O Irã deve se tornar, em breve, membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira multilateral ligada aos Brics. A expectativa foi anunciada pelo presidente do Banco Central iraniano, Abdolnaser Hemmati, nesta quarta-feira (12).
Conhecido como “banco dos Brics”, o NDB foi criado pelos integrantes originais do bloco — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — com o objetivo de financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes e países em desenvolvimento.
O acordo para a criação da instituição foi assinado em 2014, durante a Cúpula dos Brics realizada em Fortaleza, no Ceará. O banco começou a operar oficialmente no ano seguinte e tem sede em Xangai, na China. Atualmente, é presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff.
A instituição atua como uma fonte multilateral de financiamento para projetos em setores como energia, transportes, saneamento, infraestrutura urbana e desenvolvimento sustentável, ampliando as alternativas disponíveis aos países membros além das instituições financeiras internacionais tradicionais.
Irã busca ampliar alternativas financeiras
A possível entrada no NDB ocorre dois anos após o Irã ingressar formalmente nos Brics, em 2024, durante o processo de expansão do grupo. Desde então, Teerã tem demonstrado interesse em ampliar sua participação nas estruturas econômicas e financeiras vinculadas ao bloco.
A adesão ao banco poderá abrir novas possibilidades de financiamento para projetos iranianos, especialmente diante das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e das restrições enfrentadas pelo país para acessar parte do sistema financeiro internacional.
Nesse cenário, a aproximação com o NDB também está relacionada à estratégia iraniana de ampliar relações econômicas com países emergentes e reduzir a dependência de mecanismos financeiros tradicionalmente vinculados ao dólar.
Dentro dos Brics, os integrantes vêm discutindo iniciativas para aumentar a utilização de moedas nacionais nas operações comerciais e financeiras, além de mecanismos capazes de facilitar pagamentos entre os países.
Expansão dos Brics
A possível adesão iraniana ao NDB também representa mais um desdobramento da expansão dos Brics. A ampliação do grupo aumentou sua presença econômica e geopolítica, mas também trouxe países com diferentes interesses e posicionamentos sobre temas internacionais.
Essa diversidade tem provocado desafios para a construção de consensos, especialmente diante de conflitos e disputas geopolíticas envolvendo alguns dos integrantes.
Caso a entrada do Irã seja formalizada, o país passará a ampliar sua presença não apenas na articulação política dos Brics, mas também em uma das principais instituições financeiras associadas ao grupo, fortalecendo sua busca por novas fontes de recursos para projetos de desenvolvimento.


