Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente do Brasil neste domingo (25), com 51,74% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições de 2026. A vitória encerra uma campanha marcada pela polarização política, pela apresentação de propostas econômicas e sociais, por investigações que repercutiram no cenário eleitoral e por uma disputa acirrada até os últimos dias antes da votação.
2 de agosto — PT oficializa candidatura à reeleição
O Partido dos Trabalhadores oficializou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, com Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice. A convenção, realizada em São Paulo, confirmou a manutenção da chapa vencedora de 2022 e reuniu lideranças de partidos aliados.
No discurso, Lula defendeu a continuidade de seu projeto político e afirmou que o histórico de realizações do governo seria um dos principais argumentos para buscar um novo mandato.
7 de agosto — Programa de governo prioriza soberania e direitos sociais
A campanha apresentou à Justiça Eleitoral o programa de governo para um eventual quarto mandato de Lula. Entre os principais pontos estavam a defesa da soberania nacional, a valorização do trabalho, a transição energética, o combate à fome e propostas relacionadas ao fim da escala 6×1.
O documento também abordou segurança pública, regulação das plataformas digitais e mudanças na distribuição de emendas parlamentares. A apresentação marcou o início da fase de exposição mais formal das propostas para os próximos quatro anos.
16 de agosto — Começa oficialmente a propaganda eleitoral
A propaganda eleitoral geral teve início nas ruas e na internet. A partir desse momento, a campanha passou a ampliar a divulgação de propostas e a comparação entre os governos Lula e Jair Bolsonaro.
Na agenda presidencial, o petista priorizou eventos ligados à infraestrutura, à saúde e à educação. Entre 16 de agosto e 3 de setembro, participou de 37 compromissos oficiais, segundo levantamento do Poder360, que identificou predominância dessas áreas.
Agosto e setembro — Programas sociais entram no centro da estratégia
A campanha passou a reforçar iniciativas voltadas à renda, à educação e à proteção social. O governo também anunciou medidas relacionadas à ampliação do Pé-de-Meia e à renegociação de dívidas.
Em setembro, a campanha divulgou uma plataforma com propostas organizadas em três eixos: proteção do Brasil e dos brasileiros, alívio financeiro para as famílias e construção de oportunidades para o futuro.
A estratégia buscava associar a candidatura à continuidade de políticas públicas e à melhoria das condições de vida, em especial para os brasileiros de menor renda.
Setembro — Banco Master e investigações aumentam a pressão política
O caso Banco Master passou a ocupar espaço crescente no noticiário político, com repercussões envolvendo figuras de diferentes campos políticos. O episódio ganhou força na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro e voltou a aparecer nos confrontos entre os candidatos.
As investigações envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, também foram exploradas pela oposição. As apurações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e às fraudes em descontos associativos do INSS provocaram cobranças por esclarecimentos. As suspeitas, entretanto, não equivalem a uma condenação.
2 de outubro — Pesquisas indicam disputa competitiva
Na reta final do primeiro turno, os levantamentos eleitorais mostravam Lula e Flávio Bolsonaro entre os principais concorrentes. Pesquisa Datafolha divulgada em 2 de outubro apontava Lula com 45% dos votos válidos e Flávio com 40%.
Os números indicavam uma disputa competitiva e reforçavam a possibilidade de segundo turno. A campanha petista buscava consolidar o apoio de eleitores que priorizavam políticas sociais, enquanto o adversário concentrava críticas no custo de vida, na segurança pública e nos resultados do governo.
4 de outubro — Lula vai ao segundo turno
O primeiro turno confirmou a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. O senador terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, segundo os dados eleitorais compilados pelo Vota Povo.
O resultado levou os dois candidatos ao segundo turno e alterou a dinâmica da disputa. Lula precisou buscar apoio entre eleitores de candidatos derrotados e reforçar sua estratégia para conquistar os votos necessários à vitória.
7 a 13 de outubro — Disputa sobre redes sociais chega à Justiça Eleitoral
A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral em relação ao canal de WhatsApp “Exército do Lula”, alegando a circulação de conteúdos falsos. O caso teve decisões judiciais distintas sobre o funcionamento da página e ampliou a discussão sobre a atuação das plataformas digitais durante a eleição.
O episódio mostrou que a disputa não se restringia aos palanques e aos programas eleitorais. O uso das redes sociais e as decisões da Justiça passaram a fazer parte da estratégia das duas campanhas.
14 de outubro — Governo anuncia novas medidas econômicas e sociais
Durante o segundo turno, Lula anunciou iniciativas relacionadas à renegociação de dívidas de microempreendedores, à ampliação do Pé-de-Meia e a medidas voltadas à redução de despesas das famílias.
Também foram divulgadas propostas e decisões envolvendo combustíveis e o combate ao endividamento. As medidas foram apresentadas como parte de uma estratégia para aliviar a pressão financeira sobre a população, mas adversários questionaram o momento dos anúncios e seus efeitos eleitorais.
18 de outubro — Primeiro debate do segundo turno
Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentaram no debate da Band, com discussões sobre economia, corrupção, segurança pública e políticas sociais.
O encontro foi marcado por acusações mútuas e tentativas de comparar os resultados das gestões petistas com o governo Jair Bolsonaro. A partir dali, a campanha entrou em uma fase de confrontos mais diretos, com os candidatos buscando convencer eleitores indecisos.
22 de outubro — Sigilos viram novo foco de confronto
A disputa ganhou um novo capítulo com as cobranças sobre a abertura de sigilos bancários e telefônicos dos candidatos. O assunto passou a dominar parte do noticiário e foi utilizado pelas campanhas para questionar a transparência dos adversários.
O episódio deslocou momentaneamente a atenção das propostas de governo para as acusações envolvendo patrimônio, relações financeiras e suspeitas de irregularidades.
23 de outubro — Último debate na TV Globo
O último debate antes do segundo turno reuniu Lula e Flávio Bolsonaro na TV Globo. Os candidatos discutiram salário mínimo, custo de vida, saúde pública, segurança, programas sociais e corrupção.
O confronto também trouxe acusações relacionadas ao Banco Master, às investigações envolvendo Lulinha e a episódios ligados à trajetória política de Flávio. Entre os momentos de maior repercussão estiveram a expressão “nove dedos”, utilizada pelo senador contra Lula, e a resposta do presidente, que cobrou respeito e criticou o adversário.
Apesar das trocas de acusações, os candidatos também apresentaram propostas para um eventual novo mandato. O debate encerrou a série de confrontos televisivos da campanha.
24 de outubro — Eleição chega ao último dia de campanha
Na véspera da votação, a disputa continuava apertada. Pesquisa Datafolha divulgada em 24 de outubro indicava Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49% dos votos válidos, dentro da margem de erro.
O que ficou da campanha
A campanha de Lula em 2026 combinou a defesa do legado do governo, anúncios de medidas econômicas e sociais, apresentação de propostas e tentativas de ampliar sua base eleitoral. Ao mesmo tempo, enfrentou desgastes provocados por investigações, críticas à gestão e confrontos com Flávio Bolsonaro.
O resultado do primeiro turno mostrou que a disputa seguiria aberta até a votação final. Na reta decisiva, a eleição foi marcada pela combinação entre propostas para o futuro, comparações entre governos, repercussões de escândalos e uma intensa batalha pela atenção dos eleitores.


