O Grupo Casas Bahia iniciou uma ampla redução de sua estrutura, com o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 1,9 mil funcionários entre quinta-feira (13) e esta sexta-feira (14). As informações foram divulgadas inicialmente pelo Valor Econômico. Uma fonte ouvida pelo jornal estima que o número de desligamentos possa chegar a 3 mil trabalhadores.
O número de unidades encerradas equivale a aproximadamente 28,7% da estrutura física que o grupo mantinha em maio, quando contabilizava 1.039 pontos de venda no país, segundo dados disponíveis no site de Relações com Investidores da própria companhia.
Até a publicação desta matéria, o Grupo Casas Bahia não havia confirmado publicamente os números de lojas fechadas e funcionários desligados. A empresa também ainda não apresentou uma lista detalhada das unidades incluídas na redução. Veículos que procuraram a companhia nesta sexta-feira informaram não ter recebido posicionamento até suas respectivas publicações.
Situação no Amazonas
No Amazonas, a página oficial de Relações com Investidores do Grupo Casas Bahia apontava 10 lojas em operação em maio de 2026. Até o momento, não há informação oficial indicando se alguma dessas unidades está entre as 298 atingidas pela nova rodada de fechamentos.
A ausência da relação completa das lojas impede, por enquanto, determinar o impacto da reestruturação sobre os trabalhadores e consumidores amazonenses.
Corte é muito maior que o registrado anteriormente
A dimensão do movimento representa uma mudança significativa em relação ao ritmo recente de redução da rede. Nos 12 meses encerrados em março, considerando aberturas e fechamentos, o grupo havia encerrado apenas 26 unidades, sendo 12 da bandeira Casas Bahia e 14 do Ponto.
Ao fim de 2025, eram 1.042 lojas, contra 1.064 em 2024 e 1.078 no encerramento de 2023.
A nova rodada acontece em meio ao esforço da varejista para reduzir despesas e recuperar a capacidade de geração de caixa após anos de dificuldades financeiras.
Juros pressionam resultados
No primeiro trimestre de 2026, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, mais de duas vezes superior à perda de R$ 408 milhões registrada no mesmo período de 2025.
Parte importante da piora veio do resultado financeiro. O CDI médio passou de 12,94% no primeiro trimestre de 2025 para 14,86% no mesmo período deste ano. Com isso, o resultado financeiro ficou negativo em aproximadamente R$ 1,2 bilhão, alta de 27% na comparação anual.
Os números de 2025 também exigem uma distinção. No critério ajustado, o prejuízo líquido acumulado foi de R$ 1,538 bilhão, alta de 47,2% frente aos R$ 1,04 bilhão de 2024. Já o resultado contábil reportado foi pressionado por uma provisão de R$ 1,45 bilhão relacionada a Imposto de Renda diferido, sem efeito no caixa, fazendo a perda não ajustada se aproximar de R$ 3 bilhões.
Digital cresce enquanto lojas físicas recuam
Apesar do prejuízo, alguns indicadores operacionais apresentaram avanço. No primeiro trimestre, a receita líquida cresceu 6,1%, para R$ 7,4 bilhões.
As vendas on-line tiveram desempenho superior ao das unidades físicas. A receita bruta digital avançou 24%, chegando perto de R$ 3,3 bilhões, enquanto o canal próprio de comércio eletrônico cresceu 26,4%. Já a receita bruta das lojas físicas recuou 1,8%, para aproximadamente R$ 5,6 bilhões.
A mudança no comportamento das vendas ocorre justamente enquanto a empresa reduz sua presença física e busca tornar a operação mais eficiente.
Segundo informações atribuídas ao Valor Econômico, a varejista também vem ampliando prazos de pagamento junto à indústria e adiando repasses a lojistas que comercializam produtos por meio de seu marketplace, numa tentativa de melhorar o ciclo financeiro.
Reestruturação financeira
O Grupo Casas Bahia passa por uma reestruturação financeira desde 2023. Em abril de 2024, a companhia apresentou um plano de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas, com alongamento dos prazos e redução do custo das obrigações.
No fim de 2025, a empresa concluiu outra etapa da reorganização de sua estrutura de capital, reduzindo em cerca de R$ 3 bilhões o endividamento. A dívida líquida ajustada caiu 75% entre o terceiro e o quarto trimestres daquele ano, encerrando dezembro em R$ 1,13 bilhão.
Agora, a atenção do mercado se volta para os resultados do segundo trimestre e para o tamanho do novo plano de redução da operação. O site oficial de Relações com Investidores informa que o balanço será divulgado nesta sexta-feira (14), após o fechamento do mercado, com videoconferência marcada para segunda-feira (17).
A expectativa é que a apresentação dos resultados esclareça a extensão da reestruturação e os próximos passos do grupo.


