O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do banco digital Ueno Bank. A informação foi divulgada pelo canal chileno T13 e pelo jornal argentino Economis. A decisão ocorre após o avanço de um pedido de impeachment no Congresso Nacional e a perda de apoio de integrantes do próprio Partido Colorado, legenda do mandatário.
Segundo o T13, Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população paraguaia e declarou que nunca teve a intenção de decepcionar a confiança depositada nele.
A crise política ganhou força depois que o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, instituição financeira que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava centenas de milhões de dólares em depósitos de órgãos públicos.
A intervenção ocorreu após a identificação de problemas de solvência e suspeitas de irregularidades financeiras. O fechamento da instituição deixou clientes sem acesso aos recursos, provocando manifestações nas ruas da capital, Assunção, e aumentando a pressão sobre o governo.
Peña passou a ser questionado por sua ligação anterior com o grupo empresarial proprietário do banco. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez até março de 2025, circunstância apontada por parlamentares como possível conflito de interesses.
Congresso pressionava pela saída do presidente
Antes da notícia sobre a renúncia, 35 deputados paraguaios haviam apresentado um pedido de impeachment contra Peña, acusando o presidente de conflito de interesses, suposto uso irregular de recursos previdenciários e omissões institucionais relacionadas à crise bancária.
A situação se agravou após integrantes do Partido Colorado anunciarem apoio ao processo de destituição. Entre os dirigentes que retiraram o respaldo político ao presidente estão Horacio Cartes, líder da legenda e ex-presidente do Paraguai, e Basilio Núñez, presidente do Congresso Nacional.
Núñez também havia defendido publicamente a renúncia de Peña e sinalizado apoio ao impeachment caso o mandatário permanecesse no cargo.
A pressão política foi acompanhada por manifestações de correntistas, trabalhadores e aposentados, que exigiam a devolução dos valores bloqueados e providências das autoridades.
Crise bancária provocou investigações e prisões
O escândalo do Ueno Bank também resultou em investigações sobre a administração da instituição financeira. Oito pessoas ligadas ao banco foram detidas, enquanto autoridades iniciaram procedimentos para apurar possíveis irregularidades.
A crise atingiu ainda a direção do Banco Central paraguaio. Carlos Carvallo deixou a presidência da instituição após solicitação de Santiago Peña, em meio aos questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro.
O governo havia anunciado medidas emergenciais para garantir a devolução dos depósitos e proteger os recursos públicos e previdenciários mantidos no banco.
Quem assume a Presidência do Paraguai?
Com a saída de Santiago Peña, a Constituição paraguaia estabelece que o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência da República e completar o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.
Peña, economista e integrante do Partido Colorado, havia assumido o governo em 15 de agosto de 2023.
A renúncia ocorre em um momento de instabilidade política e financeira no Paraguai, enquanto as autoridades tentam solucionar a crise bancária e garantir a recuperação dos recursos dos clientes afetados.


