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Zona Franca de Manaus enfrenta falta de terrenos para instalação de novas indústrias; entenda

Escassez de áreas regularizadas e dificuldades na destinação de lotes preocupam o setor industrial; Suframa adotou novas regras para facilitar a instalação de empreendimentos

A Zona Franca de Manaus (ZFM), um dos principais polos industriais do Brasil, enfrenta dificuldades para disponibilizar terrenos destinados à instalação de novas fábricas. Apesar da extensa área territorial da região, a escassez de lotes regularizados e com infraestrutura adequada tornou-se um obstáculo para a expansão industrial e pode comprometer a chegada de novos investimentos ao Amazonas.

O problema foi discutido pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e ganhou destaque após representantes do setor produtivo alertarem para as dificuldades enfrentadas por empresas interessadas em instalar unidades industriais na capital amazonense.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em julho de 2026, o Distrito Industrial 1, área mais antiga do polo, está praticamente ocupado. Já os distritos 2 e 3 ainda possuem terrenos com potencial de utilização, mas enfrentam problemas relacionados à regularização fundiária, ocupações irregulares e necessidade de infraestrutura.

A situação ocorre em um momento em que a Zona Franca mantém incentivos fiscais assegurados até 2073 e reúne expectativas de ampliação da atividade industrial.

Por que faltam terrenos na Zona Franca de Manaus?

A principal dificuldade não está na inexistência de terras, mas na disponibilidade de áreas que atendam às exigências necessárias para o funcionamento de uma indústria.

Para receber uma fábrica, o terreno precisa apresentar condições adequadas de acesso, abastecimento de energia elétrica, fornecimento de água, infraestrutura viária e segurança jurídica para utilização.

Além disso, a instalação de empreendimentos industriais depende da aprovação de projetos, do cumprimento de exigências ambientais e da regularização dos imóveis.

Essas condições fazem com que nem toda área disponível em Manaus possa ser imediatamente utilizada para atividades industriais.

Outro entrave envolve a ocupação irregular de terrenos pertencentes à Suframa, situação que dificulta a destinação de determinadas áreas para novos empreendimentos.

Empresas relatam dificuldades para investir

A preocupação com a falta de terrenos foi apresentada por representantes do setor de eletroeletrônicos durante discussões sobre o futuro do Polo Industrial de Manaus (PIM).

O presidente-executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento Júnior, relatou, em reunião com autoridades federais, que a limitação de terrenos já representava um obstáculo para empresas interessadas em instalar novas unidades produtivas.

De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o representante alertou que a ausência de áreas disponíveis poderia comprometer novos investimentos, apesar dos incentivos fiscais oferecidos pela Zona Franca.

Posteriormente, a entidade esclareceu que as declarações ocorreram em um contexto de discussão sobre riscos potenciais relacionados à questão fundiária, reconhecendo esforços para ampliar e preparar novas áreas industriais.

Polo Industrial movimenta bilhões e emprega milhares

O problema fundiário ocorre em um cenário de expansão econômica do Polo Industrial de Manaus.

Segundo dados da Suframa, o polo encerrou 2025 com faturamento recorde de aproximadamente R$ 227,6 bilhões, crescimento de 11% em relação ao ano anterior.

O setor também alcançou mais de 131 mil empregos diretos e mantém cerca de 600 indústrias em funcionamento, distribuídas por segmentos como eletroeletrônicos, motocicletas, informática, produtos químicos e bens de consumo.

Em março de 2026, o Conselho de Administração da Suframa aprovou 83 projetos industriais e de serviços, que somavam R$ 1,17 bilhão em investimentos previstos e potencial de geração de mais de 2,8 mil empregos.

Na avaliação de representantes do setor industrial, a disponibilidade de terrenos adequados é um dos fatores necessários para transformar projetos aprovados em novas unidades produtivas.

Suframa adota novas regras para destinação de lotes

Diante das dificuldades, a Suframa passou a discutir mudanças no modelo de disponibilização de terrenos industriais.

Em junho de 2026, o Conselho de Administração aprovou a Resolução nº 500, que estabeleceu novas regras para a destinação dos lotes pertencentes à autarquia.

A regulamentação passou a prever mecanismos de seleção por chamamento público, com avaliação técnica das propostas apresentadas pelas empresas interessadas.

Em julho, a Suframa instituiu a Comissão Especial de Análise de Concessão dos Lotes (CEACL), responsável por examinar projetos e avaliar propostas destinadas à ocupação das áreas industriais.

Entre os critérios considerados estão a geração de empregos, a incorporação de tecnologias, a produtividade, a competitividade e os investimentos em qualificação profissional e inovação.

As mudanças buscam dar maior agilidade e transparência ao processo de destinação dos imóveis, embora a disponibilidade efetiva de novas áreas também dependa de regularização fundiária e investimentos em infraestrutura.

Expansão industrial depende de infraestrutura

A abertura de novos espaços para instalação de fábricas envolve desafios que vão além da concessão dos terrenos.

A ampliação das áreas industriais exige planejamento urbano, melhorias nas vias de acesso, fornecimento adequado de energia e água, além de condições logísticas para o transporte de matérias-primas e produtos acabados.

Em Manaus, a necessidade de conciliar a expansão econômica com a organização territorial e a proteção ambiental também integra as discussões sobre o futuro do polo.

Entre as alternativas debatidas estão a preparação de novas áreas industriais, a reorganização dos terrenos existentes e o aproveitamento de imóveis que não estejam cumprindo sua finalidade produtiva.

A própria Suframa prevê a possibilidade de retomada de lotes ociosos ou utilizados de forma incompatível com os projetos aprovados, respeitados os procedimentos legais.

Falta de terrenos pode afetar geração de empregos

A dificuldade de disponibilizar áreas adequadas pode provocar atrasos na implantação de novas fábricas, aumentar custos e limitar a expansão de empresas já instaladas no Polo Industrial de Manaus.

Os impactos também podem alcançar a geração de empregos, uma vez que a instalação de novas unidades produtivas está associada à contratação de trabalhadores e à movimentação de empresas fornecedoras de serviços e insumos.

Entretanto, não há um levantamento público consolidado, nas informações consultadas, que permita quantificar quantos empregos ou investimentos efetivamente deixaram de ser realizados em razão da escassez de terrenos.

A situação coloca a regularização fundiária, a modernização dos procedimentos administrativos e a ampliação da infraestrutura industrial entre os desafios para o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus nos próximos anos.

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