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Golpistas usam nome e foto de advogada de Manaus para tentar roubar dados bancários de clientes

Vanessa denunciou o uso indevido de sua identidade nas redes sociais e passou a alertar clientes e colegas sobre a tentativa de fraude.

Criminosos estão usando o nome e a foto da advogada Vanessa Zogahib, conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM), para tentar aplicar golpes em clientes e ex-clientes. As vítimas recebem mensagens de números desconhecidos com a informação falsa de que ganharam uma ação judicial e teriam dinheiro para receber.

Para dar aparência de legitimidade ao golpe, os criminosos utilizam o nome completo e uma foto real da advogada. Em seguida, enviam um documento que aparenta ser uma decisão judicial e afirma que houve uma sentença favorável no processo.

O material, porém, apresenta informações inconsistentes, não identifica corretamente o tribunal responsável e aparece assinado pelo juiz Geraldo Francisco Pinheiro Franco, que atua no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

Depois de informar sobre a suposta vitória na Justiça, os golpistas pedem os dados bancários da vítima, sob a justificativa de que seriam necessários para liberar o dinheiro da ação.

Reprodução

A advogada conversou com a reportagem do Portal Manáos sobre o caso. Segundo Vanessa, ela foi alertada pelos próprios clientes após receber uma sequência de ligações e mensagens. Os contatos teriam partido de diferentes números e ocorreram em um curto período.

“Eu fiquei sabendo pelos meus próprios clientes, que começaram a me ligar, a me mandar mensagens, num curto período de tempo. E o que eu observei é que eles usaram mais de um número para aplicar os golpes” contou Zogahib, que orientou os clientes a bloquear e denunciar os números usados pelos criminosos no WhatsApp. Ela também publicou um alerta nas redes sociais e pediu ajuda ao sócio para entrar em contato com outros clientes.

Vanessa afirma que, até o momento, não tem conhecimento de clientes que tenham perdido dinheiro com a fraude. Ela atribui isso, em parte, aos alertas que já havia feito anteriormente. A orientação dada aos clientes é que, caso recebam mensagens de um número desconhecido se passando por ela, façam uma ligação diretamente para confirmar a informação.

(Foto: reprodução)

A advogada também diz que não costuma solicitar informações bancárias por mensagem. Segundo ela, os dados dos clientes já constam nos contratos e, quando há necessidade de pagamento de custas ou outras despesas do processo, o contato é feito previamente por telefone ou em reunião.

Golpe já atingiu outros advogados

Vanessa afirma que não é a primeira vez que criminosos usam sua identidade para tentar enganar clientes, mas considera que o episódio mais recente teve um volume maior de tentativas. Segundo ela, em menos de 30 minutos foram recebidas diversas ligações e mensagens de pessoas que desconfiaram da abordagem.

“Em menos de 30 minutos foram muitas, muitas, mensagens e muitas ligações. Eu nem parei para contar, mas eu perdi as contas de quantas ligações e mensagens eu tive que responder e dar retorno  dizendo que não era eu, fora as que o meu sócio entrou em contato, porque seria humanamente impossível eu fazer isso sozinha.”, afirmou.

A advogada também relata que outros profissionais da área jurídica já comunicaram casos semelhantes em grupos de advogados dos quais participa. Por isso, ela pretende registrar um boletim de ocorrência e encaminhar uma denúncia ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Uma das principais dúvidas levantadas por Vanessa é como os criminosos conseguem obter informações sobre processos, advogados e clientes. Ela questiona se há falhas de segurança nos sistemas utilizados pelos tribunais que permitam o acesso indevido a dados.

A preocupação envolve processos que podem conter informações pessoais e sigilosas. A advogada também cita a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e afirma que, em alguns casos, até profissionais habilitados precisam cumprir procedimentos específicos para acessar determinadas informações processuais.

“Como é que conseguem ter esse acesso? Onde é que está essa falha?”, questionou.

A denúncia ao CNJ, segundo Vanessa, também tem como objetivo contribuir para as iniciativas já realizadas pelo órgão em conjunto com os tribunais para tentar reduzir esse tipo de fraude.

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