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Do vídeo à operação policial: veja os desdobramentos do caso envolvendo Maria do Carmo

Relembre a sequência de decisões e operações no caso do vídeo envolvendo filha de Omar Aziz

A investigação da Polícia Civil do Amazonas sobre a produção e a divulgação de um vídeo envolvendo a filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD) ganhou novos desdobramentos em novembro de 2026. A apuração, que começou após a circulação do material durante o segundo turno das eleições estaduais, chegou à residência da professora e ex-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), alvo de mandado de busca e apreensão no dia 6 de novembro.

O caso envolve denúncias sobre a utilização não autorizada de imagens de uma adolescente em um conteúdo que associava acusações relacionadas à chamada CPI da Pedofilia a imagens de Omar Aziz ao lado da filha, ainda criança.

Conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), a investigação procura esclarecer quem produziu, financiou e distribuiu o vídeo, além de determinar a eventual participação de cada pessoa envolvida.

A seguir, entenda os principais acontecimentos do caso.

Linha do tempo da investigação

Outubro de 2026 — Vídeo circula durante a campanha eleitoral

Durante o segundo turno das eleições estaduais, um vídeo envolvendo a filha de Omar Aziz começou a circular no contexto da disputa eleitoral. O conteúdo associava acusações relacionadas à chamada CPI da Pedofilia a imagens do senador ao lado da filha, ainda criança.

A divulgação motivou uma denúncia apresentada por Omar Aziz e familiares à Polícia Civil, que passou a apurar possíveis crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

29 de outubro — Primeira fase da operação policial

A Polícia Civil realizou buscas em endereços ligados a profissionais que trabalharam na campanha de Maria do Carmo, incluindo integrantes da equipe de marketing. As diligências ocorreram em Manaus e São Paulo.

Ao menos três profissionais ligados à campanha foram alvos de medidas judiciais. A operação buscou reunir elementos para identificar os responsáveis pela elaboração e distribuição do material.

30 de outubro — Defesa consegue suspender buscas na residência de Maria do Carmo

No dia seguinte à primeira fase da operação, a defesa de Maria do Carmo obteve uma liminar que suspendeu temporariamente a realização de buscas na residência da ex-candidata.

Com a decisão, a diligência no imóvel ficou suspensa até uma nova deliberação judicial.

3 de novembro — TJAM restabelece autorização para buscas

O desembargador Paulo Feitoza, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), revogou a liminar que havia suspendido as buscas na residência de Maria do Carmo.

A decisão restabeleceu a validade da autorização judicial e permitiu que a Polícia Civil desse continuidade às diligências no endereço da ex-candidata.

5 de novembro — Maria do Carmo afirma que aguardava operação

Na quinta-feira (5), Maria do Carmo publicou um vídeo no qual afirmou que estava em casa e aguardava a chegada dos policiais para o cumprimento da diligência.

Na mesma data, a defesa ingressou com um novo pedido de habeas corpus, desta vez para tentar impedir uma eventual decretação de prisão preventiva ou temporária.

6 de novembro — Polícia cumpre mandado na residência da ex-candidata

A Polícia Civil realizou buscas na residência de Maria do Carmo, localizada no bairro Vieiralves, zona centro-sul de Manaus. A operação começou por volta das 5h e mobilizou três viaturas.

A ex-candidata não estava no imóvel quando os agentes chegaram. Após ser informada sobre a diligência, compareceu ao endereço por volta das 6h20, acompanhada de dois advogados.

O delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito, relatou dificuldades para entrar no imóvel e afirmou que houve resistência ao cumprimento da ordem judicial. Segundo ele, foram realizadas buscas nos cômodos, em gavetas e objetos pessoais, além da abertura de um cofre.

Ao final da operação, os policiais apreenderam um celular e um computador de uso pessoal da ex-candidata. Os equipamentos serão submetidos à perícia para extração e análise de dados.

6 de novembro — Delegado afirma que ocorrência de crime está comprovada

Em entrevista ao programa Manhã de Notícias, da Rede Tiradentes, o delegado Marcelo Martins afirmou que considera comprovada a ocorrência de crime relacionado ao vídeo. Segundo ele, a investigação agora procura estabelecer o grau de participação de cada pessoa envolvida.

“O crime já está comprovado, é um crime que é de comprovação evidente. Apenas agora estamos determinando o nível em que cada autor do crime cometeu esse fato”, declarou.

Martins também afirmou que novas informações poderão surgir com o aprofundamento das apurações e com a análise dos equipamentos apreendidos.

O que a Polícia Civil investiga?

O inquérito busca esclarecer as circunstâncias de produção e divulgação do vídeo envolvendo a filha adolescente de Omar Aziz. Entre os pontos investigados estão:

Quem produziu o conteúdo audiovisual;

Quem financiou ou participou da elaboração do material;

Quem autorizou ou realizou sua distribuição durante a campanha eleitoral;

Qual foi a participação individual de cada pessoa envolvida;

Se houve utilização não autorizada de imagens da adolescente e a prática de crimes previstos no ECA.

A análise do celular e do computador apreendidos na residência de Maria do Carmo deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

O que diz Maria do Carmo?

Maria do Carmo nega participação na produção do vídeo e afirma ser vítima de perseguição política. Após a operação, sua assessoria jurídica divulgou uma nota na qual criticou a condução das diligências e apontou possíveis irregularidades no cumprimento do mandado.

A defesa alegou desrespeito às garantias legais e às prerrogativas da advocacia, além de questionar a divulgação de informações sobre um processo que, segundo os advogados, tramita em segredo de Justiça.

Os representantes da ex-candidata também afirmaram que ela sempre esteve à disposição para colaborar com as autoridades e contribuir para o esclarecimento dos fatos. A defesa declarou ainda que não aceitará o que classifica como uso político da investigação.

Quais são os próximos passos?

Com a apreensão dos equipamentos eletrônicos, a Polícia Civil deverá realizar a extração e a análise dos dados armazenados nos dispositivos. As informações serão confrontadas com as provas já reunidas no inquérito.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, o aprofundamento da investigação deverá esclarecer a participação de cada envolvido na produção e na divulgação do vídeo.

Até o momento, a Polícia Civil não apresentou uma conclusão individual sobre a responsabilidade criminal de Maria do Carmo. A avaliação do delegado sobre a comprovação da ocorrência de crime não significa que a participação de todos os investigados já esteja definida.

O caso segue sob investigação da Depca, e eventual responsabilização dependerá da conclusão do inquérito e das etapas posteriores do processo judicial.

Leia mais: Delegado diz que investigação deve revelar novos elementos após buscas em casa de Maria do Carmo

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