A eleição que confirmou o deputado estadual Adjuto Afonso (União Brasil) como novo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta quarta-feira (15), foi marcada por manifestações contrárias de cinco parlamentares, que justificaram os votos com críticas à forma como o processo de sucessão foi conduzido e defenderam a independência do Poder Legislativo.
Adjuto Afonso foi eleito com 19 votos favoráveis, enquanto cinco deputados votaram contra: Alessandra Campelo (PSD), Mayra Dias (PSD), Rozenha (PSD), Thiago Abrahim (MDB) e Wilker Barreto (MDB).
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Apesar de ser o único candidato registrado para a disputa, a eleição foi acompanhada por posicionamentos críticos de parlamentares da oposição, que ressaltaram não se tratar de uma rejeição pessoal ao novo presidente, mas de um posicionamento político em relação ao processo de efetivação no comando da Casa.
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A líder do PSD na Aleam, Alessandra Campelo, afirmou que a decisão da bancada foi tomada em defesa da autonomia do Legislativo. Segundo ela, o partido discordou da forma como ocorreu a consolidação da candidatura única.
“Por uma questão de independência desse Poder, o PSD tomou a decisão de votar contra. Meu voto é contra, pela independência do Poder e para que fique demonstrado que o PSD não concorda com a forma que foi feita a efetivação do cargo. […] Acho que foi um desgaste desnecessário para esta Casa, já que o deputado Adjuto sempre teve a maioria dos deputados concordando com a posse dele”, declarou.
A deputada Mayra Dias (PSD) acompanhou o posicionamento da bancada e resumiu seu voto: “Seguindo a deputada Alessandra, pelo que ela disse. Eu voto contrário.”
Também pelo PSD, o deputado Rozenha afirmou que o voto foi motivado pelas divergências do partido em relação aos acontecimentos recentes na Assembleia. Apesar da crítica, disse confiar na experiência do novo presidente para restabelecer o ambiente político da Casa.
“Votarei não porque o PSD tem discordado de forma frontal com os absurdos que vêm sendo feitos nesta Casa na última semana. Mas acredito que, no alto da sua experiência, Vossa Excelência irá colocar esta Casa em seu lugar devido. A Casa está dividida, coisa que nos últimos oito anos não aconteceu”, afirmou.
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Pelo MDB, o deputado Thiago Abrahim também justificou o voto contrário como um posicionamento em defesa da democracia e da independência entre os Poderes.
“A independência dos Poderes é importante e fundamental para nossa sociedade. Em razão da democracia, existem posições contrárias e elas são essenciais para que a democracia seja exercida da melhor forma”, declarou.
Já o deputado Wilker Barreto (MDB) destacou que sua posição refletiu uma orientação política da bancada e reforçou que a existência de votos divergentes faz parte do processo democrático.
“Tenho uma relação de amizade com o Adjuto, ele sabe disso, mas nós temos hoje um posicionamento. Não votar, se abster ou votar contra também é um posicionamento. Fazer política é isso, é ter posicionamento”, afirmou.
Mesmo com os votos contrários, Adjuto Afonso foi eleito por ampla maioria e assumirá a presidência da Assembleia Legislativa com o desafio de conduzir os trabalhos parlamentares e buscar a pacificação do ambiente político após um processo sucessório marcado por divergências entre parte dos deputados.
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