Celebrado nesta quinta-feira, 15 de outubro, o Dia dos Professores vai além das homenagens aos profissionais responsáveis pela formação de diferentes gerações. A data também chama atenção para a dimensão da educação no Amazonas, estado marcado pelas grandes distâncias geográficas e pelos desafios de levar o ensino a comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas.
Os dados mais recentes do Censo Escolar mostram que o Amazonas contava, em 2025, com 52.039 docentes na educação básica, distribuídos em 5.536 escolas e responsáveis por uma rede que reunia aproximadamente 1,13 milhão de matrículas. Os números têm como fonte os microdados do Censo Escolar da Educação Básica 2025, do Ministério da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
De onde surgiu o Dia dos Professores?
A escolha do dia 15 de outubro tem relação com um marco da história da educação brasileira. Em 15 de outubro de 1827, durante o Império, D. Pedro I sancionou uma norma para a criação das chamadas “escolas de primeiras letras” nas cidades, vilas e locais mais populosos do país.
A comemoração dedicada aos professores, porém, surgiu muito tempo depois. Registros do Ministério da Educação apontam que uma das primeiras celebrações ocorreu em 1947, em São Paulo, quando educadores organizaram uma pausa no período letivo para discutir questões relacionadas à profissão e promover a confraternização entre professores e alunos.
A oficialização nacional aconteceu em 14 de outubro de 1963, por meio do Decreto Federal nº 52.682, assinado pelo então presidente João Goulart. O texto declarou 15 de outubro como feriado escolar dedicado ao professor e estabeleceu que as instituições de ensino deveriam promover atividades destinadas a valorizar a função do educador na sociedade.
Mais de 52 mil professores na educação básica do Amazonas
O retrato mais recente mostra a dimensão da categoria no estado. Em 2025, eram 52.039 professores atuando na educação básica amazonense. No ano anterior, 2024, o Censo Escolar havia contabilizado 51.708 docentes, mostrando estabilidade, com leve crescimento do contingente de profissionais.
O número total, entretanto, não deve ser confundido com a simples soma dos professores de cada rede. Isso ocorre porque um mesmo profissional pode trabalhar simultaneamente, por exemplo, em uma escola estadual e em uma instituição privada e, dependendo da forma de contabilização, aparecer vinculado às duas redes.
No recorte de 2024, que traz a distribuição detalhada por dependência administrativa, foram registrados aproximadamente:
* 32.235 vínculos docentes na rede municipal;
* 17.881 na rede estadual;
* 5.073 na rede privada;
* 896 na rede federal.
Os números mostram que as redes municipais concentram a maior parcela da força docente da educação básica no Amazonas. Naquele levantamento, os vínculos municipais representavam cerca de 57,5% da distribuição por rede, enquanto a estadual respondia por aproximadamente 31,9%, a privada por 9% e a federal por 1,6%.
A soma desses números ultrapassa o total de professores porque profissionais que trabalham em mais de uma rede podem ser contabilizados em cada vínculo de atuação.
Municípios concentram maior parte das escolas
A forte presença dos municípios também aparece na estrutura escolar. Em 2024, o Amazonas possuía 5.519 estabelecimentos de educação básica. Desse total, 4.364 eram municipais, 757 estaduais, 380 privados e 18 federais.
Em 2025, o total de estabelecimentos passou para 5.536 escolas. O estado contabilizou naquele ano cerca de 1,13 milhão de matrículas na educação básica.
Os números ajudam a dimensionar um sistema educacional que precisa chegar não apenas aos grandes centros urbanos, mas também a áreas de difícil acesso, onde deslocamentos podem depender de barcos e percursos por rios e estradas.
Contratação temporária ainda tem peso no Amazonas
O perfil dos vínculos profissionais também chama atenção. Dados de 2025 reunidos a partir do Censo Escolar mostram que, na rede estadual do Amazonas, 44,7% dos docentes eram concursados, efetivos ou estáveis, enquanto 54,7% apareciam como temporários.
Na rede municipal, 44,1% dos docentes eram efetivos ou estáveis, enquanto a parcela de contratos temporários também apresentava presença significativa. Os dados revelam um dos pontos de debate sobre a carreira docente no estado: a necessidade de conciliar expansão do atendimento educacional, concursos públicos, estabilidade profissional e valorização do magistério.
Ao mesmo tempo, levantamento referente às redes municipais mostra que 98,4% dos municípios amazonenses declaravam possuir Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do Magistério em 2025.
Ensino superior também integra o retrato da docência
Além dos mais de 52 mil professores da educação básica, o Amazonas possui docentes vinculados às universidades, centros universitários, faculdades e institutos públicos e privados.
O Censo da Educação Superior, também realizado pelo Inep, contabiliza separadamente esses profissionais e reúne informações sobre instituições públicas e privadas, cursos, estudantes e docentes. O levantamento mais recente disponível é referente a 2024.
Esse grupo inclui professores de instituições como a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Federal do Amazonas (Ifam), além das instituições privadas instaladas no estado.
Como a metodologia do Censo da Educação Superior é diferente da utilizada no Censo Escolar, os professores universitários não devem ser simplesmente somados aos 52.039 profissionais da educação básica sem o tratamento estatístico adequado.
Uma profissão que atravessa gerações
Passados quase dois séculos do ato de 1827 que marcou a organização das primeiras escolas brasileiras, o professor continua ocupando uma posição central no acesso ao conhecimento e na formação social.
No Amazonas, essa missão ganha particularidades. Há professores em grandes escolas da capital, mas também profissionais que atravessam rios, atuam em comunidades do interior e enfrentam desafios de infraestrutura e conectividade para garantir o funcionamento da educação.
Em 2025, o próprio Censo Escolar mostrou que apenas 66,6% das escolas do Amazonas possuíam acesso à internet, um dos menores percentuais entre os estados brasileiros. O dado evidencia que falar sobre o Dia dos Professores também significa discutir as condições oferecidas para que esses profissionais possam exercer plenamente seu trabalho.
O 15 de outubro, portanto, representa mais do que uma homenagem. É também uma oportunidade para olhar para os números, reconhecer quem sustenta diariamente o sistema educacional e colocar em pauta formação, carreira, infraestrutura e valorização dos profissionais responsáveis por ensinar e formar novas gerações.
Fontes: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC); Censo Escolar da Educação Básica 2024 e 2025; Censo da Educação Superior 2024; Presidência da República; Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas.
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