Jessem Orellana, epidemiologista da Fiocruz, apresentou diversos trabalhos sobre o quadro epidemiológico do Amazonas desde o início da pandemia. Ao lado de Lucas Ferrante, biológo especialista do INPA, foram precursores da discussão sobre a segunda onda da Covid-19.
Na época, tiveram seus trabalhos menosprezados por instituições de pesquisa e foram chamados de alarmistas. Após alguns meses, o Amazonas passava por umas das piores crises sanitárias da história.
Ontem, Jesem Orellana fez um desabafo em sua rede social. Afirmou que, enquanto agências internacionais fazem ampla divulgação do seu trabalho, a instituição que ele integra finge não conhecer suas publicações por ele contrariar os ‘caprichos’ do presidente Jair Bolsonaro.
“Enquanto agências internacionais de notícias como a ‘Reuters’, ‘The Independent’ ou credenciados sites científicos como o ‘New Scientist’, fazem ampla difusão de trabalho de interesse global (https://www.nature.com/articles/s41893-021-00684-9), em especial para a Amazônia brasileira, a comunicação institucional da Fiocruz, o que inclui a comunicação da minha unidade, Fiocruz/Amazônia, fingem que não conhecem o trabalho, que assino com outro colega da Fiocruz do Rio de Janeiro”, iniciou.
Segundo Jesem, a divulgação de suas matérias sofre constantes vetos da instituição por não seguir a cartilha política de flexibilização do lockdown proposta pelo Governo Federal.
“Não importa se o artigo é um dos mais apreciados no portfólio do grupo “Nature”, um dos mais importantes do mundo científico. Importa mesmo é filtrar nossa produção e atuação. No entanto, esse esforço, iniciado em 2020, quando contrariei os caprichos do presidente Bolsonaro sobre a eficácia do lockdown, é estéril e só apequena os responsáveis, que vivem buscando prestígio com política e não com a geração de conhecimento. Talvez prefiram as vantagens pessoais, acreditando que seus espúrios cargos são vitalícios”.
O epidemiologista defende veementemente a adoção de medidas rígidas de restrição para evitar o avanço do Coronavírus. Em suas últimas pesquisas, alerta sobre a possibilidade de uma terceira onda e defende a imunização em pelo menos 70% da população para que, de fato, o vírus seja contido
- Fonte: Redação Portal Manaós
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