manaus informou que a fumaça que atingia a capital tinha origem principalmente em queimadas nos municípios de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.

A intensificação dos incêndios, associada às condições climáticas desfavoráveis à dispersão dos poluentes, contribui para a permanência da fumaça sobre áreas urbanas.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde e as autoridades municipais reforçam a importância de acompanhar os boletins de qualidade do ar e adotar medidas preventivas, principalmente durante os períodos de maior concentração de poluentes.

A recomendação é reduzir a exposição à fumaça sempre que possível e buscar atendimento de saúde diante de sintomas persistentes ou sinais de agravamento.

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