Você tem entre 35 e 50 anos, está dormindo mal, sente irritação sem motivo e percebe que seu ciclo menstrual mudou? Talvez não seja estresse. Pode ser perimenopausa.
A fase que antecede a menopausa ainda é pouco conhecida, mas pode durar de quatro a dez anos e provocar alterações físicas, emocionais e metabólicas importantes. Especialistas alertam que reconhecer os primeiros sintomas e buscar acompanhamento médico precoce faz toda a diferença para preservar a saúde e a qualidade de vida.
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), cerca de 17 milhões de brasileiras vivem o climatério, período que engloba a transição para a menopausa, conhecida como perimenopausa.
O que é a perimenopausa?
A perimenopausa é a fase de transição em que os ovários começam a reduzir gradativamente a produção de estrogênio e progesterona. Nessa etapa, a mulher ainda pode menstruar e engravidar, porém os ciclos tornam-se cada vez mais irregulares.
A menopausa, por sua vez, só é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar. No Brasil, ela ocorre, em média, entre 48 e 50 anos, embora a transição possa começar vários anos antes.
Principais sintomas
Os sinais variam bastante de mulher para mulher, mas os mais frequentes incluem:
* irregularidade menstrual;
* ondas de calor (fogachos);
* suor noturno;
* insônia;
* ansiedade e irritabilidade;
* alterações de humor;
* dificuldade de concentração e “névoa mental”;
* diminuição da libido;
* ressecamento vaginal;
* dores nas articulações;
* ganho de peso, especialmente abdominal;
* fadiga persistente.
Além dos sintomas imediatos, a queda hormonal aumenta o risco de osteoporose, doenças cardiovasculares e alterações metabólicas, reforçando a importância do acompanhamento médico.
Como é feito o tratamento?
O tratamento deve ser individualizado e depende da intensidade dos sintomas, da idade, do histórico clínico e dos fatores de risco de cada paciente.
As opções incluem:
* Terapia hormonal da menopausa (quando indicada e sem contraindicações);
* medicamentos não hormonais para sintomas específicos;
* lubrificantes e hidratantes vaginais;
* atividade física regular;
* alimentação equilibrada;
* controle do estresse;
* acompanhamento psicológico, quando necessário;
* suplementação de cálcio e vitamina D em casos indicados.
A terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres. Pessoas com histórico de câncer de mama, AVC, infarto ou outras condições específicas precisam de avaliação individualizada por um ginecologista.
É possível prevenir?
A perimenopausa é uma fase natural da vida e não pode ser evitada. No entanto, hábitos saudáveis ajudam a reduzir os sintomas e prevenir complicações.
Os especialistas recomendam:
* praticar exercícios físicos regularmente;
* manter alimentação rica em frutas, verduras, proteínas magras e cálcio;
* evitar cigarro e excesso de álcool;
* controlar peso corporal;
* dormir adequadamente;
* realizar exames preventivos periodicamente;
* manter acompanhamento ginecológico regular.
Essas medidas também reduzem o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e diabetes após a menopausa.
Atendimento pelo SUS
Mulheres com sintomas da perimenopausa podem procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Na Atenção Primária, o SUS oferece:
* avaliação clínica;
* exames quando necessários;
* acompanhamento multiprofissional;
* orientação sobre mudanças no estilo de vida;
* encaminhamento ao ginecologista quando indicado;
* acesso aos tratamentos disponíveis na rede pública conforme avaliação médica.
Em 2026, o Ministério da Saúde publicou um manual específico para fortalecer a atenção integral às mulheres na transição menopausal e na pós-menopausa, reforçando o cuidado preventivo, o diagnóstico precoce e a individualização do tratamento.
Dormir mal, esquecer as coisas, sentir calor repentino e irritação constante nem sempre são sinais de estresse. Para milhões de mulheres, esses podem ser os primeiros sintomas da perimenopausa. Conhecer essa fase é o primeiro passo para cuidar da saúde.
Você reconheceu algum desses sintomas? Compartilhe esta matéria com outras mulheres. Informação de qualidade pode antecipar o diagnóstico, reduzir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida.


