sábado, março 7, 2026
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Clubes brasileiros serão tributados por premiações milionárias no Mundial

Fifa distribui bilhões em premiações, mas clubes brasileiros enfrentam retenções nos EUA e, em alguns casos, no Brasil.

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O novo formato do Mundial de Clubes da Fifa tem chamado atenção não somente pelos confrontos entre brasileiros e europeus, mas também pelos valores milionários distribuídos às equipes participantes.

O Fluminense, equipe brasileira com melhor desempenho na competição, garantiu aproximadamente R$331 milhões em prêmios por chegar à semifinal. Já o Palmeiras, eliminado nas quartas de final pelo Chelsea, faturou cerca de R$ 218 milhões. Flamengo e Botafogo, que caíram ainda nas oitavas, receberam, respectivamente, R$ 151 milhões e R$ 145 milhões.

Mas o faturamento das equipes brasileiras esbarram em grandes tributações, que já iniciam nos Estados Unidos. Por ser o país-sede do torneio, há a aplicação de 30% de imposto sobre todos os valores pagos a entidades estrangeiras, incluindo clubes de futebol. A cobrança é válida para países que não possuem tratado de bitributação com os EUA, como é o caso do Brasil. Ou seja, a tributação incide diretamente sobre o valor creditado nos Estados Unidos.

“O imposto de renda americano é de 30% sobre valores pagos a entidades estrangeiras cujos países de origem não possuam tratado para evitar bitributação. Esse percentual incide sobre a parcela recebida nos EUA, e não sobre valores pagos previamente no Brasil”, explicou à CNN Brasil o advogado tributarista Aristóteles de Queiroz Camara.

Impostos nacionais

Além do imposto norte-americano, a forma como os clubes brasileiros estão constituídos juridicamente também influencia na incidência de tributos em território nacional.

Segundo o advogado, associações sem fins lucrativos, como é o caso do Palmeiras, estão isentas do pagamento de tributos sobre premiações. Já as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), modelo empresarial que vem ganhando espaço no Brasil, devem recolher tributos equivalentes a 5% da receita bruta.

“No caso das SAFs, aplica-se uma alíquota unificada de 5% sobre a premiação, que abrange tributos federais diversos. Já os clubes que operam como associações não pagam impostos sobre esse tipo de receita”, afirma o especialista. Ele ressalta ainda que não há incidência de impostos estaduais ou municipais sobre essa premiação, lógica semelhante à aplicada no Brasileirão e em outras competições nacionais.

Entre os clubes brasileiros participantes do Mundial, somente o Botafogo atua sob o regime de SAF, sendo controlado pelo grupo norte-americano Eagle Football Holdings, do empresário John Textor.

Premiações generosas

Os valores pagos pela Fifa são escalonados conforme o desempenho na competição. Cada vitória na fase de grupos, por exemplo, rende US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 11 milhões), enquanto um empate garante US$ 1 milhão.

Confira os valores por fase:

  • Oitavas de final: US$ 7,5 milhões

  • Quartas de final: US$ 13,1 milhões

  • Semifinal: US$ 21 milhões

  • Vice-campeão: US$ 30 milhões

  • Campeão: US$ 40 milhões

A depender da confederação, os clubes recebem também quantias fixas por participação. Os times sul-americanos, por exemplo, recebem US$ 15,2 milhões apenas por integrarem o torneio. Já os clubes da UEFA têm prêmios que variam entre US$ 12,8 milhões e US$ 38,1 milhões, enquanto os representantes da Concacaf, Ásia e África recebem US$ 9,5 milhões. A Oceania, com menor peso competitivo, é contemplada com US$ 3,5 milhões.

Foto: (Gilvan de Souza/Flamengo, Marcelo Gonçalves/Fluminense, Cesar Greco/Palmeiras e Vitor Silva/Botafogo)

Com informações da CNN Brasil

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