HomeNotíciasManausManaus é a 9ª cidade mais exposta ao perigo do calor em...

Manaus é a 9ª cidade mais exposta ao perigo do calor em estudo global de Oxford

Pesquisa analisou 205 grandes cidades e aponta a capital amazonense entre as dez com maior exposição ao estresse térmico; no ranking geral de risco, município ocupa a 27ª posição

Manaus está entre as dez grandes cidades do mundo com maior exposição ao perigo do calor, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido. A capital amazonense ocupa a 9ª posição no indicador de exposição térmica entre 205 cidades analisadas, com pontuação de 0,96 em uma escala de zero a um.

A pesquisa, publicada em 2026 na revista científica Sustainable Cities and Society, avalia os efeitos das condições climáticas sobre o corpo humano e considera fatores como temperatura, umidade, velocidade do vento e radiação térmica. O objetivo é identificar os centros urbanos onde a população enfrenta maior exposição ao estresse causado pelo calor.

Intitulado Moving beyond exposure: a globally comparable framework for heat risk assessment in cities (Além da exposição: uma estrutura globalmente comparável para avaliação do risco térmico nas cidades), o levantamento foi desenvolvido pelos pesquisadores Nethmi Jayaratne Kariyawasam, Jesus Lizana e Radhika Khosla, vinculados à Universidade de Oxford.

Os resultados colocam Manaus entre os grandes centros urbanos mais expostos às condições ambientais que dificultam o equilíbrio térmico do organismo, especialmente em regiões onde temperaturas elevadas e umidade podem comprometer a capacidade natural de resfriamento do corpo.

Manaus ocupa 27ª posição no ranking geral de risco

Apesar de aparecer em 9º lugar no indicador de exposição ao calor, Manaus ocupa a 27ª posição no ranking geral de risco térmico, com pontuação de 0,66.

A diferença ocorre porque os pesquisadores avaliaram três dimensões: exposição ao perigo do calor, vulnerabilidade socioeconômica da população e capacidade de enfrentamento das temperaturas elevadas.

Entre os fatores considerados estão a renda da população, a presença de crianças e idosos, o acesso a aparelhos de ar-condicionado, os custos de energia elétrica e a cobertura vegetal das cidades.

A metodologia demonstra que o risco associado ao calor não depende exclusivamente da temperatura. Cidades submetidas a condições climáticas semelhantes podem apresentar situações diferentes conforme sua infraestrutura e a capacidade dos moradores de se protegerem.

No ranking geral, Manaus apresenta o maior índice entre as 11 cidades brasileiras incluídas na pesquisa. Goiânia aparece na 46ª posição, seguida por Belo Horizonte, em 66º lugar, e Fortaleza, em 67º.

Calor extremo representa desafio para a saúde pública

As condições de calor intenso representam um desafio para a saúde pública, especialmente entre grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças preexistentes.

A combinação de temperaturas elevadas e alta umidade dificulta a evaporação do suor, mecanismo utilizado pelo organismo para regular a temperatura corporal. Dependendo da intensidade e da duração da exposição, essa condição pode contribuir para desidratação, exaustão térmica e outras complicações.

No ambiente urbano, a presença de superfícies pavimentadas, a concentração de construções e a redução de áreas arborizadas também podem intensificar a sensação de calor.

Segundo os pesquisadores, o planejamento das cidades precisa considerar não apenas as condições climáticas, mas também as desigualdades sociais e a disponibilidade de estruturas capazes de reduzir a exposição da população.

Arborização e infraestrutura estão entre as soluções

A pesquisa destaca a importância de medidas de adaptação urbana para enfrentar os impactos das altas temperaturas. Entre as estratégias estão a ampliação da cobertura vegetal, a criação de áreas sombreadas e o investimento em soluções de resfriamento que demandem menos energia.

Os pesquisadores também chamam atenção para os limites da dependência exclusiva de aparelhos de ar-condicionado, considerando os custos da eletricidade e o impacto ambiental associado ao aumento do consumo energético.

Em escala mundial, o estudo identificou que mais de 95% das cidades classificadas na faixa de maior risco térmico estão concentradas no Sul e Sudeste da Ásia e na África Subsaariana. Al Basrah, no Iraque, lidera a classificação geral.

Para Manaus, os resultados reforçam a importância de políticas públicas voltadas à adaptação climática, ao planejamento urbano e à proteção das populações mais vulneráveis.

O levantamento foi disponibilizado originalmente em maio de 2026 e utiliza principalmente bases de dados de 2019 e 2020. Portanto, seus indicadores representam uma comparação internacional das condições urbanas analisadas, e não uma medição das temperaturas registradas atualmente na capital amazonense.

*Com informações da Revista CENARIUM

- Continua após a publicidade -spot_img
spot_img
Últimas notícias
- Continua após a publicidade -
Mais como esta

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here