Milhares de estudantes, professores e representantes de sindicatos realizaram nesta semana uma manifestação no centro de Santiago, no Chile, contra o governo do presidente José Antonio Kast. O ato, convocado principalmente pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech) e realizado principalmente na quarta-feira, 3, foi o primeiro grande protesto desde a posse do presidente, em 11 de março, e teve como foco a rejeição aos cortes orçamentários, à redução de recursos para áreas sociais e à reforma tributária aprovada pelo governo.
Durante a mobilização, lideranças estudantis criticaram a política fiscal adotada por Kast. A porta-voz da Confech, Andrea Abarca, afirmou que o governo justifica os cortes com a necessidade de conter o déficit fiscal, mas, ao mesmo tempo, aprovou medidas que aumentam a dívida pública e reduzem impostos para grandes empresas. Segundo ela, programas voltados à alimentação escolar, acesso ao ensino superior e gratuidade universitária estariam ameaçados.
Leia mais: Chile rompe relações diplomáticas com a Venezuela às vésperas da posse de Maduro
Os manifestantes também demonstraram preocupação com os impactos dos cortes na saúde e na educação. De acordo com dados divulgados durante os protestos, o orçamento da saúde pública sofreu redução de 2,5%, equivalente a cerca de US$ 486 milhões, enquanto a educação teve corte de aproximadamente US$ 221 milhões. A insatisfação foi ampliada pela aprovação de uma reforma que reduz a tributação das empresas de 27% para 23% e concede estabilidade fiscal para grandes investimentos por até 25 anos.
A queda na popularidade de José Antonio Kast, que passou de 58% para 38% de aprovação em pouco mais de dois meses de governo, também foi citada por organizações sociais durante o ato. A manifestação chegou a registrar momentos de tensão e confrontos após alterações no trajeto originalmente previsto, que impediram a passagem dos participantes em frente ao Palácio de La Moneda, sede do governo chileno.
Ver essa foto no Instagram


