A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) anuncia a realização de novas relações sociais, tecnológicas, políticas e ideológicas.
Atualmente o mundo constata uma dura realidade: O Estado é a única tábua de salvação para uma crise mundial. Apesar de todas as críticas sobre as ineficiências das ações dos Estados, dos agravantes problemas fiscais e dos casos de corupção, sem o Estado o mundo declinaria em segundos.
A partir do novo coronavírus, a população percebeu que o sistema público de saúde deve ser mantido no Brasil, assim como o da seguridade social. Nesse atual momento de eminente crise do sistema de saúde pública e do agravamento da crise econômica, você consegue imaginar se não houvesse o Sistema Único de Saúde e as possibilidades de viabilizar pacotes de benefícios emergenciais para a população brasileira?
Passamos recentemente por uma avalanche de projetos de leis e medidas que cortaram e reduziram, consideravelmente, os direitos da população trabalhadora, e eliminou na raiz da assistência social os benefícios para as pessoas que vivem em vulnerabilidade social, renegando o reconhecimento do fato tangível que no Brasil a questão social atinge um número consideravelmente alto de pessoas. O que levou a sociedade a escolher entre direitos legais ou trabalho. É possível isso?
As relações trabalhistas determinam as relações sociais, para tanto não possuíamos mais tempo para nos relacionar afetivamente uns com os outros. O movimento acelerado e frenético da reestruturação do mundo do trabalho, através das terceirizações, quarteirizações e o fortalecimento do empreendedorismo, nesse momemto da pandemia do novo coronavírus, afetou de forma negativa todas as pessoas que realizam trabalho dentro desse seguimento que não requer legislações de amparo e garantias de saúde, social e econômica para muitas pessoas.
A competitividade e a meritocracia nessa atual conjuntura chocam-se com a desaceleração obrigatória e a paralização dos ponteiros do tempo. Em consequência disso, as pessoas estão tendo que olhar umas para as outras e reconhecer em si, e no outro, novos sentidos e novas formas de viverem. No entanto, questionamentos sobre as formas de se relacionar estão aflorando e nos levando a indagar em que situação nos encontrávamos no que concerne ao carinho, cuidado, afeto e solidariedade. Quais os resultados queremos colher após essas mudanças impostas tão abruptamente?
Após constantes ataques à Ciência, à Educação e à Universidade, nesse momento de pandemia, estamos nos vendo orando e torcendo juntos em uma única direção: o encontro da cura dessa doença! Quem nos disse que o conhecimento científico deve estar desassociado da conhecimento e práticas religiosas? TUDO está CONECTADO.
Grande parte das pessoas estão tendo que parar e escolher dentre as prioridades humanas as que garantam a existência, e qual é a mais importante? O trabalho ou a vida? Lembrando que para subexistir precisamos da união dos dois.
O olhar das pessoas se voltam para o mundo e o mundo não para e nem vive em função dessas pessoas. Portanto, em que direção devemos correr? Acredito que a grande questão não seja a direção e sim o ponto final, ou seja, onde queremos chegar depois desse sacolejo?
O ponto de partida é o agora!
Para este momento, precisamos mudar as normas de comportamentos. Precisamos nos colocar no lugar de ator principal nesse cenário. Aqui, nesse momento, não há super héroi. Essa batalha não se vence sozinho ou sozinha e tãopouco em grupos fechados e nem se posicionando em oposição ou situação que gere conflitos. Por essa razão, precisamos mais do que nunca estar todos juntos! Nossas vozes e nossas ações devem se alinhar em busca de uma nova era para a nação, onde a justiça social e a honestidade sejam os verdadeiros sentidos que faça valer à pena a cada um de nós.
Cada pessoa deve assumir o compromisso de realizar os seus deveres e exigir a efetivação dos seus direitos, onde o sujeito possa reescrever a sua história e acreditar que a mudança é possível e deve iniciar dentro de cada um de nós, estendendo-se a cada família e a toda comunidade.
Por Erica Lima
Graduada em Serviço Social. Mestra em História da Saúde. Professora, empresária, pesquisadora, repórter e diretora do Portal Manaós.


