O Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e o Theatro da Paz, em Belém (PA), acabam de ser reconhecidos como patrimônio cultural do mundo. Os dois teatros, que já eram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde os anos 1960, agora integram a Lista do Patrimônio Mundial Cultural da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
A proposta de reconhecimento – formalizada pelo Iphan em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com colaboração das Secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará – se baseou numa candidatura conjunta dos dois teatros, aprovada na madrugada desta segunda-feira, 27 de julho, pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, na Coreia do Sul. Com a aprovação, os dois passam a figurar juntos na lista da Unesco, sob a designação “Teatros da Amazônia”, ao lado de outros sítios brasileiros já reconhecidos como Patrimônio Mundial Cultural, tal como o Plano Piloto de Brasília, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e os centros históricos de Olinda e Salvador (veja lista completa abaixo).
História compartilhada justifica candidatura conjunta – Símbolos do boom econômico gerado pela extração da borracha no Norte do Brasil, no século XIX, o Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus, foram inaugurados em 1878 e 1896, respectivamente.
Ambos representavam um mesmo projeto de modernização urbana e a inserção da região amazônica, por meio de seus rios, em circuitos comerciais e culturais globais. Foram duas das primeiras grandes casas de ópera das Américas, passando a atrair companhias europeias para temporadas casadas entre as duas cidades. Arquitetônica e artisticamente, mesclavam influências e materiais importados com madeiras e motivos da floresta, resultando numa estética original, ao mesmo tempo cosmopolita e amazônica.
Idealizados por uma elite seduzida pelos ideais da Belle Époque e erguidos por trabalhadores locais, ao longo do tempo os teatros transcenderam o propósito de seus fundadores. Além dos espetáculos de ópera, conquistaram espaço as manifestações de culturas populares brasileiras e atividades que hoje atravessam diversas expressões artísticas, do carimbó ao jazz, do boi-bumbá ao cinema, impulsionando a formação de artistas e técnicos e a atividade turística. São marcos cívicos e culturais das duas cidades, juntamente com as praças em seu entorno – a Praça da República, em Belém, e o Largo de São Sebastião, em Manaus. Agora, tornam-se oficialmente o primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte do Brasil.
Com a inscrição dos Teatros da Amazônia, o Brasil passa a contar com 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, dos quais 16 são culturais, nove são naturais e um é sítio misto.
*Com informações do Iphan
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