Uma nova descoberta científica pode mudar a forma como a endometriose é compreendida e tratada nos próximos anos. Pesquisadores identificaram uma possível ligação entre a doença e a bactéria Fusobacterium, encontrada no tecido uterino de grande parte das mulheres diagnosticadas com a condição.
O estudo revelou que mais de 60% das mulheres com endometriose apresentavam a presença da bactéria. Entre mulheres sem a doença, o índice foi significativamente menor, em torno de 7%. Os resultados foram publicados na revista científica Science Translational Medicine.
Segundo os pesquisadores, a bactéria pode ativar uma proteína chamada TGF-beta, responsável por alterar o comportamento celular e estimular processos inflamatórios e fibróticos no organismo. Esses mecanismos podem favorecer o crescimento e a progressão das lesões associadas à endometriose.
A descoberta reforça uma nova linha de investigação sobre as possíveis causas da doença, que afeta milhões de mulheres em todo o mundo e costuma provocar dores intensas, alterações menstruais, infertilidade e impactos na qualidade de vida.
Antibióticos reduziram lesões em testes com animais
Os cientistas também realizaram experimentos em animais e observaram resultados promissores. Antibióticos como o metronidazol conseguiram reduzir significativamente a quantidade e a gravidade das lesões da endometriose.
Apesar dos avanços, os especialistas alertam que os resultados ainda são preliminares e não significam que antibióticos devam ser usados como tratamento imediato para a doença.
Novos estudos em humanos ainda serão necessários para confirmar o papel da bactéria no desenvolvimento da endometriose, além de avaliar a segurança e a eficácia de futuras terapias baseadas nessa descoberta.
Nova perspectiva para o tratamento da endometriose
Atualmente, o tratamento da endometriose costuma envolver terapias hormonais e procedimentos cirúrgicos, especialmente em casos mais graves. A possível relação entre bactérias e a doença pode abrir espaço para abordagens mais precisas, menos invasivas e personalizadas no futuro.
A descoberta científica representa uma esperança para pacientes e especialistas, além de ampliar o entendimento sobre os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da endometriose.
Fonte: estudo publicado na revista científica Science Translational Medicine por Muraoka et al.


