A Polícia Federal informou nesta quinta-feira (8) que vai instaurar um inquérito para investigar o incêndio de grandes proporções que atingiu, na noite de quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. O objetivo, segundo a corporação, é apurar as circunstâncias e as possíveis causas do fogo.
O incêndio atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da universidade, onde funcionavam laboratórios e eram armazenados equipamentos, amostras e dados de pesquisas científicas. Não houve registro de feridos, mas os danos materiais foram considerados elevados. Segundo o reitor Alfredo Gomes, o local reunia cerca de R$ 100 milhões em equipamentos e materiais de pesquisa.
A PF informou que já manteve contato com a reitoria da UFPE e com o Corpo de Bombeiros. Peritos federais também foram enviados ao campus para examinar a área atingida e coletar elementos que possam ajudar na identificação da origem do incêndio.
Em entrevista nesta quinta-feira, Alfredo Gomes afirmou que o prédio é antigo, mas que a universidade realizava revisões e manutenções periódicas na rede elétrica. Ele confirmou ainda a presença de materiais inflamáveis nos laboratórios, mas disse que, até o momento, não há elementos para apontá-los como causa do fogo.
“Não temos nenhuma ideia específica da causa. Precisamos ouvir a perícia para chegar a uma conclusão”, afirmou o reitor.
Relatos de ameaças entram no debate
O episódio também passou a chamar atenção após relatos de que estudantes teriam recebido mensagens com ameaças contra setores da universidade horas antes do incêndio.
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) publicou nas redes sociais que recebeu informações sobre mensagens que mencionavam a possibilidade de “explodir o departamento” e faziam referência à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Jones afirmou que pretende solicitar a investigação dos relatos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
Até o momento, porém, não há confirmação de que as mensagens tenham relação com o incêndio, nem de que os responsáveis pelas ameaças tenham qualquer vínculo com a candidatura de Flávio Bolsonaro. A autoria e a autenticidade das mensagens também precisam ser apuradas pelas autoridades.
A UFPE vinha registrando manifestações políticas de estudantes durante o período eleitoral, mas esse contexto, por si só, não permite estabelecer ligação entre o incêndio e motivação política.
Laboratórios e pesquisas atingidos
O prédio atingido abrigava pesquisas nas áreas de fármacos, genética e informática, além de materiais ligados a estudos sobre câncer, Covid-19, obesidade, transtornos mentais e doenças raras. Parte do acervo científico acumulado ao longo de anos pode ter sido perdida, embora a universidade ainda faça o levantamento oficial dos danos.
O Corpo de Bombeiros informou que o tipo de material existente no local contribuiu para a rápida propagação das chamas. A área permanece isolada para os trabalhos de perícia.
A investigação da Polícia Federal deverá analisar tanto as condições estruturais do prédio quanto outras hipóteses para o incêndio. Até a conclusão dos exames técnicos, a causa permanece indeterminada.


