Durante as campanhas eleitorais, o nome do candidato a vice costuma receber menos atenção do que o titular da chapa. No entanto, a função está longe de ser apenas simbólica. O vice-governador pode assumir temporariamente o comando do Estado, suceder o governador definitivamente e participar de áreas estratégicas da administração.
Nas eleições estaduais, governador e vice-governador integram a mesma chapa. Portanto, ao escolher o candidato ao governo, o eleitor também vota automaticamente no respectivo vice. Não existe votação separada para os dois cargos.
A regra reforça a importância de o eleitor conhecer não apenas o candidato que encabeça a chapa, mas também quem poderá assumir o Executivo estadual durante o mandato.
Substituir é diferente de suceder
Embora as duas situações coloquem o vice no comando do Executivo, substituição e sucessão possuem significados diferentes.
A substituição ocorre de forma temporária, quando o governador precisa se afastar por viagem, licença, tratamento de saúde ou outro impedimento. Nesse período, o vice exerce as atribuições do titular até que ele retorne ao cargo.
Já a sucessão acontece quando o cargo de governador fica definitivamente vago. Isso pode ocorrer em situações como renúncia, morte, perda do mandato ou impedimento definitivo. Nesse caso, o vice deixa de ocupar a função de maneira provisória e passa a ser governador.
A lógica segue o modelo previsto no artigo 79 da Constituição Federal, segundo o qual o vice substitui o titular nos impedimentos e o sucede em caso de vacância. Nos estados, as regras específicas também estão previstas nas respectivas constituições estaduais.
Vice pode participar da administração
Fora dos períodos de substituição ou sucessão, o vice-governador não possui automaticamente o mesmo poder administrativo do governador. Também não existe uma secretaria obrigatória ou uma área específica que precise ficar sob sua responsabilidade.
A participação do vice na gestão depende das atribuições previstas em lei e das missões delegadas pelo governador. Ele pode representar o governo em compromissos oficiais, acompanhar projetos, coordenar grupos de trabalho, participar de articulações políticas e contribuir para decisões estratégicas.
Em alguns governos, o vice assume uma secretaria ou outra função formal dentro da estrutura administrativa. Em outros, atua principalmente na articulação institucional e no aconselhamento do titular. Por isso, o espaço ocupado depende tanto das regras legais quanto da relação política estabelecida entre os integrantes da chapa.
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Escolha também tem peso político
Além das atribuições institucionais, a escolha do vice possui importância eleitoral. Os partidos costumam considerar experiência administrativa, representatividade regional, alianças partidárias, capacidade de diálogo e aproximação com determinados segmentos da população.
Um candidato a vice também pode ajudar a ampliar a base eleitoral e transmitir uma imagem de equilíbrio à chapa. Por outro lado, divergências políticas entre titular e vice podem gerar dificuldades durante o mandato e enfraquecer a articulação do governo.
No Amazonas, o debate ganhou relevância após Roberto Cidade e Serafim Corrêa assumirem o Governo do Estado em maio de 2026. Os dois foram escolhidos pela Assembleia Legislativa do Amazonas em uma eleição indireta realizada após a renúncia do então governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza.
Cidade e Serafim voltaram a formar uma chapa nas Eleições 2026, desta vez submetida ao voto direto da população. A composição reúne perfis de gerações diferentes e colocou novamente em discussão o espaço que um vice pode ocupar tanto na campanha quanto em uma eventual gestão.
E se os dois cargos ficarem vagos?
Quando governador e vice deixam os cargos, ocorre a chamada dupla vacância. Nessa situação, a Constituição estadual define quem assume provisoriamente o Executivo e como será realizada a escolha dos novos ocupantes.
O formato da eleição pode variar conforme o momento do mandato em que as vagas forem abertas. Em determinadas situações, a escolha ocorre de forma direta, com participação dos eleitores. Em outras, pode ser indireta, realizada pelos deputados estaduais.
Os novos escolhidos não iniciam um mandato completo. Eles assumem para concluir o período originalmente iniciado pela chapa anterior.
O que o eleitor deve observar
Ao analisar uma chapa, o eleitor pode considerar a experiência do candidato a vice, sua trajetória profissional e política, as posições que defende e sua capacidade de assumir o governo em uma eventual ausência definitiva do titular.
Também é importante avaliar se existe coerência entre os integrantes da chapa e qual função o vice deverá exercer na administração. Afinal, embora apareça em segundo plano durante parte da campanha, ele pode passar ao centro das decisões do Estado a qualquer momento.


