Uma expedição científica brasileira identificou indícios da possível presença de cobre, zinco, ouro e prata no fundo do Oceano Atlântico. Os sinais foram encontrados em três áreas da Cordilheira Mesoatlântica, em águas internacionais próximas aos limites marítimos brasileiros, durante uma pesquisa conduzida pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).
O levantamento durou 29 dias e identificou anomalias na concentração de partículas suspensas na água. Segundo os pesquisadores, essas alterações podem estar relacionadas à presença de fontes hidrotermais, estruturas geológicas associadas à formação de depósitos de metais no fundo do oceano.
Os resultados foram divulgados na quinta-feira (22). Apesar dos indícios, ainda não é possível afirmar que existam reservas minerais com potencial de exploração comercial na região. Para isso, serão necessárias análises complementares que permitam determinar quais elementos estão presentes e em que quantidades.
Em entrevista à CNN Brasil, o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Francisco Valdir Silveira, explicou que a pesquisa busca ampliar o conhecimento sobre o ambiente marinho e seus recursos naturais. “Nossa missão é primeiro conhecer, explorar no sentido mais profundo da palavra”, afirmou.
Como os depósitos minerais se formam
A investigação tem como foco possíveis depósitos de sulfetos polimetálicos, que podem surgir quando a água do mar penetra em fissuras nas rochas e é aquecida pelo calor do interior da Terra. Durante esse processo, o líquido absorve metais presentes nas rochas e retorna ao oceano por meio de fontes hidrotermais.
Quando entra em contato com a água fria, parte dos minerais pode se precipitar e se acumular no fundo marinho. Esse mecanismo pode dar origem a depósitos com cobre e zinco, além de elementos como ouro e prata.
Esses metais possuem aplicações em diferentes setores. O cobre é utilizado na fabricação de equipamentos eletrônicos e redes elétricas, enquanto o zinco é empregado principalmente na proteção de estruturas de aço contra a corrosão. Ouro e prata também são utilizados em processos industriais e componentes tecnológicos.
Entretanto, a presença de sinais hidrotermais não comprova a existência de jazidas comercialmente exploráveis. A avaliação depende de fatores como a concentração dos metais, a dimensão dos depósitos, os custos operacionais e os impactos ambientais de uma eventual atividade mineradora.
Mineração submarina enfrenta obstáculos
A exploração mineral em grandes profundidades exige equipamentos especializados, capazes de suportar pressões extremas, além de sistemas para retirar os materiais do fundo do oceano e transportá-los até a superfície. Os custos tecnológicos e logísticos representam desafios para o desenvolvimento desse tipo de atividade.
Outro ponto de atenção é a preservação ambiental. Como os ecossistemas das regiões profundas ainda são pouco conhecidos, uma eventual mineração pode provocar alterações na biodiversidade marinha. Por isso, o avanço das pesquisas também depende da avaliação dos possíveis riscos ambientais.
A expedição foi realizada entre 9 de setembro e 8 de outubro, a bordo do navio de pesquisa hidroceanográfico Vital de Oliveira. A iniciativa reuniu o Serviço Geológico do Brasil, a Marinha do Brasil, a Petrobras e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Além das amostras de água e sedimentos, os pesquisadores coletaram material para investigar a biodiversidade por meio de DNA ambiental. Os dados deverão contribuir para novas pesquisas sobre as riquezas minerais e biológicas do Atlântico, ampliando o conhecimento científico brasileiro sobre essas áreas oceânicas.


