Estudantes do Serviço Social da Indústria (SESI) do Pará fizeram história ao se sagrarem campeões mundiais de robótica na China. Os jovens paraenses superaram equipes de diversos países e conquistaram o primeiro lugar no FIRST LEGO League (FLL) Asia Open Championship 2026, realizado no último domingo (16), em Pequim.
Os estudantes da Escola SESI Ananindeua receberam o Champions Award, principal prêmio do torneio, após se destacarem entre cerca de 160 equipes de 30 países e regiões. A conquista é inédita para o estado e marca a primeira participação de uma equipe paraense em um mundial da modalidade.
Formada por estudantes com idades entre 13 e 16 anos, a equipe Born to Fight iniciou a trajetória até a China nas competições nacionais de robótica do SESI. Em março, durante a etapa nacional realizada em São Paulo, o grupo conquistou o Prêmio Niède Guidon, de Melhor Projeto de Inovação do Brasil, e o primeiro lugar na categoria Design do Robô. O desempenho garantiu à equipe a classificação para o torneio internacional.
Para o superintendente do SESI Pará, Dário Lemos, o resultado amplia a visibilidade da educação científica desenvolvida na região e reforça a importância de garantir aos estudantes do estado acesso a experiências de alcance internacional.
“Uma equipe de estudantes do SESI saiu de Ananindeua e chegou à China com um projeto que une tecnologia, acessibilidade e preservação da memória. Eles não foram apenas competir com um robô. Foram defender uma ideia construída na Amazônia e mostrar a qualidade da educação produzida no Pará. Conquistar o principal prêmio do torneio é um resultado histórico para o SESI e para o estado, mas, principalmente, mostra aos nossos estudantes que eles têm capacidade para ocupar qualquer espaço no mundo”, afirma.
Saiba qual foi o projeto desenvolvido
Os estudantes do SESI Ananindeua levaram para o outro lado do mundo um projeto desenvolvido a partir do tema da temporada 2025/2026 da FLL Challenge, “Unearthed”, inspirado na arqueologia, na exploração do passado e na preservação do patrimônio.
A partir desse desafio, a Born to Fight desenvolveu o Relicário Amazônia, projeto que combina impressão 3D e tecnologia NFC para criar novas formas de acesso a artefatos arqueológicos.
A proposta parte de um problema concreto: objetos arqueológicos carregam informações sobre povos, modos de vida e diferentes períodos da história, mas a necessidade de preservação muitas vezes restringe o contato direto do público com essas peças.
A solução desenvolvida pelos estudantes utiliza impressão 3D para produzir réplicas que podem ser manuseadas sem colocar os artefatos originais em risco. A reprodução também amplia as possibilidades de acessibilidade, especialmente para pessoas com deficiência visual, que podem explorar as formas e características das peças por meio do toque.
A experiência é complementada pela tecnologia NFC, recurso de comunicação por aproximação presente em atividades cotidianas, como pagamentos realizados por celulares e cartões. Incorporada às réplicas, a tecnologia permite acessar, por meio de dispositivos móveis, informações sobre a origem, o contexto histórico e a importância cultural de cada objeto.
Feito inédito
A Born to Fight chegou à China como a primeira equipe do Pará a disputar um mundial da FIRST LEGO League e voltou para casa com o Champions Award, principal reconhecimento do torneio.
Em Pequim, o reconhecimento também chegou a quem acompanha os estudantes na construção dessa trajetória. O coordenador de Robótica das Escolas SESI, Cleibson Magalhães, recebeu o Outstanding Coach Award, prêmio concedido pelo torneio pelo trabalho de destaque na orientação e preparação da equipe.
“Receber esse reconhecimento em uma competição internacional é muito especial, mas ele representa um trabalho coletivo. Existe uma equipe de estudantes, técnicos, professores e famílias por trás de cada resultado. O SESI vem construindo esse trabalho com a robótica ao longo dos anos e, hoje, ver nossos alunos no lugar mais alto de uma competição mundial mostra até onde eles podem chegar quando encontram espaço para pesquisar, criar, errar, testar novamente e acreditar nas próprias ideias”, conclui Cleibson.
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