Manaus registrou níveis críticos de poluição atmosférica na manhã deste sábado (17), devido à fumaça provocada pelas queimadas. Por volta das 6h, a plataforma internacional IQAir marcou 441 pontos no índice de qualidade do ar da capital amazonense, que aparecia com o pior resultado entre as capitais brasileiras naquele momento.
A concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 295,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³), valor equivalente a 59,2 vezes a referência anual de 5 µg/m³ recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O PM2,5 é formado por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode aumentar os riscos à saúde, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
A comparação com a recomendação da OMS considera períodos de medição diferentes. Enquanto o valor registrado pela IQAir representa uma medição pontual, o limite de 5 µg/m³ corresponde à média anual recomendada pela organização.
Qualidade do ar é classificada como péssima
O cenário também foi identificado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Por volta das 6h55, os pontos monitorados na capital apresentavam qualidade do ar classificada como péssima. Em um dos locais, a concentração de partículas chegou a 456,4 µg/m³.
Os índices podem variar entre bairros e ao longo do dia, conforme a circulação dos ventos, as condições atmosféricas e a proximidade dos focos de incêndio. Por isso, os resultados de diferentes plataformas devem ser interpretados considerando os horários, locais e métodos de monitoramento.
A fumaça que atinge Manaus está relacionada aos incêndios registrados no Amazonas e em estados vizinhos. As partículas liberadas pela queima da vegetação podem permanecer suspensas na atmosfera por períodos prolongados e ser transportadas pelo vento por centenas de quilômetros.
A estiagem e a falta de chuva também dificultam a dispersão e a remoção dos poluentes. A intensidade da poluição depende da evolução dos incêndios e das condições meteorológicas.
Fumaça já havia provocado suspensão de atividades
Na sexta-feira (16), Manaus já havia registrado o pior índice de qualidade do ar entre as capitais brasileiras. Diante do cenário, as aulas presenciais da rede municipal de ensino e as atividades acadêmicas presenciais da UEA foram suspensas, conforme informações divulgadas anteriormente.
Quais cuidados tomar durante períodos de fumaça?
Em períodos de poluição elevada, a recomendação é reduzir o tempo ao ar livre e evitar exercícios físicos em ambientes externos. Sempre que possível, a população deve manter portas e janelas fechadas para limitar a entrada da fumaça e permanecer em locais com menor exposição aos poluentes.
O uso de máscaras do tipo PFF2, quando bem ajustadas ao rosto, ajuda a reduzir a inalação de partículas finas. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem ter atenção redobrada.
Tosse persistente, irritação nos olhos e na garganta e falta de ar podem ocorrer após a exposição à fumaça. Em caso de dificuldade para respirar, dor no peito ou agravamento dos sintomas, é importante procurar atendimento de saúde.
Como os índices podem mudar rapidamente em função dos incêndios e dos ventos, a orientação é acompanhar as atualizações dos órgãos de monitoramento e os comunicados das autoridades locais para reduzir a exposição à poluição.


