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Amazonino Mendes: conheça a trajetória, obras e controvérsias do “Negão”, vencedor de sete eleições no Amazonas

A figura de Amazonino Mendes é cercada por mitos e reinterpretações históricas

Quatro mandatos como governador, três passagens pela Prefeitura de Manaus, uma cadeira no Senado Federal e jingles que atravessaram gerações. Amazonino Armando Mendes deixou obras históricas, programas sociais, controvérsias marcantes e um questionamento que ainda divide o Amazonas: teria sido ele o maior líder político que o estado já teve?

A trajetória de um dos personagens mais longevos e controversos da política amazonense revela que Amazonino não foi apenas governador ou prefeito. Ao longo de quatro décadas, consolidou uma marca eleitoral sustentada por três pilares: a origem cabocla, a execução de grandes obras públicas e uma comunicação visceral com as camadas populares.

A Origem: O Caboclo de Eirunepé

Nascido em 16 de novembro de 1939, no município de Eirunepé, interior do Amazonas, Amazonino era filho de Armando de Sousa Mendes e Francisca Gomes Mendes. Formou-se em Direito pela antiga Universidade do Amazonas (atual UFAM) e, antes de ingressar na vida pública, atuou como empresário do setor da construção civil.

Sua ascensão ao poder ocorreu sob a tutela de Gilberto Mestrinho, seu padrinho político. Em 1983, Mendes foi nomeado prefeito de Manaus, em um período no qual os gestores das capitais não eram eleitos pelo voto direto. A experiência na administração municipal e a visibilidade alcançada projetaram-no para sua primeira grande vitória nas urnas: a eleição para o Governo do Amazonas, em 1986.

A partir dali, nascia a figura do “Negão” — o líder de linguagem simples e estilo popular, capaz de transitar entre as elites e criar uma ponte direta com a população.

O Cartão de Visitas Eleitoral: 12 Disputas no Currículo

Ao longo de sua vida pública, Amazonino disputou 12 eleições majoritárias registradas, acumulando sete vitórias e cinco derrotas:

AnoCargoResultado
1986Governador do AmazonasEleito
1990SenadorEleito
1992Prefeito de ManausEleito
1994Governador do AmazonasEleito
1998Governador do AmazonasReeleito
2004Prefeito de ManausNão eleito
2006Governador do AmazonasNão eleito
2008Prefeito de ManausEleito
2017Governador (Eleição Suplementar)Eleito
2018Governador do AmazonasNão eleito
2020Prefeito de ManausNão eleito
2022Governador do AmazonasNão eleito

Uma de suas vitórias mais emblemáticas ocorreu em 2017, quando retornou ao Governo do Estado aos 77 anos. Na eleição suplementar daquele ano, venceu Eduardo Braga no segundo turno com 59,21% dos votos válidos.

Nas disputas seguintes, contudo, o resultado das urnas foi desfavorável. Em 2018, chegou ao segundo turno das eleições estaduais, mas foi derrotado por Wilson Lima. Em 2020, ficou próximo de reassumir a Prefeitura de Manaus, alcançando 48,73% dos votos contra 51,27% de David Almeida. Por fim, em 2022, aos 82 anos, disputou sua última campanha ao governo, terminando em terceiro lugar, com 18,56% dos votos.

O Legado em Concreto e Ações Sociais

Amazonino construiu sua imagem pública sob o estigma do gestor realizador, com governos marcados pela expansão da infraestrutura na capital e no interior. Seu portfólio de obras e programas inclui:

  • Educação e Cultura: Criação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), construção do Bumbódromo de Parintins e do Sambódromo de Manaus.
  • Saúde: Construção dos hospitais e prontos-socorros 28 de Agosto, João Lúcio e Francisca Mendes, além da implantação dos Caics e Caimis.
  • Mobilidade e Infraestrutura: Reforma e ampliação do antigo Estádio Vivaldo Lima; urbanização da Ponta Negra; construção dos complexos viários Gilberto Mestrinho e do São José, além da passagem subterrânea Antônio Simões.
  • Social e Lazer: Cidade da Criança, e programas socialmente marcantes como Leite do Meu Filho, Bolsa Universidade e Banco da Gente.
  • Interiorização: Construção de escolas, unidades de saúde e obras de infraestrutura nos municípios do interior do estado.

Dentre todas as realizações, a UEA ocupava um lugar central. O próprio ex-governador a apontava como seu maior legado, destacando a descentralização do ensino superior público para os jovens do interior. Analistas ressaltam, contudo, que grandes projetos públicos frequentemente envolvem múltiplas gestões, etapas e financiamentos, devendo a contribuição de Amazonino ser compreendida em conjunto com o contexto histórico e a participação de outros governos.

As Controvérsias e as Crises de Imagem

A longa permanência no poder também trouxe questionamentos judiciais, denúncias e episódios marcados por declarações polêmicas.

Em 2004, o Ministério Público Federal apresentou denúncia por suposta corrupção passiva em processos licitatórios — acusação negada por Amazonino. Na mesma época, o valor e a compatibilidade do patrimônio de sua residência no bairro Tarumã geraram debates públicos. Outras disputas envolveram pleitos eleitorais; em 2008, seu nome integrou uma lista divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), mas foi retirado posteriormente por determinação da Justiça.

O momento mais crítico de sua imagem pública ocorreu em 2011. Durante uma visita à comunidade Santa Marta após um deslizamento de terra, uma moradora afirmou não ter condições de deixar a área de risco. Amazonino respondeu com a frase: “Então morra, minha filha.”

O episódio foi gravado em vídeo, teve repercussão nacional e gerou duras críticas no Congresso Nacional. Ele argumentou que a frase havia sido tirada de contexto e que pretendia alertar sobre o perigo iminente no local. O evento, porém, consolidou a imagem de um líder de contrastes, oscilando entre o carisma popular e episódios vistos como intempestivos ou insensíveis.

Checagem de Fatos: Mito ou Verdade?

A figura de Amazonino Mendes é cercada por mitos e reinterpretações históricas. Confira o que é fato e o que é boato sobre a sua trajetória:

  • “Amazonino foi governador cinco vezes”

MITO. Ele exerceu quatro mandatos (1986, 1994, 1998 e 2017). A tentativa de alcançar o quinto mandato, em 2022, não obteve sucesso.

  • “Amazonino foi eleito prefeito três vezes”

MITO. Esteve à frente da Prefeitura de Manaus em três ocasiões, mas foi eleito diretamente apenas duas vezes (1992 e 2008). Sua primeira gestão (1983) decorreu de nomeação política.

  • “Amazonino criou a UEA”

VERDADE. A instituição foi sancionada e criada durante o seu governo.

  • “Amazonino construiu a Ponte Rio Negro”

MITO. A concepção, licitação e início das obras ocorreram na gestão Eduardo Braga. A inauguração aconteceu em 2011, sob o governo Omar Aziz.

  • “Amazonino foi o criador do Prosamim”

MITO. O programa foi estruturado no governo Eduardo Braga. Amazonino realizou obras de urbanização em igarapés em gestões anteriores, o que gera eventuais confusões.

  • “A frase ‘Então morra’ foi inventada por adversários”

MITO. A fala foi registrada em vídeo. A controvérsia reside na intenção do discursos: o ex-governador alegava ter feito um alerta, enquanto críticos e a comunidade a consideraram uma atitude desrespeitosa.

  • “Todas as acusações contra Amazonino resultaram em condenação”

MITO. Mendes respondeu a investigações, mas sem condenações definitivas. Em um dos casos, referente a um processo eleitoral no STJ, a ação foi anulada pelo STF devido à incompetência do tribunal para o recebimento da denúncia à época.

A Trilha Sonora da Política Amazonense

As campanhas de Amazonino marcaram a história do marketing político regional pelo uso de jingles marcantes:

  1. “Até breve, Amazonino” (A Roda do Destino): Lançado na campanha de 1986, o jingle tornou-se um clássico da política local, sendo reutilizado em pleitos posteriores, como na eleição suplementar de 2017.
  2. “Amazonino está voltando para você”: Em ritmo de hip-hop, a música enfatizava a ideia do retorno da experiência e marcou disputas municipais.
  3. “Ama, ama, ama”: Com o refrão “Ama, ama, ama, eu voto no Amazonas”, explorava o trocadilho com as iniciais do seu nome para transmitir uma mensagem de afeto e identidade regional. Foi reaproveitado na campanha de 2018.
  4. “Governador é o Negão”: Utilizado em sua última campanha, em 2022, a faixa adotou o ritmo do beiradão e elementos de saxofone inspirados no estilo de Teixeira de Manaus, resgatando o tradicional apelido do candidato.

Curiosidades Sobre o “Negão”

  • Além de “Negão”, Amazonino também era carinhosamente chamado de “Mazoca” por correligionários e eleitores.
  • Teve em Gilberto Mestrinho seu principal padrinho político, embora ambos tenham vivido períodos de rompimento e alinhamento ao longo dos anos.
  • A abelhinha foi um dos mascotes gráficos mais emblemáticos de suas peças publicitárias.
  • Em 1986, foi homenageado como enredo da escola de samba Vitória Régia, com o tema “O Filho da Terra”.
  • Pioneiro na inclusão de lideranças de religiões de matriz africana em sua propaganda eleitoral, inseriu uma mãe de santo em seus programas de TV.
  • Tinha como característica de estilo circular frequentemente por feiras livres e comunidades do interior.
  • Faleceu em 12 de fevereiro de 2023, aos 83 anos, em São Paulo, onde estava internado. Deixou três filhos.

Entre o Mito, a Obra e a História

Amazonino Mendes encerrou a era dos líderes personalistas no Amazonas, na qual a figura individual do candidato suplantava a relevância das siglas partidárias. Admirado por uns, criticado por outros, construiu uma relação direta com o eleitorado que alternou momentos de consagração e derrotas expressivas.

Para os seus apoiadores, permanece como o maior construtor do Amazonas moderno; para os opositores, simbolizou um modelo de poder centralizador e personalista. Independentemente da perspectiva, sua presença moldou a história política e a infraestrutura do estado.

E para você, leitor? Qual obra, frase ou jingle melhor sintetiza a trajetória de Amazonino Mendes? Ele foi o maior líder político da história do Amazonas ou seu legado exige uma análise mais crítica? Deixe sua opinião nos comentários.

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