Um vídeo divulgado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) nesta quinta-feira mostra o momento em que o síndico Cléber Rosa de Oliveira ataca a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, no subsolo do prédio onde ambos moravam, em Caldas Novas. A gravação foi extraída do celular da vítima, localizado na tubulação de esgoto do edifício, conforme confirmaram investigadores durante entrevista coletiva.
Daiane ficou desaparecida por 42 dias, desde 17 de dezembro, quando desceu ao subsolo para religar a energia do apartamento. Câmeras de segurança do elevador registraram o momento em que ela se desloca até o andar onde ficam os disjuntores. A corretora levou o celular e filmou todo o trajeto até o instante da agressão.
Nas imagens, ela comenta que a concessionária de energia não havia realizado o corte do fornecimento e afirma que iria verificar o disjuntor do apartamento 402. Ao chegar ao subsolo, encontra o síndico.
— Cheguei na recepção, a Equatorial não veio cortar. Claro, porque está pago. Agora vou descer lá embaixo para ver se o disjuntor está desligado. Vou apertar aqui [botão do elevador] e vou gravar. S1, onde ficam os disjuntores. Vou atrás do disjuntor do 402, e a gente vai filmar — diz.
Assim que a porta do elevador se abre, Daiane avista Cléber.
— Ah, olha quem eu encontro. Acabou de desligar minha energia no 402. Vamos ver se essa brincadeira continua. Mas o síndico está aqui embaixo, isso eu sei. Acho que o 402 fica aqui — afirma, pouco antes de ser surpreendida e soltar um grito.
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Até o crime, ao menos 12 processos envolvendo Cléber e Daiane tramitavam na Justiça, incluindo ações por crimes contra a honra e perseguição. Segundo a investigação, as disputas administrativas, judiciais e pessoais entre os dois ajudam a esclarecer a motivação do homicídio. A polícia sustenta que o síndico aguardava a corretora no local, usando luvas, o que indicaria premeditação.
— Ele estava com luvas nas duas mãos e com a capota da caminhonete aberta. Posicionou o veículo próximo ao ponto onde pretendia abordar a Daiane — declarou o delegado João Paulo Mendes durante a coletiva.
Corpo foi encontrado em área de mata
O corpo da corretora foi localizado em uma área de mata na mesma cidade do sul de Goiás. Em nota enviada ao g1, a defesa do síndico informou que ainda não teve acesso completo aos documentos da investigação e que só irá se manifestar após analisar todo o material.
A Polícia Civil detalhou que o caso teve início como desaparecimento, mas foi encaminhado ao núcleo de Homicídios diante da ausência de contato da vítima e das circunstâncias consideradas suspeitas.

Desde o começo, os investigadores descartaram a hipótese de desaparecimento voluntário. Daiane não levou objetos pessoais essenciais, não movimentou contas bancárias e o celular deixou de emitir sinais logo após o último registro. Também não havia histórico de fuga, depressão ou planejamento de viagem.
Com o avanço das apurações, surgiram indícios de crime violento, como a interrupção atípica de energia, relatos de testemunhas e análises periciais. O síndico passou a ser o principal suspeito após apresentar versões contraditórias sobre horários, procedimentos realizados e a ida da vítima ao subsolo. Não houve registro de que Daiane tenha deixado o prédio com vida.
A investigação apontou ainda um padrão compatível com ocultação de cadáver. Dados telefônicos indicaram deslocamentos do investigado em horários considerados críticos e ausência de comunicação no período compatível com o crime e o transporte do corpo.
Cléber foi preso, confessou o homicídio e indicou o local onde havia deixado o corpo e o celular da vítima. Em interrogatório, relatou ter discutido com Daiane e entrado em luta corporal ao tentar tomar o aparelho, antes de efetuar um disparo que classificou como “supostamente acidental”. Depois, afirmou ter transportado o corpo em seu veículo e o abandonado às margens de uma rodovia.
De acordo com a Polícia Civil, Daiane foi atingida por dois tiros. Os disparos teriam ocorrido fora do prédio, já que, no subsolo, poderiam ser ouvidos na recepção. Uma das balas ficou alojada na cabeça da corretora.
*Com informações de O Globo




