As 17 árvores existentes na rua Ferreira Pena, no Centro de Manaus, serão preservadas durante as obras de implantação da primeira Rua Gastronômica da capital. A medida integra o projeto de requalificação urbana da Prefeitura de Manaus, que prevê adaptar as intervenções de infraestrutura à arborização existente, mantendo as características ambientais e históricas da via.
A preservação dos oitizeiros está prevista em uma nota técnica conjunta elaborada pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). O documento estabelece que os serviços de engenharia, arquitetura e paisagismo devem considerar a proteção das árvores durante todas as etapas da obra.

Em um vídeo institucional sobre o projeto, a prefeitura destaca que a transformação da Ferreira Pena não deverá comprometer a arborização que integra a paisagem do Centro Histórico. A proposta é conciliar a modernização do espaço com a manutenção das árvores, responsáveis por proporcionar sombra e contribuir para o conforto térmico de quem circula pela região.
Entre as medidas previstas estão a proteção das raízes durante escavações, os cuidados com troncos e copas e a redução dos impactos causados pela compactação do solo. As instalações subterrâneas de energia e telecomunicações também deverão ser planejadas de maneira compatível com o sistema de raízes.
Segundo o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, a preservação da arborização representa uma forma de valorizar a identidade da região.
“A Ferreira Pena já tem uma identidade construída ao longo de muitos anos. Esses oitizeiros fazem parte dessa história e dessa paisagem. A requalificação precisa respeitar aquilo que já existe e incorporar as árvores ao projeto, valorizando a natureza, o patrimônio e a experiência de quem vai viver e visitar esse espaço”, afirmou.
Obras seguem em andamento
A transformação da Ferreira Pena integra o programa Nosso Centro, desenvolvido pela Prefeitura de Manaus. As intervenções começaram no dia 26 de agosto, com a interdição do trecho entre as ruas 10 de Julho e Ramos Ferreira.
O projeto contempla aproximadamente 190 metros de extensão e uma área de 3,8 mil metros quadrados. Entre as melhorias previstas estão a substituição do asfalto por blocos de concreto intertravados, renovação das calçadas, implantação de drenagem, iluminação cênica, mobiliário urbano e infraestrutura subterrânea.

Em atualização divulgada no dia 2 de outubro, a prefeitura informou o início da instalação de caixas de concreto destinadas às redes subterrâneas de energia, telecomunicações e drenagem, no trecho entre as ruas Ramos Ferreira e Monsenhor Coutinho.

Após a conclusão, a Ferreira Pena deverá funcionar como um boulevard voltado prioritariamente aos pedestres, com espaços destinados à circulação, gastronomia, turismo, cultura e convivência. A previsão anunciada pela administração municipal é de entrega em novembro.
Conhecida popularmente como Rua do Sarará, a Ferreira Pena já concentra bares e restaurantes e possui movimentação noturna. A proposta de transformação, entretanto, também tem levantado discussões sobre os impactos para moradores, comerciantes e trabalhadores informais que atuam na região.


