O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso na quarta-feira (18), em São José dos Campos, suspeito de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves, e tentar simular um suicídio. O caso é investigado como feminicídio e fraude processual.
O crime ocorreu no dia 18 de fevereiro, no bairro do Brás, região central da capital paulista. A Justiça aceitou a denúncia contra o militar e decretou sua prisão preventiva. Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes.
Mensagens revelam comportamento controlador
De acordo com as investigações, mensagens de WhatsApp obtidas pela polícia indicam um comportamento controlador e misógino por parte do suspeito. Nos diálogos, ele se autodenominava “macho alfa” e exigia que a esposa fosse uma “fêmea beta obediente”.
As conversas mostram ainda que ele impunha restrições à vítima, proibindo-a de cumprimentar outros homens, usar determinadas roupas e frequentar espaços públicos. Em uma das mensagens, afirmou que “rua é lugar de mulher solteira à procura de macho”. Também há relatos de cobranças por relações sexuais, sob o argumento de que era o provedor da casa.
Perícia descarta suicídio
Inicialmente tratado como possível suicídio, o caso ganhou novos contornos após a análise pericial. Segundo os laudos, há indícios de que o tenente-coronel segurou a cabeça da vítima e efetuou o disparo, o que afasta a hipótese de que Gisele tenha tirado a própria vida.
Com base nas evidências, o Ministério Público denunciou o militar por feminicídio — crime caracterizado pela morte de uma mulher em contexto de violência de gênero — e por tentativa de manipular a cena do crime.
Defesa contesta acusações
A defesa de Geraldo Neto nega as acusações e questiona a competência da Justiça Militar para julgar o caso. Os advogados sustentam que o episódio deve ser analisado em outra esfera do Judiciário.
O caso segue em investigação e reacende o debate sobre violência doméstica e abuso de poder em relações marcadas por controle e desigualdade de gênero.
*Com informações da CNN
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