Neste domingo (9), Dia dos Pais, a emissora Band deu o pontapé inicial na temporada de debates entre os candidatos ao Governo do Amazonas nas eleições de 2026. David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo (PL) e Isael Munduruku (Rede Sustentabilidade) se reuniram para apresentar e debater propostas para o eleitor amazonense.
Este primeiro debate também foi marcado pela ausência do governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (UB), que informou, por meio de nota, que não participará de debates ou sabatinas antes do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto. A ausência do governador no debate foi amplamente apontada e criticada pelos seus adversários.
Outro motivo apontado pela equipe de Cidade foi uma avaliação feita pelo próprio candidato, que considerou que o debate concentraria eventuais críticas dos adversários contra o governo. David Almeida, em 2024, utilizou a mesma justificativa para não comparecer aos debates durante a disputa pela reeleição à Prefeitura de Manaus no primeiro turno.
No geral, o primeiro debate foi morno, com algumas elevações de temperatura. Cada candidato jogou seguro naquilo que considera mais forte em sua caminhada. Entre as propostas, sempre houve espaço para acusações, troca de farpas e até algumas falas equivocadas.

O primeiro debate não fugiu, em geral, daquilo que o eleitor esperava, tanto do ponto de vista dos eleitores quanto de especialistas. Em conversa com a reportagem de O Convergente, o professor e cientista político Helso Ribeiro observa que a fórmula de debate com mais de três candidatos, submetida a regras de tempo, acaba “engessando um pouco uma discussão que poderia mostrar, de fato, conhecimentos”.
“Eu penso que a fórmula de debate, um minuto para perguntar, um minuto e meio para responder, um minuto de réplica, um de tréplica, acaba engessando muito porque, com quatro candidatos, com quatro pessoas debatendo, fica difícil você desenvolver um argumento nesse limite de tempo que tem. Então, hoje, a grande maioria, você vê todos ali com nível superior, todos com muito preparo intelectual de nível superior”, explica o professor.
Mesmo com essa fórmula, Helso acredita que houve pontos positivos e negativos. Entre os aspectos negativos, ele aponta a ausência de candidatos. Além de Roberto Cidade, Gilberto Vasconcelos (PSTU) e Cabo Daciolo (Mobiliza) não foram convidados, dada a falta de representatividade de seus respectivos partidos na Câmara.
“Quem vai, eu penso que já ganha um ponto, sai na frente. Quem não vai, ou por desistência ou pelo fato de a lei não contemplar sua participação, sai perdendo.”
Sem citar o nome de Roberto Cidade, o especialista explica que a ausência do governador pode não refletir diretamente no resultado que ele possa vir a ter nas urnas.
“Na eleição para prefeito, quem ganhou foi o David Almeida, que não foi a nenhum debate no primeiro turno. Então, a assessoria às vezes fica medindo ataques, ganhos, e o candidato acaba seguindo essa orientação da sua assessoria”, exemplifica.
Para o eleitor, faltou!
Para aquele eleitor que vem acompanhando as entrevistas dos candidatos desde o período de pré-campanha, certamente não houve surpresa com as propostas já apresentadas. Essa é a opinião de Carolina Nunes, de 27 anos, que, embora admita ter se divertido com as trocas de farpas protagonizadas por David Almeida e Maria do Carmo, sentiu que faltou falar ao cidadão o que esperar de suas possíveis gestões.
“Algumas propostas ainda estão meio rasas. Percebi discursos prontos e coisas calculadas, como, por exemplo, mais ataques a adversários e menos propostas. Se tem alguma ideia para o nosso Estado, já é algo calculado que já vimos na maioria das convenções/reuniões, como o discurso de zerar a fila do SISREG”, aponta Carolina, que espera que os próximos debates sejam mais focados em detalhar os planos para o Amazonas.
“Que tenham menos justificativas e mais propostas”, completou.
Aldo Ramires, de 21 anos, também acompanhou o primeiro debate entre os candidatos e, entre os pontos fracos, aponta como principal problema “não ter a presença do governador”. Ramires também acredita que faltou detalhar como cada candidato pretende executar seus projetos e deixa claro o que espera dos próximos encontros entre os candidatos.
“A presença do governador e a apresentação do conteúdo dos candidatos. Muita promessa, mas nenhum explicou o que vai fazer para poder funcionar”, refletiu, embora também admita que gostou daquilo que chamou de “os bate e voltas entre David Almeida e Maria do Carmo”.
A campanha eleitoral começa oficialmente no dia 16 de agosto. Até lá, mais propostas e debates virão. Resta saber se o anseio da população será atendido pelos candidatos nos próximos encontros e, principalmente, se o governador se fará presente nesses embates.
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