O delegado Marcelo Martins, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), afirmou nesta sexta-feira (6) que considera comprovada a ocorrência de crime na produção e divulgação de um vídeo envolvendo a filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD). Segundo o responsável pelo inquérito, as investigações agora buscam identificar o grau de participação de cada pessoa envolvida no caso.
“O crime já está comprovado, é um crime que é de comprovação evidente. Apenas agora estamos determinando o nível em que cada autor do crime cometeu esse fato”, declarou durante entrevista ao jornalista Charles Fernandes, no programa Manhã de Notícias, da Rede Tiradentes.
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A declaração ocorreu após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência da empresária e ex-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), em Manaus. Na ocasião, Martins classificou o episódio como grave e afirmou ter ficado estarrecido ao assistir ao material que motivou a investigação.
“Eu fiquei estarrecido quando assisti. No momento inicial, quando acompanhava de longe essa investigação pela imprensa, eu não tinha noção do nível de perversidade. Só quando eu vi o vídeo é que eu pude perceber o nível de perversidade sexual”, afirmou.
O delegado também adiantou que o aprofundamento das apurações poderá trazer novas informações sobre a produção do conteúdo e as circunstâncias em que foi elaborado. Sem antecipar detalhes, declarou que os elementos reunidos deverão ajudar a compreender a finalidade e a forma de divulgação do vídeo.
“As investigações vão revelar muita coisa ainda, muita coisa importante que vai fazer muito sentido para quem assiste esse vídeo, vai entender por que esse vídeo foi feito dessa forma”, disse.
Celular e computador são apreendidos
Durante a operação realizada nesta sexta-feira, a Polícia Civil apreendeu um celular e um computador de uso pessoal de Maria do Carmo. De acordo com Martins, os equipamentos serão submetidos à perícia para extração e análise de dados, que deverão ser confrontados com as demais provas reunidas no inquérito.
O objetivo é verificar se existem informações que possam esclarecer eventual participação da empresária na produção ou na divulgação do material investigado. O delegado afirmou que, após a análise dos dispositivos, serão adotadas as providências cabíveis.
Martins também relatou dificuldades durante o cumprimento do mandado na residência da ex-candidata, localizada no bairro Vieiralves, zona centro-sul de Manaus. Segundo ele, os policiais encontraram resistência para entrar no imóvel e houve demora até o início das buscas.
“Foi uma diligência difícil, com uma série de tentativas de obstaculizar o cumprimento da ordem judicial”, afirmou.
O delegado informou que, após a entrada dos agentes, foram realizadas buscas nos cômodos da residência, incluindo a verificação de gavetas e objetos pessoais e a abertura de um cofre. Os advogados de Maria do Carmo chegaram ao local durante a diligência.
A ex-candidata não estava no imóvel quando os policiais chegaram. Conforme o delegado, após contato com a defesa, ela foi chamada e compareceu à residência por volta das 6h20.
Questionado sobre a possibilidade de provas terem sido apagadas ou ocultadas antes da operação, Martins afirmou que a circunstância será considerada na investigação, mas não confirmou qualquer ocorrência de destruição ou ocultação de evidências.
Investigação começou durante a campanha eleitoral
O inquérito é conduzido pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) e teve origem em denúncia apresentada por Omar Aziz e familiares após a circulação do vídeo durante o segundo turno das eleições estaduais, em outubro. O material associava acusações relacionadas à chamada CPI da Pedofilia a imagens do senador ao lado da filha, ainda criança.
A Polícia Civil investiga possíveis crimes previstos na legislação de proteção à criança e ao adolescente e busca identificar os responsáveis pela produção, pelo financiamento e pela distribuição do conteúdo.
Em 29 de outubro, a corporação realizou a primeira fase da operação, com buscas em endereços ligados a profissionais de marketing que trabalharam na campanha de Maria do Carmo, incluindo diligências em Manaus e São Paulo.
Posteriormente, uma liminar suspendeu temporariamente as buscas na residência da ex-candidata. Na terça-feira (3), porém, o desembargador Paulo Feitoza, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), revogou a decisão, restabelecendo a autorização judicial para a realização da diligência.
A ex-candidata nega participação na produção do vídeo e afirma ser vítima de perseguição política. A defesa também questiona a condução das diligências policiais e aponta possíveis irregularidades no cumprimento do mandado.
Apesar da declaração do delegado sobre a comprovação da ocorrência de crime, a identificação individual dos responsáveis e a eventual responsabilização criminal dependem do avanço das investigações e das decisões das instâncias judiciais.
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