Após rumores de que poderia desistir da pré-candidatura ao Senado, o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) voltou a se posicionar, nesta terça-feira, 14, sobre seu futuro político nas Eleições 2026. Em vídeo publicado nas redes sociais, o petista falou sobre uma orientação nacional do PT, seu sentimento de frustração e que sua decisão deve ser tomada somente após seu retorno à Manaus nesta quarta-feira, 15, após temporada em Brasília.
No vídeo, Ramos afirmou que foi orientado pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) a abrir mão da pré-candidatura ao Senado nas eleições de 2026 para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Segundo ele, a mudança foi apresentada como estratégia para fortalecer a bancada petista e evitar impactos na candidatura à reeleição do senador Eduardo Braga (MDB).
Na publicação, Marcelo Ramos também negou que tenha sido convidado para coordenar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Amazonas, informação que circulava nos bastidores políticos.
“Ninguém nunca, jamais, em momento algum conversou comigo sobre ser coordenador da campanha do presidente Lula. Dito isso, na sexta-feira à tarde eu fui chamado pela direção nacional do PT e lá fui informado do entendimento da direção nacional de que eu deveria ser candidato a deputado federal para que pudesse garantir o quociente eleitoral e fazer o PT voltar à Câmara dos Deputados”, afirmou.
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Segundo Marcelo Ramos, durante a reunião foi informado de que a avaliação da direção nacional atendia a um pedido do senador Eduardo Braga. De acordo com o ex-deputado, o emedebista considerava que sua candidatura ao Senado poderia prejudicar a própria campanha e favorecer a eleição de candidatos da oposição ao presidente Lula.
“Essa ponderação era feita por um pedido do senador Eduardo Braga, que entendia que a minha candidatura atrapalharia a candidatura dele e poderia ter como consequência a eleição de dois senadores de oposição ao presidente Lula”, declarou.
Argumentos em defesa da candidatura ao Senado
Marcelo Ramos afirmou que apresentou quatro argumentos para defender a manutenção de sua pré-candidatura ao Senado, sendo dois de natureza eleitoral e dois de natureza política.
No campo eleitoral, ele argumentou que, por se tratar de uma eleição em que cada eleitor vota em dois candidatos ao Senado, a existência de duas candidaturas alinhadas ao presidente Lula ampliaria as chances de eleger representantes da base governista.
“Imagine a angústia do eleitor do presidente Lula que vai sair de casa para votar no senador Eduardo Braga e terá que escolher, no segundo voto, nomes da oposição ou anular o voto. É uma maldade com o eleitor. Uma eleição de dois votos, duas candidaturas no mesmo campo se ajudam e, mais do que isso, nós teremos a chance de eleger dois senadores da base do presidente Lula”, afirmou.
O ex-deputado também sustentou que sua candidatura seria competitiva e preencheria um espaço político voltado ao eleitorado de esquerda.
“A nossa candidatura não é uma candidatura para marcar posição, mas absolutamente viável, que iniciava com um bom número de intenção de votos e ocupava um vazio de uma candidatura mais à esquerda e mais identificada política e ideologicamente com o presidente Lula, que tem uma força enorme no interior do Amazonas e na capital”, disse.
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Do ponto de vista político, Marcelo Ramos defendeu que o PT deveria apresentar uma candidatura própria ao Senado para representar o campo progressista no Amazonas e defender as políticas do governo federal.
“O PT tinha quase que uma obrigação de oferecer uma alternativa à esquerda progressista, democrática na eleição dos senadores. Também é necessária uma candidatura majoritária que ofereça um projeto progressista no Amazonas, defenda o legado do governo do presidente Lula e enfrente o bolsonarismo. Sem a nossa candidatura, não existe nenhum outro com esse perfil”, afirmou.
Frustração e decisão em aberto
Apesar dos argumentos apresentados, Marcelo Ramos afirmou que percebeu que a direção nacional já havia consolidado o entendimento sobre sua candidatura à Câmara dos Deputados.
“Infelizmente, já havia uma tendência ou uma convicção da direção nacional. Isso faz com que eu tenha um profundo sentimento de frustração e até certa indignação. Mas esses sentimentos precisam ser menores do que a minha responsabilidade com o projeto do presidente Lula e com o futuro do país”, declarou.
O ex-deputado afirmou que ainda não definiu qual será seu futuro político e revelou que avalia três possibilidades: manter a pré-candidatura ao Senado, disputar uma vaga de deputado federal ou deixar a disputa eleitoral em 2026.
“O momento é de muita reflexão, de muita conversa. Volto para Manaus na quarta-feira, vou reunir minha família, meus amigos mais próximos, a militância do PT e conversar com pessoas importantes para que eu possa tomar uma decisão que esteja à altura da responsabilidade que eu tenho com o povo do Amazonas e com as pessoas que confiam em mim”, afirmou.
Ao encerrar o vídeo, Marcelo Ramos disse que não depende de mandato eletivo para seguir sua vida e pediu apoio dos apoiadores durante o processo de decisão.
“Eu, como homem simples que sou, tenho uma vida confortável com minha família na minha vida privada. Não preciso de mandato eletivo, de cargo público. Preciso estar de consciência tranquila, de coração leve para viver em paz. Quero terminar esse vídeo pedindo a sua oração, a sua palavra e o seu comentário sobre qual é a melhor decisão que eu possa tomar daqui para frente”, concluiu.
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