O avanço dos testes de mapeamento genético está transformando a prevenção do câncer de mama no Brasil. Cada vez mais utilizado na medicina, o exame consegue identificar predisposições hereditárias antes mesmo da doença aparecer, permitindo que mulheres iniciem um acompanhamento médico preventivo e mais eficiente.
Mesmo com os avanços, o acesso ao exame ainda é limitado, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS), o que impede que grande parte da população tenha acesso a uma ferramenta considerada essencial para salvar vidas.
O câncer de mama continua sendo o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são cerca de 73 mil novos casos registrados por ano no país. Diante desse cenário, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo uma das maiores armas no combate à doença.
Os testes genéticos conseguem identificar mutações hereditárias, como BRCA1 e BRCA2, associadas ao aumento do risco de câncer de mama e também de ovário. A estimativa é de que entre 10% e 20% dos casos de câncer tenham origem genética familiar.
Além de detectar riscos, o exame permite personalizar o acompanhamento médico, antecipar exames e até adotar medidas preventivas antes do surgimento da doença.
“O mapeamento genético permite identificar se uma pessoa tem predisposição ao câncer antes mesmo da doença aparecer. Isso possibilita uma atuação muito mais preventiva e assertiva”, explica José Cláudio Casali, oncogeneticista do A.C. Camargo Cancer Center e parceiro da UNACCAM.
Segundo o especialista, quando uma alteração genética é identificada, toda a família também pode ser acompanhada preventivamente.
“Quando encontramos uma variante genética, conseguimos avaliar outros familiares e agir antes que a doença apareça. Passamos a atuar de forma preventiva em um grupo inteiro”, destaca.
A União e Apoio no Combate ao Câncer de Mama (UNACCAM) vem intensificando campanhas de conscientização para ampliar o acesso à informação e incentivar mulheres com histórico familiar da doença a procurarem orientação médica.
“Muitas pessoas ainda têm medo de descobrir um risco genético, mas a informação é justamente o que pode mudar a história. Conhecer o risco permite prevenir e agir antes”, afirma Clarísia Ramos, presidente da UNACCAM.
Na prática, pacientes com resultado positivo podem receber acompanhamento intensificado, realizar exames mais cedo e até acessar tratamentos direcionados para mutações específicas. Já pacientes sem alterações genéticas seguem protocolos tradicionais de prevenção.
Especialistas também apontam que o mapeamento genético pode reduzir custos no sistema de saúde, já que diagnósticos precoces costumam exigir tratamentos menos complexos e com maiores chances de cura.
Apesar disso, a oferta do exame ainda é considerada insuficiente no Brasil, principalmente na rede pública, onde faltam profissionais especializados em aconselhamento genético e acesso ampliado aos testes.
A expectativa é que o debate sobre a inclusão do mapeamento genético no SUS avance nos próximos anos, tornando a prevenção do câncer de mama mais acessível, eficiente e precisa para milhares de brasileiras.
Fonte: UNACCAM (União e Apoio no Combate ao Câncer de Mama), INCA e especialistas do A.C. Camargo Cancer Center.


