A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acusou integrantes do PL de tentarem atrasar a aprovação do fim da escala 6×1 no Senado e fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em vídeo publicado nas redes sociais, a parlamentar chamou o presidenciável de “arregão” e voltou a desafiá-lo a se posicionar sobre o tema.
A reação ocorreu após os senadores Hermes Klann (PL-SC) e Izalci Lucas (PL-DF) apresentarem cinco emendas à PEC que reduz a jornada máxima de trabalho e garante dois dias de descanso semanal remunerado.
“Eles não querem que a escala 6×1 acabe ainda esse ano”, declarou Erika no vídeo.
A PEC 221/2019 está atualmente na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado e tem o senador Omar Aziz (PSD-AM) como relator. O texto aprovado pela Câmara estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, além de dois dias de repouso remunerado.
Erika cobra Flávio
No vídeo, Erika direcionou boa parte das críticas a Flávio Bolsonaro. A deputada afirmou que o senador deveria apresentar publicamente seus argumentos caso seja contrário à redução da jornada.
“Se é contra o trabalhador, se é contra o fim da escala 6×1 e quer ser presidente do nosso país, coloca a cara para assumir as suas posições”, afirmou.
Erika também acusou Flávio de atuar por meio de aliados para dificultar o avanço da proposta no Congresso.
A declaração ocorre em meio ao embate político provocado pela tramitação da PEC. Flávio Bolsonaro tem defendido alternativas relacionadas à negociação entre empregadores e trabalhadores para definição da jornada.
Emendas provocam reação
As cinco emendas citadas inicialmente por Erika foram apresentadas na terça-feira (25). Duas partiram de Hermes Klann e outras três de Izalci Lucas.
Entre os pontos discutidos estão mudanças nas regras de transição e possibilidades de flexibilização da jornada por negociação.
Para Erika, as alterações podem reduzir o alcance da proposta e retardar a entrada em vigor das novas regras.
A parlamentar afirmou que algumas ideias já foram discutidas durante a tramitação na Câmara e garantiu que trabalhará para impedir mudanças que, na avaliação dela, enfraqueçam o texto.
“Não vamos deixar vocês ficarem se articulando aí no Senado para atrasar a nossa PEC de avançar. É fim da escala 6×1 já”, declarou.
Debate entra na disputa política
A discussão sobre a jornada de trabalho ganhou ainda mais peso com a proximidade das eleições. Enquanto defensores da PEC pressionam por uma votação rápida, integrantes da oposição apresentam mudanças e defendem maior discussão sobre os impactos para empresas e trabalhadores.
Erika, que apresentou a PEC 8/2025, posteriormente incorporada à discussão que resultou no texto aprovado pela Câmara, vem atuando como uma das principais vozes políticas em defesa do fim da escala 6×1.
Já no Senado, a proposta segue sob relatoria de Omar Aziz, que pretende apresentar seu parecer sobre a matéria antes da votação na CCJ.
O confronto entre Erika e Flávio amplia a dimensão eleitoral do debate. Além da discussão sobre jornada e descanso, o andamento da PEC passou a colocar os posicionamentos dos presidenciáveis e de seus aliados no centro da disputa política nacional.
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