Lideranças evangélicas declararam apoio à pré-candidatura do governador Roberto Cidade (União Brasil) à reeleição durante um encontro realizado na noite desta terça-feira (28), no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste de Manaus.
Segundo os organizadores, mais de 600 pastores, apóstolos e outros representantes de igrejas participaram da reunião. O número de presentes não teve confirmação independente.
O encontro ocorreu durante o período de pré-campanha das eleições de 2026. Cidade anunciou, no início de julho, que pretende concorrer à permanência no Governo do Amazonas. A candidatura, no entanto, ainda precisa ser confirmada em convenção partidária.
A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas, marcou para 4 de agosto a convenção que deverá homologar o nome de Cidade para a disputa pelo governo estadual. A federação foi registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral em março de 2026.
Cidade fala sobre permanência no governo
Durante o encontro, Roberto Cidade discursou sobre religião, família e participação política. Ele também afirmou que pretende permanecer no comando do Executivo estadual por mais quatro anos.

“Eu não vou me acovardar. Nós precisamos governar por mais quatro anos e levar nosso estado cada vez mais para o caminho do desenvolvimento. Eu estou de corpo e alma nesse projeto”, declarou.
Em outra parte do discurso, Cidade disse que considera a igreja uma instituição relevante para a organização familiar e para a transmissão de valores sociais. A manifestação foi direcionada aos representantes religiosos presentes no evento.
O governador participou da reunião acompanhado da primeira-dama do Amazonas, Thaisa Cidade.

Roberto Cidade assumiu o Governo do Amazonas de forma interina em abril, depois das renúncias do então governador Wilson Lima e do vice-governador Tadeu de Souza. Em 4 de maio, ele foi eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa do Amazonas para cumprir o restante do mandato, até janeiro de 2027.
A chapa formada por Cidade e pelo vice-governador Serafim Corrêa recebeu os 24 votos dos deputados estaduais. A eleição indireta ocorreu porque os cargos de governador e vice ficaram vagos nos dois últimos anos do mandato.
Representantes religiosos discursam no encontro
O pastor Renê Terra Nova também discursou durante a reunião. Na fala, ele relacionou religião, consciência individual e responsabilidade dos administradores públicos.

“Quando a fé habita o coração, a consciência desperta e nos ensina a cuidar da nossa terra e da nossa gente com o respeito que Deus exige de nós”, afirmou.
O encontro também contou com a participação de Marcel Alexandre e de representantes de diferentes igrejas e grupos religiosos. A divulgação do evento não apresentou uma lista completa das instituições representadas.
Embora o material distribuído pela organização tenha mencionado ações sociais realizadas pelo grupo político de Cidade, como atendimento a famílias vulneráveis, recuperação de dependentes químicos e capacitação profissional, não foram apresentados dados, períodos de execução ou resultados que permitissem verificar essas iniciativas.
Aliados políticos participam da reunião
Além de religiosos, aliados de Roberto Cidade compareceram ao encontro. Entre eles estavam o ex-governador e pré-candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil), o deputado estadual Felipe Souza (Podemos) e a vereadora de Manaus Thaysa Lippy (União Brasil), apontada como pré-candidata a deputada federal.
Wilson Lima renunciou ao Governo do Amazonas em abril para ficar apto a disputar outro cargo nas eleições de outubro. A saída dele, acompanhada da renúncia do então vice-governador Tadeu de Souza, abriu caminho para a eleição indireta vencida por Cidade.
Os participantes integram ou apoiam o grupo que deverá apresentar candidaturas pela Federação União Progressista e por partidos aliados nas eleições estaduais.
Amazonas tem terceira maior proporção de evangélicos
O apoio de representantes religiosos ocorre em um estado onde o segmento evangélico corresponde a uma parcela significativa da população.
Dados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022 apontam que 39,37% dos moradores do Amazonas com 10 anos ou mais se declararam evangélicos. O percentual coloca o estado na terceira posição nacional, atrás do Acre e de Rondônia.
Em 2010, os evangélicos correspondiam a 30,56% da população amazonense na mesma faixa etária. Portanto, o crescimento registrado até 2022 foi de 8,81 pontos percentuais.
No país, 26,9% da população com 10 anos ou mais declarou seguir religiões evangélicas. O percentual nacional é inferior ao verificado no Amazonas.
Os dados ajudam a dimensionar a presença social e eleitoral do segmento religioso no estado. O levantamento do IBGE, contudo, identifica a religião declarada pelos moradores e não indica preferência partidária ou intenção de voto.


