HomeSaúde & CiênciaHantavírus: surto em navio reacende alerta, mas não há pandemia

Hantavírus: surto em navio reacende alerta, mas não há pandemia

A infecção humana ocorre principalmente quando a pessoa inala poeira contaminada com fezes, urina ou saliva de roedores infectados

Por enquanto, o hantavírus não configura pandemia. O caso mais recente que chamou atenção internacional é um surto localizado, ligado ao navio de cruzeiro MV Hondius, com casos de vírus Andes, um tipo de hantavírus. A Organização Mundial da Saúde informou que, em 8 de maio de 2026, havia oito casos relacionados ao navio, sendo seis confirmados em laboratório, e três mortes. A OMS classificou o risco para a população global como baixo, embora o risco para passageiros e tripulantes tenha sido considerado moderado.

Até 11 de maio, a Reuters informou que a OMS já contabilizava sete casos confirmados ligados ao cruzeiro, com nove casos no total entre confirmados e suspeitos e três mortes.

Epidemia ou pandemia?

O cenário atual é tratado como surto, não como pandemia. Um surto ocorre quando há aumento de casos em um local ou grupo específico, como um navio, uma cidade ou uma comunidade. Uma epidemia é quando a doença se espalha de forma acima do esperado em uma região maior. Já uma pandemia acontece quando uma doença se espalha por vários países ou continentes, com transmissão sustentada e ampla na população.

No caso atual, a transmissão está concentrada em um grupo específico de viajantes. A OMS afirma que o risco global segue baixo e que a transmissão do vírus Andes entre pessoas costuma exigir contato próximo e prolongado, o que reduz o potencial de disseminação ampla como ocorreu com doenças respiratórias pandêmicas.

O que é hantavirose?

A hantavirose é uma zoonose viral aguda, ou seja, uma doença causada por vírus transmitido de animais para humanos. No Brasil, ela costuma se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, uma forma grave que pode comprometer pulmões e coração. Os reservatórios naturais são roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes.

A infecção humana ocorre principalmente quando a pessoa inala poeira contaminada com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. Também pode ocorrer pelo contato com superfícies contaminadas e, mais raramente, por mordida ou arranhão de roedores. No caso específico do vírus Andes, há registro raro de transmissão entre pessoas, sobretudo em contato íntimo, próximo e prolongado.

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Sintomas

Os sintomas podem começar como uma gripe forte: febre, dor de cabeça, tontura, calafrios, dores musculares, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Depois, a doença pode evoluir rapidamente para falta de ar, queda de pressão, tosse, dor no peito e insuficiência respiratória. A OMS informa que os sintomas geralmente aparecem de 1 a 6 semanas após a exposição, mas podem surgir entre uma e oito semanas.

Onde começou?

Historicamente, o nome hantavírus vem do vírus Hantaan, associado à região do rio Hantaan, na Coreia. O vírus foi isolado em 1978, após casos de febre hemorrágica com síndrome renal registrados entre militares durante a Guerra da Coreia. 

Nas Américas, a forma pulmonar da doença ganhou destaque em 1993, durante um surto na região de Four Corners, no sudoeste dos Estados Unidos, quando uma doença respiratória grave foi reconhecida como Síndrome Pulmonar por Hantavírus. 

No surto atual do cruzeiro, a principal hipótese da OMS é que o primeiro caso provável tenha sido infectado antes de embarcar, por exposição ambiental durante atividades na Argentina. Depois, as evidências apontam possível transmissão entre pessoas a bordo, ainda sob investigação.

Há casos no Brasil?

Sim. O Ministério da Saúde registra casos de hantavirose no Brasil em todas as regiões, com maior concentração histórica no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A doença ocorre principalmente em áreas rurais e em situações ligadas à agricultura; a letalidade média informada pelo Ministério é de 46,5%.

Segundo tabela oficial do Ministério da Saúde, atualizada em 27 de abril de 2026, o Brasil tinha 7 casos confirmados em 2026, ainda com dados preliminares. Em 2025, foram 35 casos; em 2024, 44 casos; e em 2023, 66 casos. Em 2026, os casos confirmados estavam distribuídos entre Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e um caso com local provável de infecção ignorado/em branco.

Como prevenir

A principal prevenção é evitar contato com roedores e com poeira contaminada. Em locais fechados, galpões, casas abandonadas, depósitos ou áreas rurais com sinais de ratos, a recomendação é não varrer a seco. O ideal é ventilar o ambiente, umedecer a área antes da limpeza e usar proteção adequada, especialmente quando houver fezes ou urina de roedores.

Conclusão: o hantavírus é grave e exige atenção, mas os dados atuais não indicam pandemia. O alerta internacional está ligado a um surto específico, com monitoramento de contatos e isolamento de pessoas expostas.

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