HomeNotíciasAmazonasIncêndios no Amazonas aumentam 195% e afetam saúde e rotina da população

Incêndios no Amazonas aumentam 195% e afetam saúde e rotina da população

Avanço dos incêndios no Amazonas reúne fumaça na capital e destruição no interior

Em pouco mais de um mês, Manaus registrou 19 episódios de fumaça provocada por incêndios florestais. O fenômeno, observado pela primeira vez em 8 de setembro, se intensificou em outubro, quando a capital passou nove dias consecutivos sob influência da fumaça. O cenário levou à suspensão de aulas, ao cancelamento de atividades ao ar livre e à procura por atendimento médico de pessoas com problemas associados à poluição do ar.

A fumaça que encobriu a capital tem origem em incêndios registrados na Região Metropolitana de Manaus e em municípios do interior do Amazonas. A propagação das chamas é favorecida pela vegetação seca, pelas altas temperaturas e pela baixa umidade, condições que ampliam o risco de incêndios. A ação humana também contribui para o avanço do fogo.

Os números estaduais mostram a dimensão do problema. Entre 1º de setembro e 14 de outubro, o Amazonas contabilizou 5.365 focos de incêndio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O total representa um aumento de 195% em comparação com o mesmo período de 2025.

Diante do avanço dos incêndios, o governo estadual decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios amazonenses em 10 de outubro. A medida foi reconhecida pelo governo federal na mesma data.

Fumaça alcança áreas distantes dos incêndios

Além dos danos à vegetação, os incêndios florestais liberam fumaça com partículas que podem prejudicar a saúde humana. Transportadas pelas correntes de vento, essas partículas percorrem dezenas ou centenas de quilômetros, atingindo cidades que ficam longe dos focos de fogo.

Por esse motivo, mesmo quando os incêndios estão concentrados no interior do estado, a fumaça pode chegar à capital e a outras localidades da região. Em Manaus, a presença persistente de fumaça afetou a rotina da população, com suspensão de atividades escolares e cancelamento de programações ao ar livre.

Os efeitos também são sentidos por quem vive próximo às áreas atingidas diretamente pelas chamas. Além da destruição da vegetação, os incêndios ameaçam territórios indígenas e comunidades, podendo obrigar moradores a deixar suas casas.

Incêndios atingem áreas no interior do Amazonas

Um dos focos de maior duração foi registrado na região do Rio Urubu, em Itacoatiara. Até 15 de outubro, o incêndio permanecia ativo havia mais de 40 dias. Dados de monitoramento por satélite apontavam mais de 3 mil hectares de área destruída, e as chamas já haviam alcançado parte do território indígena do povo Mura.

Outro incêndio atingiu a região do Lago do Canaçari, também em Itacoatiara. O fogo consumiu aproximadamente 1,3 mil hectares ao longo de cerca de 20 dias e foi considerado controlado em 9 de outubro. Entretanto, novos focos de calor foram identificados na mesma região no dia 13.

Na Região Metropolitana de Manaus, um incêndio atingiu uma área de floresta entre os quilômetros 3 e 4 da rodovia AM-070, em Cacau Pirêra, distrito de Iranduba. Entre 30 de setembro e 2 de outubro, as chamas destruíram cerca de 456 hectares.

Incêndio no Distrito Industrial contribuiu para fumaça na capital

Em Manaus, um incêndio em uma área de mata utilizada para descarte de lixo, no Distrito Industrial II, atingiu 15 mil metros quadrados, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).

O episódio contribuiu para a fumaça que encobriu a capital entre os dias 6 e 8 de outubro. De acordo com a corporação, foi o primeiro incêndio registrado na cidade a contar com apoio de aeronaves no combate às chamas.

Famílias deixam casas em Careiro da Várzea

A proximidade do fogo com áreas residenciais também provocou a saída temporária de moradores. Em Careiro da Várzea, famílias precisaram deixar suas casas entre 10 e 11 de outubro, após um incêndio se aproximar de uma área habitada.

Segundo a Defesa Civil municipal, parte dos moradores foi encaminhada temporariamente para uma escola, enquanto outras famílias buscaram abrigo nas casas de vizinhos.

Os episódios registrados em diferentes municípios mostram que os impactos dos incêndios no Amazonas vão além da destruição florestal. A fumaça afeta a qualidade do ar e a rotina nas cidades, enquanto as chamas ameaçam comunidades, territórios indígenas e áreas de vegetação.

*Com informações do G1

Leia mais: Com fumaça de queimadas, saúde da população do Amazonas passa a ser monitorada

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